Querosene de aviação: Petrobras pode elevar preço em até 80% em abril

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O Ministério de Portos e Aeroportos e as companhias aéreas brasileiras estão em estado de alerta diante da iminente decisão da Petrobras sobre o valor do querosene de aviação (QAV). O reajuste mensal, que deve ser anunciado ainda na semana de publicação deste texto, em 30 de março de 2026, e entrar em vigor em abril de 2026, sinaliza um aumento drástico. De acordo com informações da CNN Brasil, o modelo de preços utilizado pela estatal petroleira aponta para uma elevação que pode variar entre 70% e 80% nas refinarias de todo o país, o que ameaça pressionar severamente o custo do setor aéreo e chegar ao bolso do consumidor final de forma rápida.

Esse percentual de reajuste acompanha a recente volatilidade do mercado internacional de energia. Anteriormente, na virada de fevereiro para março de 2026, a estatal já havia aplicado um acréscimo de quase 10% no valor do insumo. Agora, os cálculos das fontes ligadas à operação da petroleira refletem diretamente a disparada global dos derivados de petróleo ocasionada pelos conflitos geopolíticos recentes no Oriente Médio e na Europa.

Quais fatores explicam a disparada no preço do QAV?

A forte pressão sobre as tabelas da Petrobras tem origem em dois indicadores cruciais do mercado de commodities. O primeiro deles é o petróleo tipo Brent, que serve de referência internacional e acumulou uma alta de 49,8% desde o início do conflito registrado no dia 28 de fevereiro. Esse indicador é uma das variáveis centrais na fórmula de paridade adotada pela companhia brasileira para calcular as suas vendas no mercado doméstico.

O segundo fator determinante é a variação do óleo de aquecimento, um derivado amplamente acompanhado pelos agentes do setor de transportes. Como a última atualização da tabela da petroleira brasileira ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2026, o represamento das cotações internacionais durante março será repassado agora na atualização de abril.

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Apesar do salto percentual previsto, o litro do querosene de aviação é comercializado atualmente a R$ 3,58. Esse patamar ainda se encontra abaixo do recorde histórico registrado no final de 2022, quando o insumo alcançou o valor de R$ 5,08 por litro, impulsionado pelas tensões iniciais referentes à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Como o governo federal planeja conter a crise no setor aéreo?

Diante do cenário econômico desfavorável, o Ministério de Portos e Aeroportos, pasta responsável pela política federal para aeroportos e aviação civil, passou a articular uma operação de contenção de danos nos bastidores de Brasília. Durante o último final de semana anterior à publicação, o ministério encaminhou um ofício formal à diretoria da estatal com o objetivo de sensibilizar a companhia sobre as consequências de um choque tarifário dessa magnitude. O mesmo documento de alerta também foi despachado para os gabinetes do Ministério de Minas e Energia e da Casa Civil.

Paralelamente às tratativas com a petroleira, a equipe técnica do ministério responsável pela aviação civil desenhou alternativas de mitigação. Foram elaboradas três sugestões formais, já enviadas ao Ministério da Fazenda, focadas em diminuir o impacto da alta de custos operacionais sobre as companhias aéreas e proteger os passageiros. Até o momento, a equipe econômica não emitiu uma resposta oficial sobre a viabilidade dessas propostas de socorro ao setor.

Quais serão os impactos diretos para os passageiros e voos?

O querosene de aviação representa a principal despesa operacional do segmento. Em condições normais de mercado, o combustível responde por, em média, 30% de todos os custos das empresas de transporte aéreo no Brasil. No entanto, em períodos de forte estresse cambial ou choque de preços nas refinarias, essa fatia das despesas pode comprometer até 50% do caixa das operadoras.

O repasse desse choque de custos estruturais para a ponta final da cadeia é considerado inevitável pelas empresas do segmento. Entre os principais reflexos negativos que podem atingir a malha aérea nacional em curto prazo, destacam-se:

  • O encarecimento significativo do valor das passagens aéreas em todas as rotas domésticas e internacionais;
  • A diminuição abrupta ou o corte definitivo de rotas aéreas consideradas menos lucrativas pelas empresas;
  • A possibilidade de cidades menores ficarem sem atendimento contínuo de voos comerciais.

O cenário atual reitera a fragilidade do modelo de negócios da aviação comercial brasileira diante das crises internacionais. Sem um mecanismo de amortecimento imediato, as empresas do setor, que já vinham pleiteando políticas de apoio semelhantes às concedidas aos caminhoneiros para o diesel, aguardam as definições do Palácio do Planalto e a publicação oficial da nova tabela de preços para recalcular as suas operações e tarifas.

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