
A Rádio Nacional, inaugurada originalmente no Rio de Janeiro em 1936, completa 90 anos de operação em 2026, consolidando-se como a maior emissora pública da América Latina por meio de uma estrutura multiplataforma. Gerida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a rede transmite seu sinal de forma simultânea via frequências FM, AM, ondas curtas e internet, alcançando desde grandes centros urbanos até comunidades remotas e territórios internacionais.
De acordo com informações da Agência Brasil, a emissora é a única no país a operar com cobertura em FM para todos os estados brasileiros. O sistema integra tradição histórica e avanço tecnológico para garantir que o serviço chegue a populações que não possuem acesso à internet ou fornecimento de energia elétrica regular.
O presidente da EBC, Andre Basbaum, ressalta a função social desempenhada pelo veículo na integração nacional.
“Ao completar 90 anos, a Rádio Nacional reafirma sua relevância como patrimônio da comunicação pública e como serviço essencial para a população. Sua força está justamente na capacidade de unir tradição e presença contemporânea, em uma infraestrutura tecnológica robusta que permite chegarmos mais longe, a lugares onde muitas vezes não há nenhum outro veículo de comunicação.”
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Como funciona a estrutura de transmissão da emissora?
A rede própria conta com cinco emissoras FM posicionadas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília, em São Luís e em Tabatinga, além de uma frequência AM na capital federal. Em Recife, as operações ocorrem mediante uma parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação. O alcance de longa distância, contudo, é assegurado pela Rádio Nacional da Amazônia, que utiliza transmissores de ondas curtas instalados no Parque do Rodeador, localizado na região administrativa de Brazlândia, a cerca de 40 quilômetros do centro de Brasília.
Inaugurado em 11 de março de 1974, o parque de transmissão possui quatro conjuntos de antenas gigantes. A estrutura inclui uma torre de ondas médias com 142 metros e três conjuntos de ondas curtas que chegam a 147 metros de altura. O sinal emitido por essas antenas aproveita as características físicas da propagação noturna, superando os limites territoriais brasileiros e registrando audiência em países como Rússia, Espanha e outras nações latino-americanas.
Qual é o impacto social do sinal de ondas curtas?
Conhecida historicamente como o “Orelhão da Amazônia”, a Rádio Nacional da Amazônia alcança um público potencial de 60 milhões de pessoas. O sinal atinge toda a Região Norte e estados como Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. A manutenção dessa tecnologia permite que o Estado brasileiro forneça informação, prestação de serviço e utilidade pública para comunidades isoladas, ribeirinhos e populações indígenas do Alto Solimões.
A infraestrutura também desempenha uma função estratégica durante desastres climáticos. Durante as enchentes históricas no Rio Grande do Sul em maio de 2024, parte das antenas do Parque do Rodeador foi redirecionada para a Região Sul. A ação viabilizou a criação do programa “Sintonia com o Sul”, focado em transmitir orientações e serviços emergenciais para os moradores das áreas afetadas pelas inundações.
Quais são os planos de expansão internacional e regional?
Para atender os ouvintes estrangeiros, a emissora lançou em 2025 o bloco de programação Nacional Brasil – Serviço Internacional. A iniciativa foi impulsionada pelo recebimento de cartões QSL, uma espécie de recibo postal utilizado por radioamadores para confirmar a escuta das transmissões ao redor do mundo. A faixa de programação possui as seguintes características:
- Conteúdos produzidos em inglês, focados no público anglófono;
- Transmissões em espanhol para promover a integração com os países da América Latina;
- Veiculação diária nos horários de 4h50, 7h20 e 22h50, seguindo o fuso horário de Brasília.
A presença regional também é fortalecida pela Rede Nacional de Comunicação Pública de Rádios, que reúne 168 emissoras conveniadas em todo o território nacional. Em 2026, a rede incorporou veículos de instituições de ensino, como as rádios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. As afiliadas se comprometem a retransmitir quatro horas diárias da Rádio Nacional, garantindo a pluralidade e o crescimento contínuo de audiência em todas as cinco regiões do país.


