Google, Meta e McKinsey firmaram novos acordos de compra futura de remoção de carbono com a Living Carbon, envolvendo 131.240 toneladas de dióxido de carbono ao longo de dez anos em projetos de reflorestamento nos Estados Unidos, na região dos Apalaches. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 31 de março de 2026, e integra a estratégia da coalizão Symbiosis para ampliar a demanda por créditos de remoção de carbono ligados à restauração ambiental. De acordo com informações da ESG Today, os contratos estão ligados a áreas degradadas nos EUA e têm como objetivo apoiar projetos de restauração baseados em critérios técnicos e científicos.
Embora os projetos anunciados estejam nos Estados Unidos, o movimento é acompanhado de perto no Brasil porque o país também participa do mercado de créditos de carbono e tem grande presença em debates sobre reflorestamento, restauração florestal e soluções climáticas baseadas na natureza.
Os acordos foram realizados por meio da Symbiosis Coalition, uma colaboração de compromisso antecipado de mercado lançada em 2024 por Google, Meta, Microsoft e Salesforce. O grupo assumiu o compromisso coletivo de contratar até 20 milhões de toneladas de créditos de remoção de carbono até 2030, com a proposta de estimular o desenvolvimento de projetos de restauração de maior impacto e alinhados a metas climáticas globais.
O que preveem os acordos anunciados?
Segundo a Living Carbon, os contratos abrangem 131.240 toneladas de remoção de dióxido de carbono em um período de dez anos. O volume será obtido a partir de projetos de reflorestamento em larga escala em áreas degradadas da região dos Apalaches, nos Estados Unidos. A transação é o segundo projeto anunciado sob a primeira chamada conjunta de propostas da Symbiosis, voltada a iniciativas de reflorestamento e agrofloresta.
De acordo com as empresas envolvidas, essa primeira rodada de propostas da coalizão é voltada a projetos com potencial de entregar mais de 500.000 toneladas de remoção de carbono em dez anos. A seleção inclui diligência de campo, análise geoespacial, revisão técnica por terceiros e avaliação abrangente de riscos.
Quem é a Living Carbon e como atua?
Fundada em 2019 e sediada na Califórnia, a Living Carbon afirma atuar na conversão de terras marginais em ativos ambientais por meio de reflorestamento adaptado a cada local. A empresa concentra suas operações na restauração de minas abandonadas, terras agrícolas degradadas e solos improdutivos.
Além da remoção de carbono e da geração de receita com créditos, a companhia diz que seus projetos podem produzir benefícios adicionais, como melhoria da saúde do solo e da água, reforço da biodiversidade e oportunidades de desenvolvimento econômico para comunidades rurais.
“Temos orgulho de fazer parceria com a Symbiosis Coalition, juntamente com seus membros Google, McKinsey e Meta, para acelerar a remoção de carbono de longo prazo. Acordos plurianuais como este oferecem a confiança necessária para investir e ampliar remoções duráveis e de alta qualidade. É para isso que a Living Carbon existe: trabalhamos intencionalmente para transformar, nos EUA, áreas pós-mineração e terras degradadas de passivos ambientais em sumidouros de carbono produtivos, que não apenas removem emissões, mas também geram co-benefícios ambientais e sociais significativos e mensuráveis.”
Quais critérios foram usados na seleção dos projetos?
Segundo as empresas, os projetos escolhidos pela Symbiosis passam por uma avaliação extensa. A seleção é guiada por cinco pilares principais de qualidade:
- contabilização conservadora;
- durabilidade;
- benefícios sociais e comunitários;
- integridade ecológica;
- transparência.
As companhias afirmam que, além da remoção de carbono, o projeto deve gerar benefícios ambientais complementares. Entre eles estão a melhoria da saúde do solo e da água, o aumento da biodiversidade e a reintrodução de espécies nativas de árvores para restaurar habitats de plantas e animais locais. No Brasil, critérios como integridade ecológica, rastreabilidade e benefícios socioambientais também são centrais nas discussões sobre a credibilidade de créditos ligados à restauração e à conservação.
Qual é a expectativa para as comunidades locais?
De acordo com a Symbiosis Coalition, a iniciativa também busca apoiar novas oportunidades de desenvolvimento econômico nas comunidades da região dos Apalaches. A proposta é combinar restauração ambiental com impactos sociais e produtivos em áreas degradadas.
“Nosso apoio à Living Carbon reflete nossa convicção de que a remoção de carbono baseada na natureza exige tanto ciência robusta quanto execução consistente. O projeto se destaca pelo rigor e por sua abordagem cuidadosa e escalável, moldada às necessidades das comunidades locais, dos ecossistemas e das economias dos Apalaches.”
A diretora-executiva da Symbiosis Coalition, Julia Strong, afirmou que o apoio à Living Carbon reflete a avaliação de que a remoção de carbono baseada na natureza exige base científica e capacidade de execução. Segundo ela, o projeto se destacou pelo rigor e por uma abordagem considerada escalável e alinhada às necessidades de comunidades, ecossistemas e economias locais nos Apalaches.

