A restauração florestal na Amazônia é um tema central discutido na plenária da rede Uma Concertação pela Amazônia, realizada em 9 de março de 2026. O evento, que reuniu mais de 150 participantes online, faz parte da Rota 26-30, uma iniciativa que busca orientar políticas públicas e privadas nos próximos anos. De acordo com informações do Página 22, cinco temas foram definidos como prioritários: florestas, segurança energética, cidades resilientes, comida e biodiversidade.
Quais são os desafios enfrentados na restauração florestal?
A restauração florestal é vista como essencial para recuperar áreas degradadas e restabelecer funções ecológicas. O cofundador do Imazon, Beto Veríssimo, destacou que, apesar dos avanços na redução do desmatamento, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para estruturar uma economia que valorize a floresta viva. Ele afirmou que “o País se sai melhor ‘na defesa’ do que ‘no ataque'”, referindo-se à eficácia das ações de fiscalização em comparação com a recuperação de áreas desmatadas.
Como as concessões florestais contribuem para a conservação?
Renato Rosenberg, diretor de Concessão Florestal e Monitoramento do Serviço Florestal Brasileiro, explicou que as concessões florestais, criadas em 2006, visam conciliar exploração econômica e conservação. Apesar das dificuldades, ele acredita que essa política tem potencial para se tornar um dos principais instrumentos de conservação na Amazônia. Rosenberg anunciou a primeira concessão voltada à restauração de áreas degradadas, onde empresas privadas poderão recuperar vegetação e obter retorno financeiro através da venda de créditos de carbono.
Qual é o papel das comunidades locais na proteção florestal?
Adnan Demachki, ex-prefeito de Paragominas, destacou a importância da governança territorial e da validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para ampliar a proteção florestal. Em Paragominas, iniciativas como o Projeto Município Verde e a criação de um mercado local de compensação ambiental têm promovido a conservação e a recuperação de áreas degradadas.
Como as comunidades indígenas estão se adaptando às mudanças climáticas?
Sinéia do Vale, liderança do povo Wapixana, enfatizou a necessidade de incluir povos indígenas nas políticas públicas e nos mecanismos de financiamento climático. Ela destacou que as comunidades têm desenvolvido seus próprios planos de adaptação climática, combinando conhecimento tradicional com evidências científicas, mas ressaltou a importância de garantir que os recursos climáticos cheguem efetivamente às comunidades.
“É como em um concerto. Vários instrumentos precisam tocar juntos para que possamos construir soluções.” – Sinéia do Vale


