O empresário William Pereira Rogatto, conhecido nacionalmente pelo apelido de “Rei do Rebaixamento”, recebeu uma condenação de 13 anos e seis meses de prisão. A pena foi estabelecida devido à sua atuação direta em um esquema de fraude de resultados durante partidas do campeonato estadual do Distrito Federal, o Candangão, no ano de 2024. A sentença foi assinada pelo juiz Germano Oliveira Henrique de Holanda e tornada pública no dia 25 de março de 2026. Essa condenação na capital federal estabelece um precedente jurídico crucial para o cenário brasileiro, fortalecendo as ações legais contra quadrilhas que manipulam jogos para lucrar no mercado bilionário de apostas esportivas em outros estados do país.
De acordo com informações do GE, o homem apontado como líder do esquema criminoso já se encontra detido preventivamente. Sua prisão ocorreu após um processo de extradição dos Emirados Árabes Unidos, realizado no mês de setembro. Apesar do direito de recorrer da decisão proferida pela Justiça, o réu deverá permanecer atrás das grades durante essa fase processual.
Como funcionou a rede de cúmplices e quais foram as outras penas?
A decisão judicial não se restringiu apenas ao principal organizador das fraudes esportivas. O magistrado também determinou a condenação de outros envolvidos que participaram ativamente do esquema de manipulação de resultados. Entre eles está Amauri Pereira do Santos, classificado durante as investigações como o braço direito do líder do grupo.
Nesta etapa do processo, foram estabelecidas as seguintes sentenças judiciais para os demais participantes do esquema criminoso no futebol brasiliense:
- Amauri Pereira do Santos: condenado a 11 anos e dez meses de prisão.
- Alexandre Batista Damasceno (atleta): condenado a sete anos de reclusão.
- Nathan Henrique Gama da Silva (atleta): condenado a sete anos de reclusão.
Diferentemente do líder da organização, todos os citados nesta lista possuem o direito de recorrer da sentença em liberdade. Por outro lado, Dayana Nunes Feitosa, que ocupava o cargo de presidente do clube Santa Maria no período em que a agremiação foi utilizada para as fraudes esportivas, acabou sendo absolvida das acusações por falta de provas contundentes contra ela.
Por que o empresário confessou os crimes na CPI do Senado?
O caso ganhou enorme notoriedade nacional quando o principal réu decidiu prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado Federal, em outubro de 2024. Naquela ocasião, ele afirmou, embora sem apresentar provas materiais no momento, que teria atuado para rebaixar 42 equipes do futebol brasileiro ao longo de sua trajetória.
Especificamente sobre o cenário esportivo de Brasília, o depoente confirmou de forma categórica a sua participação ativa no planejamento e execução do esquema que culminou no rebaixamento da equipe do Santa Maria para a segunda divisão, conhecida como Série B do Candangão.
“(Sou) Réu confesso, totalmente. Comecei a trazer jogadores de nome, mostrando para ela (Dayana Nunes, presidente do Santa Maria) que eu iria fazer um excelente campeonato. Daqui a pouco, eu falei que os jogadores meus de nome não tinham condições de ir, mas que ia dar tudo certo. E, infelizmente, eu vim a rebaixar o Santa Maria. Desculpa, mais uma vez, peço perdão para as pessoas.”
A equipe de defesa do condenado ainda tentou realizar uma manobra jurídica para anular a utilização deste depoimento prestado no Congresso Nacional como prova no processo penal. No entanto, o juiz responsável pelo caso negou o pedido da defesa, mantendo a validade da confissão na formação da sentença.
O que motivou a fuga e a posterior extradição do réu?
Antes mesmo do depoimento que atraiu todos os holofotes do país para as suas ações ilegais, o empresário já figurava como alvo de investigações. As autoridades apuravam o seu envolvimento em casos de manipulação de jogos da Série A3 do Campeonato Paulista.
Durante a época de seu depoimento remoto à comissão parlamentar, o investigado declarou publicamente que estava residindo em Portugal. Os senadores que integravam a comissão chegaram a iniciar uma articulação diplomática e legal para colher um depoimento presencial do indivíduo. Contudo, o plano oficial não avançou, pois foi descoberto que já existia um mandado de prisão em aberto contra ele.
Diante da grande repercussão midiática e institucional do caso, o homem decidiu se deslocar para Dubai. Foi exatamente no território dos Emirados Árabes Unidos que a sua prisão foi efetuada, resultando em sua posterior extradição para o Brasil, onde agora cumpre a pena determinada pela Justiça.

