Rinocerontes voltam à natureza em Uganda após extinção local por caça ilegal - Brasileira.News
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Rinocerontes voltam à natureza em Uganda após extinção local por caça ilegal

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Detailed shot of a rhinoceros walking in a zoo enclosure, showcasing its rough skin and massive horn.
Detailed shot of a rhinoceros walking in a zoo enclosure, showcasing its rough skin and massive horn. Foto: Adam York — Pexels License (livre para uso)

Quatro rinocerontes-brancos-do-sul foram transferidos para o Parque Nacional Kidepo Valley, no norte de Uganda, em um processo de reintrodução da espécie na natureza décadas após o desaparecimento dos rinocerontes selvagens no país. A medida foi anunciada pela Autoridade de Vida Selvagem de Uganda e integra uma estratégia nacional de conservação, com previsão de envio de oito animais ao parque até maio de 2026. De acordo com informações da Mongabay Global, a ação busca restaurar o ecossistema local e ampliar as bases de conservação da espécie. Para o leitor brasileiro, a iniciativa se insere em um debate global sobre reintrodução de grandes mamíferos e combate à caça ilegal, tema que também mobiliza políticas de conservação em países megadiversos como o Brasil.

Os animais foram levados do Ziwa Rhino Sanctuary, santuário criado em 2005 com foco na reprodução e futura reintrodução de rinocerontes em áreas protegidas do país. Segundo a Autoridade de Vida Selvagem de Uganda, a iniciativa ocorre 43 anos após a morte do último rinoceronte selvagem do país, registrada em 1983. Antes disso, Uganda abrigava cerca de 300 rinocerontes-brancos-do-norte e 400 rinocerontes-negros-orientais, populações devastadas pela caça ilegal em meio à guerra civil iniciada no fim da década de 1970.

Por que os rinocerontes desapareceram de Uganda?

O desaparecimento dos rinocerontes em Uganda ocorreu após anos de pressão da caça ilegal, intensificada durante o período de instabilidade política e conflito civil. O texto informa que o último rinoceronte selvagem do país foi morto em 1983, encerrando a presença livre desses animais no território ugandense.

Ao comentar a reintrodução, o diretor-executivo da Autoridade de Vida Selvagem de Uganda, James Musinguzi, destacou que os animais levados agora pertencem a uma subespécie diferente da que existia originalmente no país, já que o rinoceronte-branco-do-norte foi caçado até a extinção local.

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“Estamos felizes e honrados por levar os rinocerontes de volta, ainda que se trate de uma subespécie diferente da que existia ali, porque o rinoceronte-branco-do-norte era o que vivia na região, mas foi caçado até a extinção local.”

Como funciona o programa de reintrodução?

O programa começou com a criação do Ziwa Rhino Sanctuary em 2005. No ano seguinte, seis rinocerontes-brancos-do-sul foram introduzidos no local, sendo quatro vindos do Quênia e dois de um santuário nos Estados Unidos. De acordo com o site do santuário citado pela reportagem original, o grupo cresceu para 42 animais até 2023.

Bashir Hangi, chefe de comunicação da autoridade ugandense, afirmou à Mongabay que quatro rinocerontes já foram transferidos de Ziwa para Kidepo, e outros quatro devem seguir para o parque até maio de 2026. A reportagem também informa que, em janeiro de 2026, quatro rinocerontes-brancos-do-sul do mesmo santuário foram levados para a Reserva de Vida Selvagem de Ajai, na região de West Nile.

  • Quatro rinocerontes já foram levados ao Parque Nacional Kidepo Valley
  • Outros quatro devem ser soltos até maio de 2026
  • Quatro animais também foram transferidos para a Reserva de Ajai em janeiro de 2026

Quais são os objetivos e os desafios da medida?

Segundo a autoridade de vida selvagem, a decisão de estabelecer populações de rinocerontes nessas áreas protegidas está prevista na Estratégia Nacional de Conservação de Rinocerontes de Uganda e foi precedida por um estudo de viabilidade. O objetivo é formar, ao longo do tempo, uma população viável de rinocerontes em vida livre no Parque Nacional Kidepo Valley.

As autoridades avaliam que a presença dos animais pode fortalecer a integridade ecológica da área e contribuir para metas nacionais de conservação. Hangi também afirmou à Mongabay que, além de ampliar um refúgio de conservação para a espécie, os rinocerontes podem impulsionar a economia local por meio do turismo e de oportunidades relacionadas à conservação. Em escala internacional, projetos desse tipo são acompanhados por organizações e governos porque a recuperação de grandes mamíferos é vista como indicador da capacidade de proteção de habitats e de fiscalização contra o tráfico de fauna.

Robert Aruho, veterinário que liderou o programa de conservação de rinocerontes da autoridade entre 2013 e 2020, concordou que a presença dos animais pode atrair visitantes e reforçar o valor de conservação do parque. Ele ressaltou ainda a função ecológica dos rinocerontes-brancos como pastadores, capazes de ajudar no controle das pastagens.

“Ecologicamente, os rinocerontes-brancos são animais pastadores, e seu grande consumo de alimento ajuda a manter as áreas de gramínea sob controle.”

Aruho também apontou obstáculos para a iniciativa, como o monitoramento da saúde dos animais, o risco de conflitos entre fauna e comunidades vizinhas e o alto custo da proteção contra caçadores ilegais. Ainda assim, ele avaliou que a conservação de rinocerontes eleva o nível de gestão das áreas protegidas e pode favorecer a proteção de outras espécies.

“A translocação ajuda a não concentrar todos os ovos na mesma cesta e cria oportunidades para mitigar todos os riscos citados.”

Hangi afirmou que a operação foi preparada com planejamento detalhado, incluindo manejo do habitat, reforço de segurança, protocolos veterinários e trabalho com comunidades locais.

“Este foi um programa deliberadamente planejado, com preparação extensa, incluindo manejo do habitat, reforço da segurança, protocolos veterinários e engajamento das comunidades.”

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