O Governo de Roraima concluiu no sábado (4 de abril) um treinamento especializado focado em segurança institucional destinado à guarda presidencial da Guiana. A iniciativa diplomática e de defesa reuniu 15 integrantes das forças guianenses e dez agentes de segurança roraimenses. De acordo com informações do Governo de Roraima, a capacitação envolveu operações táticas complexas e teve como objetivo aprimorar a proteção de autoridades governamentais por meio da cooperação fronteiriça. Roraima compartilha uma extensa fronteira com a Guiana, o que torna a cooperação entre as forças de segurança estratégica para a região amazônica.
A operação técnica e educacional foi coordenada pela Casa Militar do estado, atuando em conjunto com a Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa) e o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), ambos vinculados à Polícia Militar de Roraima. O programa reflete o estreitamento das relações bilaterais entre a unidade federativa brasileira e o país sul-americano vizinho.
Como surgiu a parceria entre Roraima e a Guiana?
O intercâmbio de forças de segurança ocorreu a partir de um pedido direto do presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali. Durante visitas oficiais anteriores ao estado fronteiriço brasileiro, o chefe de Estado estrangeiro acompanhou a atuação das equipes locais de proteção e demonstrou interesse em aplicar os mesmos protocolos em seu país.
O chefe da Casa Militar, coronel Miramilton Goiano, detalhou a origem da solicitação diplomática que resultou na formação técnica e na integração tática entre as duas regiões.
“Esse curso nasceu da observação que o presidente da Guiana fez quando esteve aqui em várias ocasiões. Na última visita, ele conversou conosco e solicitou que a equipe de segurança dele tivesse acesso ao mesmo tipo de treinamento, ao perceber o nível técnico e a organização das nossas equipes”
Quais foram as etapas e técnicas do treinamento militar?
O cronograma do programa internacional foi desenhado para ocorrer de forma intensiva, dividindo-se entre atividades teóricas e simulações de alto risco. A matriz curricular durou 30 dias e foi estruturada da seguinte forma:
- Vinte dias de imersão e aulas práticas no Brasil.
- Dez dias de atividades de nivelamento em Georgetown, capital da Guiana.
- Instruções focadas em operações helitáticas e protocolos de proteção de autoridades.
A ênfase das atividades recaiu sobre a padronização das operações aéreas de segurança. Os alunos realizaram manobras de embarque e desembarque em aeronaves, além de simularem diferentes cenários operacionais de crise que exigem pronta resposta de escolta executiva.
O sargento Raynilton da Silva, instrutor ligado ao Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e ao Gate, reforçou a necessidade de protocolos rigorosos em ações de segurança pública que dependem de equipamentos de aviação.
“O objetivo maior é essa integração entre as forças e o repasse desse conhecimento. Tudo que envolve o vetor aéreo exige padrão e segurança máxima. Entender essa doutrina reduz riscos e garante a segurança da equipe e da tripulação”
Qual aeronave foi utilizada nas simulações táticas?
Para garantir o realismo das simulações, as forças policiais empregaram o helicóptero modelo AW119 KX, de fabricação italiana. Este equipamento é o vetor aéreo utilizado por Roraima para o deslocamento seguro de autoridades, devido à sua autonomia de voo e capacidade de adaptação aos diferentes terrenos da região amazônica.
O comandante Wagner Assis apontou que a aeronave entrega alta eficiência operacional e atende perfeitamente ao perfil de missões exigidas. Complementando a avaliação técnica, o tenente Emilangelo Medeiros, comandante em exercício da Cipa, reforçou a importância do domínio de múltiplos modais logísticos.
“É uma instrução fundamental para que o operador saiba atuar com segurança em diferentes meios, seja em aeronaves, embarcações ou em solo, especialmente em situações que envolvem autoridades”
Ao término das instruções em território brasileiro, a delegação estrangeira avaliou o programa como um marco para a qualificação de seus agentes. O representante da equipe de proteção do presidente da Guiana, Earl Miller, confirmou que as táticas ensinadas serão incorporadas imediatamente ao país vizinho.
“Estamos levando muito conhecimento para aplicar na segurança do presidente da Guiana. Esse intercâmbio é fundamental para fortalecer nosso trabalho e aprimorar as técnicas utilizadas no dia a dia”

