A Rivian, fabricante americana de veículos elétricos, anunciou que não espera alcançar a meta de lucratividade prevista para 2027 devido aos investimentos crescentes em tecnologias autônomas. Essa informação foi divulgada na última quinta-feira, 19 de março de 2026, e destaca o aumento significativo nos custos de pesquisa e desenvolvimento para acelerar a tecnologia de direção autônoma da empresa. Embora a montadora não atue diretamente no mercado brasileiro, suas movimentações são acompanhadas por investidores locais por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) negociados na B3. De acordo com informações do TechCrunch, a Rivian firmou uma nova parceria com a Uber para produzir versões de robotáxi de seu SUV R2, como parte de sua estratégia.
A plataforma de lançamento do SUV R2 e o aumento das receitas de software eram apontados pela Rivian como componentes cruciais para alcançar a positividade no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2027. A previsão agora está ameaçada pelo fim do crédito fiscal federal para veículos elétricos nos Estados Unidos, pela redução da venda de créditos regulatórios para outras montadoras e pelos custos acrescidos devido às tarifas impostas pelo governo do presidente americano Donald Trump. Essas pressões financeiras tornam mais desafiador para a Rivian alcançar o equilíbrio financeiro.
Quais são os obstáculos enfrentados pela Rivian?
Além dos impactos nos créditos fiscais e regulatórios, a Rivian está investindo pesadamente em desenvolvimento de tecnologia autônoma. O fundador e CEO da empresa, RJ Scaringe, afirmou que estão destinando mais recursos a essa área do que a qualquer outra. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento chegaram ao equivalente a R$ 1,7 bilhão em 2025, uma alta em relação aos R$ 1,6 bilhão registrados no ano anterior. Este aumento é atribuído ao crescimento nas despesas de engenharia, design, desenvolvimento, prototipagem e software para apoiar o lançamento do R2 e iniciativas de inteligência artificial.
Analistas do setor, como Joseph Spak, do banco suíço UBS, já previam que a Rivian não alcançaria o EBITDA positivo por “vários anos”, reforçando as dificuldades enfrentadas pela empresa.
Como a parceria com a Uber pode impactar seus objetivos?
A parceria com a empresa de mobilidade Uber representa um novo esforço da Rivian para otimizar seus resultados por meio de sua tecnologia avançada. A Uber está investindo até R$ 5,9 bilhões na Rivian, com um pedido inicial de 10 mil SUVs R2. Eventualmente, o pedido pode aumentar para até 50 mil unidades. Este investimento é um dos muitos que a Rivian espera, pois a empresa planeja começar a construção de uma nova fábrica no estado americano da Geórgia e iniciar a produção do R2 ainda este ano (2026).
Com projetos ambiciosos, a Rivian pretende lançar veículos elétricos com capacidade de direção autônoma de nível L4, permitindo viagens sem intervenção humana em certas áreas. Durante o evento “Autonomy & AI Day”, a Rivian apresentou ao público seus mais recentes avanços em tecnologia autônoma, demonstrando o potencial de suas soluções de assistência ao motorista.



