
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) oficializou, no início de abril de 2026, um novo contrato de financiamento internacional no valor de € 50 milhões — montante equivalente a aproximadamente R$ 300 milhões — com o banco de desenvolvimento alemão KfW. O investimento será integralmente destinado à segunda etapa do programa Paraná Bem Tratado, que prioriza a modernização da infraestrutura de saneamento e a expansão da capacidade produtiva de energia renovável. De acordo com informações da Agência Paraná, o acordo destaca-se por ter sido viabilizado sem a necessidade de garantias do Governo Federal ou contrapartidas diretas do tesouro estadual, fundamentando-se na solidez financeira da própria companhia. No cenário nacional, a captação de recursos externos sem o aval da União é considerada um feito raro para estatais estaduais de infraestrutura, estabelecendo um precedente e servindo como modelo de viabilidade financeira para outras empresas de saneamento no país.
O aporte financeiro contempla a ampliação de unidades estratégicas e o aprimoramento do tratamento de resíduos. Para garantir a execução das obras, a Sanepar aplicará 20% do valor total como contrapartida própria. A operação reafirma a credibilidade da estatal paranaense perante instituições globais, permitindo a captação de recursos com condições favoráveis para acelerar projetos de longo prazo. Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Sanepar, Abel Demetrio, a estrutura do contrato é um indicativo de maturidade institucional.
Este financiamento é um marco importante para a Sanepar. Viabilizar uma operação internacional deste porte com contrapartida financeira da Companhia, sem a necessidade de garantias do governo estadual ou federal, demonstra que a Sanepar possui saúde financeira e credibilidade que nos permite dialogar diretamente com grandes instituições globais, como o KfW, para acelerar investimentos estratégicos para o saneamento no Paraná.
Quais serão as cidades beneficiadas pelos novos investimentos?
Os recursos provenientes do banco alemão serão distribuídos para a ampliação de quatro Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) localizadas em pontos estratégicos do estado. O planejamento inclui melhorias estruturais nas unidades Norte e Sul, em Londrina; na unidade Pinhalzinho, em Umuarama; e na ETE Padilha, em Curitiba. Além das ampliações, o projeto prevê a criação de uma central de tratamento de lodo na capital paranaense, visando otimizar a gestão de resíduos sólidos urbanos de forma eficiente e sustentável.
Outro ponto central do cronograma é a expansão da Usina de Tratamento de Lodos e Resíduos Orgânicos, conhecida como ETE Belém Biogás. O foco desta unidade é o aproveitamento do biogás para a geração de energia elétrica e o processo de secagem de lodo. Essa tecnologia reduz a dependência de fontes externas de energia e transforma um subproduto do tratamento de esgoto em um ativo valioso para a operação da companhia.
Qual é o papel do Novo Marco Legal do Saneamento neste projeto?
A expansão da malha de tratamento é fundamental para que o estado atinja as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020), que exige a universalização dos serviços de água e esgoto em todo o território nacional até 2033. O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, ressaltou que o fôlego financeiro proporcionado pelo KfW é essencial para elevar o patamar tecnológico das operações estaduais.
Estamos trabalhando com foco total em atingir as metas de universalização estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento. Este contrato com o KfW nos garante o fôlego necessário para expandir o atendimento e, ao mesmo tempo, elevar o nível tecnológico das nossas operações. Queremos que o Paraná continue sendo referência em eficiência e sustentabilidade.
Como o biogás contribui para a sustentabilidade e a economia tarifária?
A recuperação do metano e a consequente redução da emissão de gases de efeito estufa são os pilares ambientais do programa Paraná Bem Tratado. Ao capturar o biogás, a Sanepar evita que poluentes atmosféricos sejam liberados e os converte em energia térmica ou elétrica. Esse processo gera uma economia operacional significativa, que reflete diretamente na manutenção da modicidade tarifária para o consumidor final, garantindo que o serviço continue acessível enquanto a qualidade técnica aumenta.
Esta é a segunda vez que a Sanepar e o KfW firmam parceria sob este modelo. A primeira etapa do programa já teve o montante de € 50 milhões integralmente utilizado e encontra-se atualmente em fase de amortização, com a maioria das intervenções físicas concluídas. Os principais pontos do novo contrato incluem:
- Ampliação de quatro estações de tratamento de esgoto (Londrina, Umuarama e Curitiba);
- Implantação de central de tratamento de lodo em Curitiba;
- Expansão da geração de energia renovável na ETE Belém;
- Redução sistemática da pegada de carbono operacional;
- Investimento total de aproximadamente R$ 300 milhões.
A cerimônia de assinatura do contrato contou com a participação de Claudia Arce, diretora para a América Latina e Caribe do KfW, reforçando o compromisso internacional com o desenvolvimento da infraestrutura paranaense.


