A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) emitiu um alerta oficial para reforçar a importância do uso racional da água tratada diante da onda de calor extremo que atinge a região Sudoeste do estado. Com a previsão de que os termômetros cheguem aos 40°C ao longo da semana de 31 de março de 2026 e durante o feriado de Páscoa de 2026, a instituição observa um aumento natural na demanda, o que exige a colaboração da população para evitar interrupções no fornecimento. O fenômeno climático é provocado por uma massa de ar quente estacionada entre o Paraguai e o Norte da Argentina, avançando sobre o território brasileiro.
Embora o alerta tenha foco no Paraná, episódios de calor extremo elevam o consumo de água em diferentes regiões do país e pressionam sistemas de abastecimento, sobretudo em períodos de maior uso residencial. No caso paranaense, o aviso ganha relevância também por envolver uma companhia estadual responsável pelo fornecimento em grande parte dos municípios do estado.
De acordo com informações da Agência Paraná, a garantia do abastecimento pleno depende de um esforço coletivo entre o poder público e os cidadãos. O diretor-presidente da companhia, Wilson Bley, destacou que investimentos contínuos em reservatórios, estações de tratamento e redes de distribuição estão em curso, mas o combate ao desperdício permanece sendo uma prioridade estratégica.
A água é um bem de todos e combater o desperdício é uma responsabilidade coletiva.
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Como o calor extremo afeta o consumo de água por cidade?
As altas temperaturas registradas em diversas localidades paranaenses impactam diretamente o volume de água produzido diariamente. No município de Capanema, no Sudoeste do Paraná, a previsão indica que o calor ultrapassará os 38°C, elevando a produção para cerca de 4,1 milhões de litros diários. Na cidade, a média de consumo individual registrada pela Sanepar é de 114 litros de água por pessoa a cada dia.
Em Toledo, localizada na região Oeste, a companhia produz aproximadamente 34 milhões de litros para atender uma demanda de mais de 60 mil imóveis urbanos. Já em Cascavel, também no Oeste paranaense, o volume diário produzido ultrapassa a marca de 90 milhões de litros. Dados estatísticos da empresa revelam que, no mês de fevereiro, o consumo médio de cada cascavelense foi de 116 litros diários, um aumento em relação aos 110 litros registrados no mês anterior.
Quais são os principais vilões do desperdício durante a onda de calor?
Um dos pontos de maior atenção técnica durante períodos de calor intenso reside no uso inadequado de piscinas infláveis. A prática de descartar a água ao final do dia para renovação total na manhã seguinte é classificada pela Sanepar como um hábito crítico para a estabilidade do sistema de abastecimento. Segundo cálculos apresentados por Bley, o volume desperdiçado em uma única piscina de cinco mil litros, se trocada duas vezes em um único fim de semana, seria suficiente para suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas por 15 dias.
Para mitigar este problema, a companhia recomenda as seguintes medidas de conservação:
- Manter as piscinas cobertas quando não estiverem em uso para evitar a evaporação;
- Utilizar produtos químicos adequados para o tratamento da água, prolongando sua vida útil;
- No caso de piscinas fixas, realizar a manutenção periódica com profissionais especializados;
- Substituir o uso de mangueiras por baldes em limpezas domésticas de calçadas e veículos;
- Reutilizar a água da máquina de lavar para a rega de plantas e lavagem de áreas externas.
Como a Sanepar monitora a infraestrutura de abastecimento?
Para assegurar a continuidade do serviço, equipes técnicas operam em regime de 24 horas, monitorando níveis de reservatórios e realizando manutenções preventivas em equipamentos de bombeamento. A Sanepar administra no estado uma rede composta por cerca de 110 mil km de tubulações de água e esgoto, atendendo mais de 3,5 milhões de ligações de água e 2,6 milhões de conexões de esgoto.
A estrutura operacional abrange 168 estações de tratamento de água e 1.219 poços artesianos, além de uma robusta infraestrutura tecnológica para controle de pressão e vazão. A companhia reforça que a mudança de pequenos hábitos cotidianos é fundamental para que o consumo individual não prejudique o acesso coletivo ao recurso essencial, especialmente em momentos de anomalias climáticas como a atual bolha de calor que atinge o Centro-Sul do país.


