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Redes sociais na China: governo usa plataformas bloqueadas para propaganda

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The General Secretary of the Chinese Communist Party Xi Jinping at a meeting with President of the United States Joe Biden at
The General Secretary of the Chinese Communist Party Xi Jinping at a meeting with President of the United States Joe Biden at the sidelines of APEC Peru 2024. Foto: @POTUS46Archive — Public domain

O regime liderado por Xi Jinping mantém uma extensa rede de perfis oficiais ativos em plataformas estrangeiras, mesmo com o rigoroso bloqueio imposto à população local na China. Aplicativos como Instagram, X, Facebook, WhatsApp e YouTube são estritamente proibidos para os cidadãos comuns, que dependem do uso clandestino de redes privadas virtuais para acessar conteúdos externos. No entanto, autoridades governamentais, diplomatas e veículos da mídia estatal possuem autorização exclusiva para operar nessas redes visando o público internacional.

De acordo com informações do UOL Notícias, o Ministério das Relações Exteriores chinês defende que essas práticas operam dentro da legalidade estatal. A pasta alega que a abertura de contas em mídias sociais no exterior serve para aprimorar a comunicação com o público global, apresentar a nação de maneira favorável e fomentar o entendimento mútuo entre os países. No Brasil, principal parceiro comercial da China na América do Sul, essa estratégia diplomática é visível através de perfis em português mantidos por embaixadas e veículos estatais que buscam influenciar a narrativa local e fortalecer os laços bilaterais.

Por que a China investe em redes sociais proibidas?

A estratégia do Partido Comunista Chinês consiste em moldar uma narrativa positiva do país para os estrangeiros, enquanto mantém um rígido controle informacional dentro de suas fronteiras. Durante uma reunião estratégica do setor de publicidade no início de 2026, Cai Qi, membro do Politburo, estabeleceu que a ampliação da capacidade de comunicação internacional é uma prioridade absoluta para o governo.

Os veículos de comunicação estatais adotam uma linha editorial padronizada para atrair o público global. Especialistas em direitos humanos e análise de dados apontam que o conteúdo foca nos seguintes temas:

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  • Inovações tecnológicas e conquistas científicas do país;
  • Vídeos de apelo emocional, incluindo crianças e animais;
  • Destinos turísticos paradisíacos;
  • Declarações favoráveis de parceiros comerciais internacionais;
  • Posicionamentos oficiais sobre disputas geopolíticas, como a guerra comercial com os Estados Unidos.

Como funciona a presença da mídia estatal na internet ocidental?

Os números demonstram a escala dessa operação internacional. O perfil em língua inglesa do jornal China Daily acumula aproximadamente 1,6 milhão de seguidores, recebendo atualizações diárias constantes. Paralelamente, a CGTN, principal emissora de notícias em inglês da nação asiática, ultrapassa a marca de 2,6 milhões de seguidores, contabilizando mais de 25 mil publicações. Devido às políticas de transparência de empresas como a Meta, essas contas recebem um selo identificando que são mídias controladas pelo Estado.

A pesquisadora Anne-Marie Brady, especialista em política chinesa da Universidade de Canterbury, explica a dualidade do sistema.

Elas estão autorizadas a usar essas plataformas, ao passo que indivíduos comuns na China não estão. A proibição do uso individual de redes sociais ocidentais também faz parte do sistema de propaganda do partido: controlar o ambiente informacional. Não é possível ter propaganda eficaz sem censura.

Qual é a base legal para a atuação diplomática online?

A legislação chinesa obriga que todo o tráfego de internet internacional passe por canais aprovados e monitorados pelo Estado, proibindo a criação ou o uso de rotas alternativas não sancionadas. Como as instituições oficiais, consulados e embaixadas recebem autorização direta do regime, a presença contínua dessas contas na internet ocidental não configura violação das leis do país asiático.

Um levantamento anterior realizado pelo Instituto de Internet da Universidade de Oxford já indicava a existência de quase 270 contas oficiais atuando ativamente para amplificar os discursos de Pequim. Entre os perfis mais proeminentes estão os de porta-vozes oficiais do governo, como Mao Ning, Guo Jiakun, Lin Jian e Zhao Lijian, que utilizam essas plataformas para promover a filosofia diplomática nacional.

Apesar da justificativa governamental, a tática atrai críticas severas. Organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional classificam o sistema como um aparato de censura e vigilância. Adicionalmente, relatórios da Freedom House indicam que a população chinesa enfrenta o ambiente virtual mais restritivo do planeta há mais de dez anos.

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