A segurança nutricional das comunidades pesqueiras do litoral nordestino está ameaçada pela redução de espécies marinhas, segundo um artigo publicado na revista People and Nature. A pesquisa, conduzida por pesquisadores brasileiros da Rede Integramar e universidades internacionais, destaca os efeitos das mudanças climáticas e do aumento da pesca comercial. Fonte original.
Quais são os impactos na nutrição das comunidades?
Os pescados são a principal fonte de proteína animal para as famílias pesqueiras nordestinas, representando de 30% a 40% da ingestão mensal. Além disso, eles fornecem mais de 70% dos nutrientes essenciais, como cálcio, selênio e ômega-3. A redução do consumo de peixes pode levar a um aumento nos riscos de desnutrição, anemia e doenças cardiovasculares.
Como foi conduzida a pesquisa?
Em 2024, a equipe entrevistou 111 famílias de pescadores em seis comunidades dos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco. O estudo listou 122 espécies mais capturadas e simulou a potencial extinção delas em cenários climáticos futuros. A possível extinção de 25% das espécies de peixes poderia reduzir em mais de 70% a oferta dos nutrientes avaliados.
Qual é a importância da conservação da biodiversidade?
O pesquisador Fabrício Albuquerque destaca que conservar a biodiversidade impacta diretamente a saúde das comunidades tradicionais.
“Se o peixe desaparecer, as famílias não necessariamente vão passar fome, mas podem ficar mal nutridas. Ou seja, não se trata apenas de comida na mesa, mas da qualidade dessa comida”,
observa Albuquerque. Ele enfatiza a necessidade de políticas públicas para proteger espécies com alto valor nutricional e áreas de interesse ambiental.
Fonte original: Agência Bori.