O Partido Liberal (PL), legenda que utiliza o número 22 na urna eletrônica, definiu que Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizará o cobiçado número 2222 em sua pré-candidatura a deputado federal por São Paulo nas eleições para a Câmara dos Deputados, gerando um clima de insatisfação entre outros políticos da sigla. A escolha da cúpula tem como objetivo transformar o candidato em um “puxador de votos” no estado, visando ajudar a eleger outros parlamentares da chapa pelo sistema proporcional.
De acordo com informações do UOL Notícias, a definição da numeração ocorreu em 2025, tendo sido comunicada oficialmente por Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla partidária. A distribuição desse registro específico, no entanto, continua repercutindo negativamente nos bastidores políticos devido à intensa disputa interna pela numeração.
Por que o número 2222 é tão disputado no PL?
A numeração eleitoral carrega um peso estratégico considerável nas campanhas proporcionais. No jargão político, a combinação de quatro dígitos idênticos, formando uma dobradinha direta com o número da candidatura à Presidência da República do partido, é tratada como o “filé mignon” da disputa eleitoral, pois facilita imensamente a memorização por parte do eleitorado no momento da urna.
Historicamente, essa numeração específica pertencia a Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente e atual deputado federal, nas eleições anteriores. Com a vacância do número, diversos pré-candidatos do partido iniciaram uma intensa briga nos bastidores para herdar o registro. A destinação do número para o irmão do ex-presidente contrariou as expectativas de políticos que já possuíam trajetória consolidada dentro da sigla e que almejavam a facilidade numérica para impulsionar suas próprias campanhas à câmara baixa do Congresso Nacional.
Qual é o histórico eleitoral de Renato Bolsonaro?
O principal argumento dos membros do partido que criticam a decisão centraliza-se na falta de expressividade política do escolhido. Nos corredores da agremiação, figuras de peso reclamam que o pré-candidato recebe privilégios imediatos, utilizando a expressão de que ele já chega como o preferido e “senta na janela”, sem ter percorrido o caminho tradicional de construção partidária para merecer tal destaque.
O histórico do pré-candidato nas urnas fundamenta as ressalvas e a ciumeira interna. O político carrega a pecha de ser “ruim de voto” entre seus pares. Para entender o desempenho eleitoral passado que motiva as críticas, destacam-se os seguintes pontos de sua trajetória:
- Concorreu a cargos públicos eletivos em oito ocasiões diferentes ao longo de sua vida.
- Obteve êxito nas urnas em apenas um desses pleitos eleitorais.
- Sua única vitória ocorreu no ano de 1996, quando foi eleito vereador pelo município de Praia Grande, no litoral do estado de São Paulo.
- Atualmente, o político também é apontado como pré-candidato à Prefeitura de Registro, no interior paulista.
- Atua nos bastidores como um intermediador informal de verbas federais.
Como a escolha afeta a dinâmica do Partido Liberal?
A decisão da cúpula partidária em priorizar um nome com baixo histórico de vitórias nas urnas para uma posição de destaque expõe as tensões entre o capital político herdado pelo sobrenome e a militância de base. A estratégia de colocar um membro da família Bolsonaro como puxador de votos visa capitalizar o engajamento do eleitorado conservador, independentemente da trajetória individual do pré-candidato escolhido.
A insatisfação relatada por integrantes do partido evidencia os desafios de gestão interna enfrentados por Valdemar Costa Neto. Enquanto veteranos da sigla sentem-se desprestigiados na divisão dos melhores recursos de campanha, a direção aposta que a associação direta com o ex-presidente será suficiente para garantir uma votação expressiva, capaz de eleger não apenas o titular da vaga, mas também de ajudar a legenda no cálculo do quociente eleitoral paulista (sistema matemático que define a quantidade de cadeiras de cada partido no Legislativo).



