O governo russo anunciou nesta segunda-feira (30) que intensificará o envio de petróleo a Cuba para mitigar os efeitos de uma grave crise energética provocada por um bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos. A medida ocorre após a chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin, carregado com 100 mil toneladas de petróleo bruto, autorizada pelas autoridades norte-americanas. De acordo com informações do G1 Mundo, o Kremlin classificou o apoio como um “dever” diante da situação crítica enfrentada pela ilha caribenha. Para o Brasil, o episódio é relevante por envolver o mercado internacional de petróleo, que influencia custos de energia e combustíveis, além de ocorrer em uma região historicamente sensível na política externa das Américas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em coletiva de imprensa que o fornecimento de petróleo é essencial para manter serviços básicos em Cuba, incluindo geração de eletricidade e atendimento médico. “Vamos continuar trabalhando para suprir Cuba com petróleo. (…) Ele é essencial para manter em funcionamento os sistemas necessários à vida normal no país”, declarou.
Por que os EUA impuseram um bloqueio marítimo a Cuba?
O bloqueio marítimo foi implementado há mais de um mês pelo governo dos Estados Unidos, que passou a pressionar embarcações internacionais a não entregar combustível à ilha. A medida levou ao colapso parcial da rede elétrica cubana, causando apagões generalizados que afetaram milhões de pessoas. Segundo o New York Times, a Guarda Costeira dos EUA decidiu não interceptar o navio russo, que transporta cerca de 730 mil barris de petróleo bruto, pertencente ao governo russo. Cuba fica no Caribe, a poucos quilômetros da Flórida, e sua relação com Washington é marcada por décadas de embargo econômico e tensões diplomáticas.
Qual a posição do governo Trump sobre o envio de petróleo?
Peskov revelou que o envio de petróleo foi discutido diretamente com a administração do presidente Donald Trump. No domingo (29), Trump afirmou publicamente que não tinha “nenhum problema” com países que enviassem petróleo bruto a Cuba, sinalizando uma flexibilização temporária do bloqueio. Apesar disso, as autoridades norte-americanas não divulgaram os termos específicos da autorização para a chegada do Anatoly Kolodkin.
De acordo com dados da empresa de monitoramento marítimo MarineTraffic, citados pela reportagem, o navio estava a menos de 24 quilômetros das águas territoriais cubanas na tarde de domingo e deve atracar nos próximos dias no porto de Matanzas.
- Bloqueio marítimo dos EUA dura mais de um mês
- Crise energética provocou apagões em todo o território cubano
- Rússia considera seu “dever” apoiar Cuba com fornecimento de petróleo

