Rastreamento de licitações de carne de tubarão para escolas e hospitais - Brasileira.News
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Rastreamento de licitações de carne de tubarão para escolas e hospitais

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Em 2025, uma investigação da Mongabay revelou que instituições públicas no Brasil estavam comprando carne de tubarão em larga escala, servindo-a em escolas, creches e hospitais. A apuração expôs um problema de saúde pública e conservação marinha, motivando debates e ações em diferentes esferas do governo. De acordo com informações da Mongabay Brasil, a série de reportagens impactou o debate público, motivando um pedido de audiência pública no Congresso Nacional, uma citação no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), uma ação civil pública e a suspensão do uso da carne em escolas públicas estaduais no Rio de Janeiro.

Philip Jacobson, da Mongabay, e Kuang Keng Kuek Ser, do Pulitzer Center, detalham como construíram um banco de dados de licitações de carne de tubarão e a metodologia aplicada, que pode ser replicada por outros jornalistas e pesquisadores interessados no tema. O Brasil é o maior consumidor e importador mundial de carne de tubarão.

Por que a investigação sobre a carne de tubarão foi iniciada?

A investigação começou com a informação de que algumas instituições governamentais compravam carne de tubarão para crianças em idade escolar. Em 2021, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo cancelou a compra de 650 toneladas métricas do alimento após críticas da ONG Sea Shepherd Brasil. A cidade de Santos também anunciou que baniria a carne de tubarão das merendas escolares, evitando que quase meia tonelada métrica fosse servida às crianças. Especialistas indicavam que as aquisições também ocorriam em outros lugares, mas não havia estudos que abordassem a abrangência do tema no país.

Quais eram as principais perguntas da investigação?

As principais perguntas eram: quão disseminadas eram as compras públicas de carne de tubarão no Brasil? Quais agências estavam comprando? Para quem estavam servindo? Quais as espécies envolvidas? Os funcionários responsáveis por essas aquisições sequer sabiam que “cação” era sinônimo de tubarão?

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Conforme a investigação avançava, a equipe concluiu que os portais de transparência seriam o melhor caminho para dar o próximo passo. No entanto, pesquisar cada um dos portais de 5.569 municípios, dos 26 estados e do Distrito Federal estava além do alcance. Assim, a análise foi restrita a algumas localidades, já que o objetivo não era identificar cada compra de carne de tubarão, mas comprovar a hipótese de que tais compras são feitas de forma generalizada.

Como a pesquisa nos portais de transparência foi realizada?

Após localizar o portal de transparência do estado ou do município a ser pesquisado, foi necessário descobrir como navegar na ferramenta de busca e se seria possível usá-la para encontrar licitações de carne de tubarão. A tarefa nem sempre era simples, pois alguns portais têm design variado e outros são bastante arcaicos, oferecendo funcionalidade de busca limitada. Quando possível, foram desenvolvidos raspadores de dados (web scrapers) personalizados, uma ferramenta para extrair dados de sites de forma automatizada.

Quais foram os resultados da investigação?

Foi um trabalho árduo, mas recompensador: a equipe rastreou 1.012 licitações de carne de tubarão (emitidas desde 2004) e identificou 5.900 instituições públicas — entre creches, abrigos, maternidades, bases militares, casas de cuidados para idosos e até residências de governadores — que potencialmente receberam a carne do animal por meio dessas aquisições. As repórteres investigativas Karla Mendes e Fernanda Wenzel desempenharam papéis fundamentais na investigação, apurando em campo as pistas reveladas pelo banco de dados.

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