O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, conhecido pela sigla Defra, divulgou recentemente os resultados de uma consulta realizada junto ao setor privado sobre as políticas nacionais voltadas para a natureza. O levantamento busca alinhar as expectativas de investidores e empresas com as metas governamentais de proteção ambiental e restauração da biodiversidade, refletindo a crescente pressão por transparência em finanças sustentáveis.
De acordo com informações do Responsible Investor, este conjunto de atualizações faz parte de um movimento global para estabelecer padrões mais rígidos no âmbito ESG. Além do feedback governamental, o mercado financeiro observa a movimentação da gestora Legal & General (L&G), que defende a criação de um tratado internacional robusto durante a COP17 de biodiversidade, previsto para ser sediado na Armênia.
Qual é a importância do feedback do setor privado para o Defra?
A revelação das percepções corporativas pelo Defra é crucial para entender como as empresas no Reino Unido pretendem integrar riscos naturais em seus modelos de negócios. O setor privado tem solicitado maior clareza regulatória para que os investimentos em capital natural sejam escaláveis e seguros do ponto de vista jurídico. Sem diretrizes governamentais sólidas, o fluxo de capital para projetos de conservação tende a ser limitado pela incerteza sobre métricas e resultados.
Os pontos levantados pelas instituições financeiras sugerem que há um desejo por incentivos que recompensem práticas regenerativas. As respostas coletadas pelo órgão britânico servirão de base para o refinamento de políticas que impactam desde a agricultura até o desenvolvimento urbano sustentável, garantindo que o país avance em direção às suas metas de neutralidade de carbono e recuperação biológica nas próximas décadas.
O que propõe a Legal & General para a COP17 de biodiversidade?
Paralelamente às consultas no Reino Unido, a gigante financeira Legal & General está liderando um apelo internacional por um novo marco regulatório global. A proposta, batizada de Acordo de Yerevan, visa estabelecer metas claras e juridicamente vinculantes para a preservação da fauna e flora mundiais. A ideia é replicar o modelo do Acordo de Paris, mas com foco exclusivo na crise de perda de biodiversidade que ameaça cadeias de suprimentos globais.
A escolha de Yerevan como símbolo para este possível acordo remete à futura sede da décima sétima Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Para a L&G, a clareza institucional em nível global é a única forma de mobilizar os trilhões de reais necessários para reverter o colapso dos ecossistemas. A instituição acredita que o setor financeiro precisa de um sinal político forte para precificar corretamente os riscos relacionados à natureza em suas carteiras de investimento.
Como as novas diretrizes da SBTi influenciam o mercado?
Outro marco importante discutido no setor é a publicação de guias atualizados pela SBTi (Science Based Targets initiative). A organização lançou orientações específicas para os setores de florestas, terras e agricultura, conhecidas pela sigla FLAG. Estas diretrizes são fundamentais para empresas que possuem uso intensivo de solo, fornecendo caminhos baseados na ciência para que elas possam definir metas de redução de emissões e preservação ambiental de forma verificável.
- Estabelecimento de metas baseadas em dados científicos para o setor agrícola.
- Padronização da contabilidade de carbono em solos e florestas.
- Exigência de compromissos contra o desmatamento em cadeias produtivas.
- Integração de métricas de biodiversidade nos relatórios financeiros anuais.
Com essas atualizações, a SBTi espera reduzir o chamado greenwashing, garantindo que as promessas corporativas de sustentabilidade sejam acompanhadas por ações práticas e mensuráveis. O foco no setor de uso da terra é estratégico, uma vez que este segmento é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa e, simultaneamente, um dos que mais dependem da saúde dos serviços ecossistêmicos para manter a produtividade econômica.

