As negociações sobre o futuro do Rio Colorado foram retomadas em 2 de março de 2026, após uma pausa de duas semanas, com os sete estados da bacia tentando avançar em um acordo de curto prazo para enfrentar o agravamento da oferta de água no oeste dos Estados Unidos. As conversas ocorrem em meio a previsões de neve em níveis recordes de baixa, risco de queda adicional no nível do Lago Powell e possibilidade de interrupção da geração hidrelétrica até dezembro. De acordo com informações do Inside Climate News, a retomada das tratativas foi informada pelo negociador de água do Novo México, Estevan López.
Embora o impasse seja regional nos EUA, ele tem relevância mais ampla por envolver segurança hídrica, geração de energia e gestão de reservatórios em cenário de seca prolongada — temas que também fazem parte do debate público no Brasil, especialmente em momentos de pressão sobre hidrelétricas e abastecimento.
López afirmou, em reunião da Interstate Stream Commission do Novo México, que os estados das partes alta e baixa da bacia estão usando como ponto de partida uma proposta temporária apresentada por Nevada. A ideia busca evitar um recuo excessivo do nível do Lago Powell enquanto as autoridades federais analisam alternativas mais amplas para a gestão do rio, cujas diretrizes operacionais atuais expiram no outono do hemisfério norte.
O que está sendo discutido no acordo de curto prazo?
Segundo López, a proposta de Nevada prevê ampliar a liberação de água de reservatórios da parte alta da bacia, como o Flaming Gorge, em pelo menos 500 mil acre-feet, para ajudar a impedir que o Lago Powell chegue a níveis críticos. Em contrapartida, os estados da parte baixa da bacia concordariam em reduzir o consumo em 1,25 milhão de acre-feet até que as condições do sistema melhorem de forma significativa.
O negociador disse ainda que os estados da parte alta apresentaram uma contraproposta e que novas discussões estavam previstas para a quinta-feira mencionada no relato original. O objetivo imediato é encontrar uma resposta temporária para o restante do atual ano hidrológico.
“Neste momento, estamos em discussões com a parte baixa da bacia sobre um possível acordo de curto prazo”, disse López à Interstate Stream Commission do Novo México.
López também descreveu o quadro hidrológico como extremamente grave e indicou que a expectativa é de uma liberação de meio milhão de acre-feet a partir de Flaming Gorge para sustentar o nível do Lago Powell.
Por que a situação do Rio Colorado preocupa tanto?
A preocupação aumentou porque as projeções mais recentes indicam piora no abastecimento de água. O Colorado Basin River Forecast Center informou que apenas 2,3 milhões de acre-feet de água do Rio Colorado devem chegar ao Lago Powell até julho, cerca de um terço do volume considerado normal para o período.
Durante apresentação de um mapa com códigos de cores, Cody Moser, do centro federal de previsões da bacia do Colorado, afirmou que o cenário está muito abaixo da média sazonal em diferentes pontos da bacia. Segundo ele, parte das áreas deve registrar entre 50% e 70% do escoamento normal entre abril e julho, enquanto outras podem ficar entre 30% e 50%, havendo locais com menos de 30% do padrão normal da primavera.
“Como vocês podem notar, o quadro não é nada animador, com muitas áreas em vermelho”, disse ele ao apresentar um mapa com códigos de cores sobre o volume de água esperado em diferentes pontos da bacia do rio.
Esse quadro ocorre em um momento em que o Rio Colorado é vital para milhões de pessoas e para diversos usos econômicos no oeste americano. A queda do Lago Powell a níveis ainda mais baixos pode comprometer a geração de energia hidrelétrica, além de pressionar as disputas entre estados sobre divisão e conservação de água.
Para o leitor brasileiro, o caso também ajuda a ilustrar como conflitos por uso da água podem afetar simultaneamente consumo urbano, produção agrícola e oferta de energia, uma combinação sensível em países com forte dependência de reservatórios e hidrelétricas.
Qual é o papel do governo federal nas próximas decisões?
Enquanto os estados tentam construir um entendimento, o Departamento do Interior dos Estados Unidos analisa milhares de comentários recebidos sobre várias opções para administrar o rio. As alternativas foram publicadas em janeiro e incluem desde reduções importantes no uso de água pelos estados da parte baixa da bacia até a criação de novos incentivos para conservação.
Como os estados perderam dois prazos para chegar a um acordo próprio sobre compartilhamento e preservação da água, cresce a possibilidade de o governo federal montar seu próprio plano antes do vencimento das diretrizes atuais, previsto para o outono. Um advogado da Interstate Stream Commission do Novo México afirmou que o estado espera que o Departamento do Interior identifique uma opção preferencial de gestão até julho.
- Retomada das negociações: 2 de março de 2026
- Pausa anterior nas conversas: duas semanas
- Liberação proposta a partir de Flaming Gorge: 500 mil acre-feet
- Corte de uso na parte baixa da bacia: 1,25 milhão de acre-feet
- Água prevista para chegar ao Lago Powell até julho: 2,3 milhões de acre-feet
Assim, as negociações seguem sob pressão crescente de prazos institucionais e de um cenário hidrológico cada vez mais desfavorável. O foco imediato está em medidas emergenciais, mas o impasse mais amplo sobre como distribuir e conservar a água do Rio Colorado continua sem solução definitiva.
