O Reino Unido acelera a transição para veículos elétricos com o objetivo de proibir a venda de carros novos a gasolina e diesel a partir de 2030 e com a obrigatoriedade de fabricantes venderem percentual crescente de modelos puramente elétricos desde 2024. A iniciativa busca reduzir emissões e incentivar a adoção de carros mais limpos, segundo dados sobre frota, infraestrutura de recarga e comportamento dos motoristas. Para o leitor brasileiro, o movimento britânico ajuda a indicar a direção de um mercado relevante para montadoras globais e pode influenciar estratégias da indústria automotiva em outros países, inclusive no Brasil.
De acordo com informações do/da RAC, o país registra cerca de 1,4 milhão de veículos elétricos a bateria (BEVs) nas ruas, além de aproximadamente 777 mil híbridos plug-in. Como o texto da entidade usa dados apresentados como atuais, a referência temporal considerada nesta reportagem é a data de publicação, 29 de março de 2026.
Veículos Elétricos e Reino Unido enfrentam o desafio de expandir a infraestrutura de recarga e superar as barreiras apontadas pelos próprios motoristas para a adoção em massa desses modelos.
Quantos veículos elétricos circulam no Reino Unido atualmente?
Existem diferentes tipos de carros eletrificados no mercado. Os Battery Electric Vehicles (BEVs) são movidos exclusivamente por motor elétrico e bateria, sem emissões pelo escapamento. Os Plug-in Hybrid Electric Vehicles (PHEVs) combinam motor a combustão com bateria recarregável externamente. Já os Hybrid Electric Vehicles (HEVs) possuem bateria menor carregada por frenagem ou desaceleração, sem possibilidade de recarga externa.
Além desses, os Mild Hybrid Electric Vehicles (MHEV) usam o motor a combustão como principal fonte, com assistência elétrica, mas não conseguem rodar em modo de emissão zero.
Como evolui a venda de carros elétricos no país?
As vendas de veículos eletrificados representavam parcela pequena dos registros novos até anos recentes. Em 2020, mesmo com redução geral de vendas por causa da covid-19, a proporção de eletrificados cresceu significativamente. Nos últimos anos, os BEVs ganharam cada vez mais espaço, embora o ritmo de crescimento tenha diminuído recentemente.
Esse tipo de mudança regulatória e de consumo no Reino Unido também é acompanhado por exportadores e montadoras de outros mercados, porque afeta cadeias globais de produção, oferta de modelos e demanda por baterias e componentes. No caso brasileiro, o tema tem impacto potencial sobre decisões da indústria instalada no país e sobre a ampliação da oferta de veículos eletrificados no mercado local.
O que é o mandato ZEV no Reino Unido?
A partir de 2024, os fabricantes de veículos estão obrigados por lei a vender determinada cota de carros puramente elétricos. O percentual começa em 22% das vendas novas em 2024 e aumenta progressivamente até 2035. Quem não cumpre as metas está sujeito a multas por veículo fora do padrão.
Quantos pontos de recarga existem para carros elétricos?
O número de dispositivos de recarga cresce rapidamente no Reino Unido. Motoristas com vaga privativa em casa ou no trabalho podem instalar carregadores particulares. A potência dos carregadores, medida em quilowatts (kW), determina a velocidade de recarga. Carregadores rápidos e ultrarrápidos conseguem repor energia em poucos minutos.
Os dados mostram aumento constante tanto no total de dispositivos quanto na relação entre carros elétricos e pontos de recarga rápidos.
Qual a autonomia média dos carros elétricos?
Em maio de 2024, a autonomia média de um novo BEV era de 236 milhas, segundo a SMMT. Embora ainda inferior ao alcance de alguns modelos a combustão, a distância é suficiente para a maioria dos trajetos diários, que costumam ser inferiores a 10 milhas.
Quanto custa recarregar um carro elétrico?
O RAC acompanha os custos de recarga por meio do RAC Charge Watch. Os valores variam conforme o tipo de carregador e o local utilizado.
O que a RAC tem feito para apoiar a transição?
A RAC desenvolveu sistema de carregamento móvel de emergência instalado em vans de atendimento, capaz de fornecer energia suficiente para que o veículo elétrico alcance um carregador ou retorne para casa. A empresa também utiliza sistema de recuperação que permite rebocar carros elétricos com segurança sem necessidade de plataforma.
A história dos veículos elétricos não é recente. Embora o interesse atual pareça novidade, protótipos circulavam desde 1837. Em 1881 surgiram as baterias recarregáveis, e em 1897 a London Electrical Cab Company lançou o táxi Bersey, que acabou fracassando por custo e confiabilidade. O interesse ressurgiu com força a partir do lançamento do Tesla Model S em 2012 e do Nissan Leaf em 2010, considerado o primeiro elétrico de mercado de massa.
A transição para veículos elétricos no Reino Unido segue em curso, impulsionada por metas governamentais e pela expansão da oferta de modelos e infraestrutura.



