As principais operadoras de telecomunicações do Reino Unido, como a Vodafone, a Three e a Virgin Media O2, firmaram contratos recentes que consolidam o mercado de infraestrutura 5G sob o domínio das gigantes nórdicas Ericsson e Nokia. O movimento marca um distanciamento prático das metas governamentais de diversificação de fornecedores por meio da tecnologia Open RAN, iniciadas após a exclusão da chinesa Huawei das redes nacionais por motivos de segurança.
De acordo com informações do Light Reading, a promessa de uma rede aberta e interoperável, que permitiria a entrada de novos competidores no ecossistema, perdeu força diante da necessidade de implementações rápidas e estáveis. O cenário atual aponta para uma manutenção do status quo tecnológico, onde as operadoras preferem a segurança de sistemas integrados fornecidos pelas empresas da Suécia e da Finlândia.
Recent contracts awarded by VodafoneThree and VMO2 have ensured the UK will remain a Nordic duopoly for years.
O que motivou a mudança de estratégia no Reino Unido?
A transição para o Open RAN (Open Radio Access Network) era vista como uma solução estratégica para evitar que o país ficasse refém de apenas dois fornecedores após o banimento da Huawei. No entanto, a complexidade técnica de integrar componentes de diferentes fabricantes em uma única rede provou ser um desafio maior do que o esperado. As operadoras britânicas enfrentam uma pressão intensa para expandir a cobertura 5G e garantir a qualidade do serviço, o que as levou de volta aos pacotes fechados e comprovados da Ericsson e da Nokia.
Além dos desafios técnicos, a viabilidade econômica pesou na decisão. Implementar soluções de múltiplos fornecedores exige um esforço de engenharia e suporte que muitas vezes supera os custos de um contrato tradicional. Com a fusão pendente entre Vodafone e Three, a prioridade das empresas é a racionalização de custos e a simplificação da arquitetura de rede, algo que o duopólio nórdico oferece com maior facilidade imediata.
Qual o papel das gigantes Ericsson e Nokia neste cenário?
As duas empresas souberam adaptar seus portfólios para absorver a demanda que, em teoria, deveria ser direcionada a novos entrantes. Embora ambas afirmem apoiar os princípios do Open RAN, elas fornecem soluções que são tecnicamente compatíveis, mas comercialmente mais atraentes quando adquiridas de forma integral. A Virgin Media O2 (VMO2), por exemplo, renovou recentemente sua parceria de longo prazo com a Ericsson, garantindo a modernização de milhares de sites com tecnologia sueca.
Este movimento das operadoras no Reino Unido reflete uma tendência global observada em outros mercados maduros. A busca por eficiência operacional e a necessidade de atingir metas de cobertura populacional em prazos curtos favorecem empresas que possuem escala global e capacidade de entrega de ponta a ponta. No momento, os principais pilares da infraestrutura britânica são:
- Modernização de núcleos de rede com tecnologia nórdica;
- Substituição acelerada de equipamentos remanescentes da Huawei;
- Foco em contratos de longo prazo para estabilidade de fornecimento;
- Integração de hardware e software sob um único ecossistema proprietário.
Como fica a meta de diversificação de rede do governo?
O governo do Reino Unido havia estabelecido o objetivo ambicioso de ter 25% do tráfego de rede móvel passando por tecnologias Open RAN até o ano de 2030. Contudo, com os novos contratos bilionários sendo direcionados para o modelo tradicional, essa meta parece cada vez mais distante. A falta de novos competidores de peso, como a Samsung ou a Mavenir, ocupando espaços significativos nas redes principais, sugere que o país continuará dependente das soluções europeias tradicionais por pelo menos mais uma década.
Especialistas do setor indicam que, embora o Open RAN não tenha morrido, ele está evoluindo para um formato onde as próprias Ericsson e Nokia atuam como integradoras. Isso significa que a abertura da rede pode acontecer de forma interna aos sistemas dessas empresas, mantendo a hegemonia comercial, mas permitindo alguma flexibilidade técnica futura. Por enquanto, o mercado britânico optou pela conveniência da estabilidade em detrimento da diversidade teórica de fornecedores.