A Prefeitura do Rio de Janeiro oficializou nesta quinta-feira (2 de abril) o lançamento da plataforma Rio 3 Open, uma família composta por seis Grandes Modelos de Linguagem (LLMs). O projeto, desenvolvido pela IplanRio (empresa municipal de tecnologia), custou R$ 500 mil aos cofres públicos e foi arquitetado a partir do código base do sistema chinês Qwen. Com a modificação da estrutura original, o governo municipal afirma ter alcançado custos operacionais até 30 vezes menores em comparação com inteligências artificiais comerciais de prateleira.
De acordo com informações do Mobile Time, o anúncio ocorreu simultaneamente à apresentação das empresas selecionadas para o III Ciclo do Sandbox.Rio. O desenvolvimento da tecnologia municipal buscou inspiração na trajetória de criação da ferramenta DeepSeek, focando em eficiência e arquitetura de dados otimizada para driblar as limitações financeiras. A iniciativa estabelece um marco para a administração pública no Brasil, demonstrando como outros governos estaduais e prefeituras do país podem adotar soluções de código aberto para inovar sem depender exclusivamente de contratos dispendiosos com grandes corporações de tecnologia.
Como o modelo da IplanRio reduziu os custos de desenvolvimento?
Em vez de criar um sistema do zero, os desenvolvedores focaram em adaptar uma base computacional já existente no mercado de código aberto. O diretor-presidente da IplanRio, João Cabaretta, explicou que a equipe alterou de maneira profunda a arquitetura do Qwen para extrair um desempenho superior sem a necessidade de gastar quantias exorbitantes com processamento bruto.
Antes, os desenvolvimentos das IAs se baseavam simplesmente em adicionar computação (como as GPUs) e o modelo melhorava. Só que a gente começou a bater num platô e as pessoas voltaram a pensar para elaborar novas alternativas, novas ideias de como arquitetar. O que fizemos foi pegar o modelo Qwen, já pronto, e a partir dele modificamos o modelo. Atualmente, o modelo não tem nada a ver com o Qwen original, mas usamos a estrutura e o treinamento.
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Quais inovações tecnológicas o Rio 3 Open apresenta?
O cientista-chefe da iniciativa, Rafael Coelho, detalhou durante a apresentação oficial que os especialistas elaboraram propostas arquitetônicas diferentes para garantir o funcionamento do sistema em alto nível. A principal mudança estrutural está na adoção dos chamados “modelos de conceitos”. Na prática, essa configuração permite que a inteligência artificial processe as informações diretamente em ambientes conceituais, englobando elementos como áudio, imagens e vídeos, em vez de se restringir à leitura de palavras isoladas.
Esse formato computacional fez com que o Rio 3 operasse de forma cerca de oito vezes mais rápida do que as plataformas convencionais de tamanho equivalente. Além do ganho de velocidade, os programadores conseguiram expandir a janela de contexto para absorver até um bilhão de tokens, o que garante uma capacidade de memória substancialmente superior à média dos outros grandes modelos de linguagem do setor.
De que forma a inteligência artificial será utilizada na cidade?
O foco central da implementação é melhorar a eficiência da máquina pública municipal e agilizar as soluções para os cidadãos cariocas. Atualmente, a administração municipal já aplica a tecnologia no monitoramento de câmeras de segurança, visando a identificação rápida de atividades suspeitas nas vias da capital fluminense.
A ferramenta também é utilizada para automatizar a leitura de extensos documentos exigidos em processos de prestação de contas governamentais. Na área de comunicação e atendimento direto ao público, o algoritmo gera imagens e vídeos de caráter institucional, além de atuar no esclarecimento de dúvidas frequentes da população.
Hoje, o Rio 3 é tão bom quanto os principais modelos do mercado e é mais barato. Estamos fazendo algumas aplicações para a prefeitura e ele chegou a ser até 30 vezes mais barato do que um modelo como o Gemini, ChatGPT etc. E, além disso, ele é o começo de um modelo de mundo porque esse modelo não pensa em palavras, mas em conceitos, que depois, se traslada para imagens, palavras, vídeos. É o que a academia está tentando fazer no momento e que a gente está sendo orientado para isso. É o primeiro lançamento e um convite para dar o pontapé inicial para a construção desse foguete.
Quais são as seis versões do LLM municipal?
Para abranger as diferentes necessidades computacionais das secretarias, a plataforma foi fragmentada em seis versões distintas em formato open source. Cada variante atende a um nível específico de complexidade:
- Rio 3.0 Open: A versão principal e mais potente, com 235 bilhões de parâmetros, desenhada para competir de forma equivalente com os melhores modelos abertos disponíveis mundialmente.
- Rio 3.0 Open Mini: Construído com 44 bilhões de parâmetros, possui tamanho compacto e é focado no desenvolvimento para telefones celulares, alcançando performance matemática igual à de modelos dez vezes maiores.
- Rio 3.0 Open Nano: A opção mais leve e acessível do pacote, com capacidade para processar e responder a dez mil perguntas ao custo operacional de apenas R$ 1.
- Rio 3.0 Search: Um algoritmo desenhado exclusivamente para varrer e pesquisar informações na internet.
- Rio 2.5 Open: Uma variante voltada para aplicações criativas e estruturada para rodar localmente nos computadores da prefeitura.
- Rio 2.5 Open VL: Modelo dedicado à visão computacional, com aptidão para gerar vídeos, realizar reconhecimento ótico de caracteres (OCR), question answering (QA) e aterramento (grounding).

