A Comissão Disciplinar do São Paulo Futebol Clube tomou uma decisão drástica na segunda-feira (6 de abril de 2026). O órgão julgou e decidiu pela expulsão do ex-superintendente geral e ex-CEO da agremiação, Márcio Carlomagno, do quadro de sócios. A resolução ocorre em meio às investigações sobre a exploração clandestina de um camarote no estádio do MorumBis (Estádio Cícero Pompeu de Toledo) durante o show da cantora internacional Shakira, realizado em fevereiro do ano de 2025.
De acordo com informações do UOL Esporte, conselheiros do clube paulista elaboraram um detalhado documento de sete páginas apontando a suposta omissão do ex-diretor. Segundo a denúncia apresentada recentemente aos órgãos internos, o dirigente possuía total conhecimento das irregularidades comerciais ocorridas no espaço privado, mas não atuou para impedir a ação, permitindo o andamento da operação não autorizada.
Como foi a votação que definiu o futuro de Márcio Carlomagno?
A sessão decisiva da comissão contou com a participação de cinco membros designados exclusivamente para avaliar a pauta disciplinar. Destes, três votaram a favor do desligamento do ex-CEO dos quadros associativos da instituição esportiva. Os votos favoráveis à punição máxima foram proferidos por:
- José Eduardo Vuolo
- Danilo Pavanello
- Natanael Cabral
Apesar do placar desfavorável na esfera disciplinar, o dirigente ainda não está oficialmente desligado do quadro associativo do time tricolor. A estrutura jurídica do clube prevê que o acusado possui o direito de recorrer da decisão proferida em primeira instância, o que adiará a confirmação definitiva da penalidade imposta pela comissão até que os eventuais recursos sejam esgotados.
Qual a relação do acusado com a gestão de Julio Casares?
A trajetória política do ex-superintendente está intimamente ligada à figura do ex-presidente Julio Casares. Com mais de 22 anos de atuação ininterrupta nos bastidores da equipe paulista, o profissional ocupou os mais variados cargos internos ao longo de sua passagem, iniciando como assessor de futebol até alcançar a superintendência geral e a cadeira máxima administrativa de CEO do time.
Antes da atual turbulência institucional que assola o clube, o cartola era amplamente considerado como o sucessor natural da antiga gestão executiva. Ele era cotado internamente para ser o candidato oficial da situação na eleição prevista para o fim deste ano. Contudo, os rumos da política são-paulina sofreram uma alteração drástica após o processo de impeachment de Julio Casares, que culminou em sua posterior renúncia.
Como a defesa do ex-CEO justifica as acusações sobre o camarote?
Em sua manifestação de defesa apresentada no ano passado, o ex-dirigente negou categoricamente qualquer tipo de envolvimento pessoal ou administrativo no esquema clandestino. A argumentação central baseia-se na alegação de que o espaço exclusivo da presidência foi cedido à Diretora Feminina de maneira institucional, atendendo a uma solicitação direta feita por Mara Casares, ex-primeira-dama do clube. Segundo o ex-CEO, a responsável pela diretoria não possuía qualquer autorização formal para comercializar os acessos ao local de prestígio.
O ex-superintendente argumentou ainda aos conselheiros que apenas descobriu a operação paralela de venda de ingressos no próprio dia do evento musical. A constatação teria ocorrido devido a uma enorme confusão logística e de bilheteria envolvendo a empresa terceira que havia adquirido os direitos de uso do espaço. Após tomar conhecimento formal da situação, o cartola alegou que proibiu imediatamente novas cessões do camarote 3A para quaisquer outros eventos sediados na arena durante a temporada.
Quais são os próximos passos das investigações internas no MorumBis?
O escândalo dos espaços Vips não se restringe apenas ao ex-executivo da gestão anterior. Outros nomes proeminentes da política associativa local, como Douglas Schwartzmann e a própria Mara Casares, também enfrentam risco iminente de sanções severas. Eles são apontados pelos investigadores como integrantes ativos do complexo esquema clandestino que explorava comercialmente as áreas restritas da arena são-paulina de forma ilícita.
Para definir de forma conclusiva o futuro destes outros investigados, o Conselho Deliberativo será convocado de maneira extraordinária na quarta-feira (8 de abril). A reunião em plenário foi agendada a partir de um pedido formal protocolado pela Comissão de Ética da instituição, que submeterá aos conselheiros a votação final para decidir sobre a expulsão definitiva da dupla do quadro de sócios da agremiação.