Reunião do IPCC termina em impasse sobre cronograma do novo relatório AR7 - Brasileira.News
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Reunião do IPCC termina em impasse sobre cronograma do novo relatório AR7

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Na última semana de março de 2026, cerca de 330 delegados representando mais de 100 países se reuniram em Bangcoc, na Tailândia, para a 64ª sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O encontro terminou sem acordo entre as nações sobre o cronograma de publicação do sétimo ciclo de avaliação, conhecido como AR7. De acordo com informações do Carbon Brief, os governos mantiveram suas posições irredutíveis em meio a um cenário de choque energético global desencadeado pela guerra no Oriente Médio, decorridos mais de dois anos e meio desde o início do ciclo atual do painel científico da Organização das Nações Unidas.

A principal divergência que causou o bloqueio das negociações envolve o chamado “balanço global” da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Durante cinco reuniões consecutivas, as autoridades não conseguiram decidir se os novos relatórios devem ser finalizados antes ou depois desse processo de avaliação internacional de progresso climático, que está programado para culminar no ano de 2028, durante a conferência COP33. Para o Brasil, que assumiu forte protagonismo ambiental ao sediar a COP30 em Belém no ano de 2025, o atraso na publicação dos dados do IPCC pode dificultar o embasamento científico necessário para a formulação e atualização de suas próprias metas climáticas (NDCs).

Por que a definição do cronograma do relatório gerou impasse?

O presidente do IPCC, Jim Skea, descreveu o resultado do encontro na capital tailandesa de forma severa. Em suas declarações, ele destacou que a sessão entregou resultados mínimos e que as resoluções tomadas serviram mais para empurrar os problemas burocráticos para o futuro do que para solucioná-los. “Fizemos algumas decisões formais por consenso, mas eu diria que elas foram mais para adiar a tomada de decisões do que para tomar decisões”, afirmou o cientista, classificando a reunião de forma geral como frustrante e decepcionante.

O sétimo ciclo de avaliação do painel climático é uma estrutura complexa que engloba diferentes áreas de estudo sobre a Terra. O trabalho já está em andamento para a elaboração dos principais documentos base, mas a falta de consenso sobre as datas de entrega finais continua a travar o progresso diplomático internacional. Antes do evento presencial na Tailândia, as negociações governamentais já haviam fracassado nas cidades de Lima, Hangzhou, Sofia e Istambul.

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O que compõe o novo ciclo de estudos climáticos da ONU?

Como é o padrão histórico nos ciclos de avaliação do órgão científico, o AR7 será dividido em três relatórios principais gerados por grupos de trabalho, além de estudos adicionais de grande porte. A estrutura completa das publicações planejadas inclui os seguintes pontos:

  • Um relatório sobre a base científica física das mudanças climáticas;
  • Um relatório focado diretamente em impactos e adaptação ambiental;
  • Um relatório dedicado exclusivamente à mitigação de danos;
  • Um documento de síntese que resumirá os três textos principais;
  • Um relatório especial voltado para cidades e mudanças climáticas globais;
  • Relatórios metodológicos sobre tecnologias de remoção de dióxido de carbono e inventários para emissores climáticos de vida curta.

A controvérsia sobre as datas de publicação dividiu os países participantes em dois blocos. Uma coalizão formada por nações em desenvolvimento e países desenvolvidos apoia abertamente a proposta dos copresidentes do painel para que os três textos principais sejam publicados em 2028. Isso permitiria que as descobertas científicas recentes alimentassem o segundo balanço global, um mecanismo de revisão quinquenal projetado para fundamentar as metas climáticas nacionais exigidas pelo Acordo de Paris.

Quais países se opõem à publicação dos documentos em 2028?

Por outro lado, um grupo distinto de nações argumenta a favor de um cronograma mais longo. Segundo relatos obtidos durante as plenárias em Bangcoc, a justificativa oficial apresentada é que os países em desenvolvimento necessitam de mais tempo de análise para revisar e aprovar adequadamente os extensos relatórios. Este bloco que resiste ao prazo estrito de 2028 inclui os seguintes governos:

  • China;
  • Índia;
  • Quênia;
  • Rússia;
  • Arábia Saudita.

Se essa segunda proposta for adotada pelo plenário no futuro, alguns dos relatórios dos grupos de trabalho só seriam divulgados após a conclusão do segundo balanço global da ONU. Na prática, isso reduziria potencialmente o impacto dos dados científicos mais atualizados sobre as políticas públicas que os países devem estabelecer para o final da atual década.

O cientista sênior e presidente da Climate Analytics, Bill Hare, ressaltou que a maior parte da comunidade internacional prefere o alinhamento de datas para acelerar ações. “A maioria dos países, em todas as geografias e níveis de desenvolvimento, incluindo os países menos desenvolvidos e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, apoia fortemente a sincronização entre os relatórios do AR7 e o balanço global”, apontou o especialista. A relevância política da questão também foi enfatizada pelo secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, que discursou durante a sessão de abertura oficial do evento com os 194 países membros do tratado.

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