Uma falha técnica ainda não esclarecida interrompeu, na terça-feira (31 de março de 2026), a operação de um número indeterminado de robotáxis da Baidu em Wuhan, na China. O problema deixou passageiros retidos dentro dos veículos e provocou transtornos no trânsito, inclusive em rodovias. De acordo com informações da Wired, os carros autônomos da plataforma Apollo Go pararam de funcionar no meio da circulação, em alguns casos por mais de uma hora, enquanto autoridades locais investigam a causa do problema.
O episódio ocorre em um momento de avanço dos testes e da regulação de veículos autônomos em vários países. Para o debate brasileiro, casos como esse ajudam a medir os desafios de segurança, suporte remoto e resposta a falhas antes de uma eventual ampliação desse tipo de serviço no país.
Relatos publicados nas redes sociais chinesas e reunidos pela reportagem indicam que os veículos ficaram imobilizados em vias movimentadas, frequentemente na faixa rápida. A polícia local informou, por volta da meia-noite no horário da China, que a situação foi “provavelmente causada por uma falha de sistema”, mas destacou que o caso segue em apuração. Segundo as autoridades, ninguém ficou ferido e todos os passageiros conseguiram deixar os veículos.
Como os passageiros relataram o problema em Wuhan?
Uma estudante universitária ouvida pela Wired afirmou que ficou presa em um robotáxi da Baidu com duas amigas por cerca de 90 minutos na terça-feira (31). Identificada apenas pelo sobrenome He, ela disse que o veículo falhou e parou de funcionar quatro ou cinco vezes ao longo da corrida, até estacionar diante de um cruzamento na zona leste de Wuhan. De acordo com o relato, a via não estava muito movimentada naquele momento, o que reduziu o risco imediato.
Segundo a passageira, a tela interna do carro orientava os ocupantes a permanecer sentados, com os cintos afivelados, e aguardar a chegada de um representante da empresa “em cinco minutos”. Ela também relatou que levou cerca de 30 minutos para conseguir contato telefônico com o atendimento da Baidu.
“Eles continuavam dizendo que iriam reportar o caso ao superior deles. Mas não explicavam o que tinha causado o problema nem quanto tempo precisaríamos esperar pela chegada da equipe.”
A estudante afirmou ainda que nenhum funcionário apareceu no local. Depois de mais uma hora de espera, ela e as amigas decidiram sair do veículo por conta própria e ir para casa. De acordo com o relato, as portas não estavam travadas.
Que tipo de falhas e impactos no trânsito foram registrados?
Outros usuários das redes sociais chinesas também reclamaram de dificuldades para acionar o suporte da empresa. Uma passageira afirmou que tentou todas as opções disponíveis no aplicativo para pedir ajuda, mas não conseguiu completar a ligação telefônica e relatou que o botão de SOS aparecia como indisponível. Em sua publicação, ela disse que precisou forçar a abertura da porta para sair do carro, enquanto o tráfego atrás do robotáxi ficava completamente parado.
Imagens compartilhadas online mostraram diversos veículos da Apollo Go estacionados no meio da via ao longo de um período de cerca de 90 minutos. Um vídeo de câmera veicular citado pela reportagem mostra um motorista passando por 16 robotáxis parados na estrada nesse intervalo. Em várias situações, o condutor precisou frear ou mudar de faixa no último momento para evitar colisões.
Também houve relatos de acidentes. Em uma das postagens, um homem afirmou ter colidido com um dos veículos da Baidu após o carro à sua frente mudar repentinamente de faixa para desviar de um robotáxi parado. Fotos mostraram o utilitário esportivo laranja do motorista sendo rebocado, com danos significativos na parte dianteira direita. A reportagem menciona ainda pelo menos outras duas colisões no mesmo dia, com base em fotos e vídeos publicados nas redes sociais.
O que se sabe sobre a operação da Baidu na cidade?
A Baidu é uma das principais empresas chinesas do setor de direção autônoma e opera serviços de robotáxi em mais de uma dezena de cidades do país, além de expandir a atividade para locais como Seul, Abu Dhabi e Dubai. Em fevereiro, a empresa informou ter concluído 20 milhões de corridas, cobrindo mais de 300 milhões de quilômetros.
Wuhan aparece entre as cidades mais permissivas para a circulação de veículos totalmente autônomos da empresa em vias públicas. Segundo a reportagem, o município autoriza a operação desses carros em rodovias e em trajetos até o aeroporto, o que amplia o impacto potencial de interrupções como a registrada na terça-feira (31 de março de 2026).
No Brasil, a circulação comercial de veículos totalmente autônomos ainda não faz parte do cotidiano urbano, e episódios como o de Wuhan tendem a ser observados como referência internacional para discussões sobre responsabilidade, fiscalização e protocolos de emergência em vias públicas.
- A falha ocorreu na terça-feira (31 de março de 2026), em Wuhan.
- A causa provável, segundo a polícia, é uma falha de sistema.
- Passageiros relataram espera superior a uma hora.
- Não houve registro de feridos, de acordo com as autoridades.
- O número total de veículos afetados ainda não foi informado.
Até a publicação original da reportagem, a Baidu não havia respondido imediatamente ao pedido de comentário. A extensão da paralisação e o número exato de robotáxis impactados seguem indefinidos.



