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Restrições ao uso de água avançam no Oeste dos EUA após pouca neve e calor precoce

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Comunidades, empresas e autoridades do Oeste dos Estados Unidos adotaram restrições ao uso de água após um inverno com neve muito abaixo do normal e uma onda de calor precoce que acelerou o derretimento do pouco acúmulo restante. As medidas, relatadas em 31 de março de 2026, afetam desde irrigação de jardins até o funcionamento de restaurantes e estações de esqui, em um cenário de seca persistente e temor de piora no abastecimento e no risco de incêndios. De acordo com informações da Inside Climate News, a combinação entre seca de neve, calor extremo e falta de umidade elevou a pressão sobre recursos hídricos já disputados na região. Para o leitor brasileiro, o tema ajuda a ilustrar como eventos extremos ligados ao clima afetam o abastecimento, a produção e o risco de incêndios em diferentes partes do mundo.

Autoridades já vinham alertando no início de março para os efeitos de um inverno com cobertura de neve historicamente baixa, crucial para o abastecimento porque derrete gradualmente ao longo da primavera e do verão. Em seguida, uma massa de alta pressão levou calor antecipado a vários estados, derrubando recordes de temperatura e acelerando o desaparecimento da neve remanescente. Especialistas ouvidos no texto afirmam que isso amplia o risco de evaporação ou escoamento precoce da água, reduzindo sua utilidade nos meses mais secos.

Quais restrições já estão sendo adotadas em cidades do Oeste americano?

Em Denver, no estado do Colorado, o conselho de comissários de água anunciou na semana anterior uma série de limites com meta de reduzir o consumo em 20%. Donos de restaurantes foram orientados a servir água apenas quando o cliente pedir. Já os usuários da Denver Water, empresa pública de abastecimento da cidade, devem restringir a irrigação de gramados a no máximo dois dias por semana, com possibilidade de novos cortes a depender das previsões.

O porta-voz da concessionária, Todd Hartman, afirmou à NBC News que a situação é séria, embora os reservatórios da cidade estejam em cerca de 80% da capacidade. Segundo ele, o problema é a menor possibilidade de reposição por neve, que normalmente ajuda a recompor os níveis ao longo da estação quente.

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“A situação é bastante séria.”

“Estamos em uma situação tão grave que poderemos voltar ao público em dois ou três meses e dizer que vocês estarão limitados a um dia por semana.”

Na cidade de Erie, no norte do Colorado, moradores e empresas foram informados ainda no começo de março para interromper toda a irrigação até o início de abril, com meta de reduzir o consumo em mais de 45%. As autoridades locais também ameaçaram cortar totalmente o fornecimento de água para infratores, segundo o relato original.

  • Denver: meta de corte de 20% no consumo
  • Restaurantes: água somente sob pedido do cliente
  • Irrigação de gramados: limite de dois dias por semana para clientes da Denver Water
  • Erie: suspensão total da irrigação até o início de abril
  • Erie: meta de redução superior a 45%

Como a falta de neve e o calor afetam lazer, incêndios e abastecimento?

Os efeitos já aparecem também no setor de recreação. De acordo com uma análise da Reuters citada pela reportagem, mais da metade dos 120 resorts de esqui do Oeste dos Estados Unidos fechou, vai fechar mais cedo ou sequer abriu nesta temporada. Em Wyoming, um dos locais que permaneceram em atividade registrou derretimento acentuado da neve na pista.

“Parecia uma piscina. Deveríamos estar procurando boias, não passes para o teleférico; estava muito quente.”

A reportagem também destaca o aumento das restrições ligadas ao risco de incêndio florestal. Com calor e ar seco, especialistas avaliam que a temporada de fogo pode se intensificar. O climatologista John Abatzoglou disse à CBC que tudo está se alinhando para uma temporada de incêndios potencialmente severa no Oeste. O texto explica que gramíneas expostas mais cedo ao sol, ao vento e ao ar seco passam a queimar antes do usual, enquanto solos ressecados pela seca podem não se recuperar nem mesmo com chuvas fortes de primavera.

Além disso, materiais vegetais mais pesados, como árvores e outros combustíveis lenhosos, podem estar mais secos do que o normal para esta época do ano. O artigo menciona ainda que temperaturas elevadas durante o inverno e o início da primavera, baixa umidade relativa do ar e ventos fortes e frequentes aumentaram os chamados dias de alerta máximo para incêndios em várias áreas das Montanhas Rochosas. Em um contexto mais amplo, episódios assim são acompanhados internacionalmente porque alterações no regime de neve, chuva e temperatura têm impactos sobre segurança hídrica, energia, agricultura e prevenção de desastres.

Por que a neve é tão importante para a segurança hídrica da região?

Embora tempestades no começo do inverno tenham ajudado a manter níveis de precipitação próximos da média em parte do Oeste, a chuva não oferece o mesmo suporte de longo prazo que a neve. A cientista climática Casey Olson, do Utah Climate Center, disse à ABC News que um galão de chuva de inverno que escoa rapidamente não é tão útil em julho quanto um galão de neve acumulada que derrete em abril ou maio. Em alguns estados, como Colorado e Utah, até 75% do abastecimento de água em certos anos vem justamente do degelo.

Segundo a reportagem, um volume crescente de pesquisas aponta que as mudanças climáticas estão tornando as secas de neve mais frequentes. O texto também cita um estudo publicado naquela semana segundo o qual o período de 2021 a 2023 registrou algumas das condições de seca mais amplas e severas em mais de um século no mundo.

Esse quadro afeta diretamente o Rio Colorado, do qual dependem cerca de 40 milhões de pessoas. O rio é uma das principais fontes de água do Oeste americano e abastece áreas de sete estados dos EUA, além de partes do México. Representantes dos sete estados que compartilham a bacia se reuniram várias vezes nos últimos dois anos para discutir a divisão de recursos cada vez mais escassos, mas as divergências sobre a distribuição da água têm travado o processo, mesmo com a intervenção do governo federal.

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