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PUC-SP prepara PDV para aposentar professores com salários de até R$ 40 mil

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A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) prepara um Plano de Demissão Voluntária (PDV) no primeiro semestre de 2026 para incentivar a aposentadoria de professores veteranos. A medida, estruturada no ano em que a instituição completa 80 anos na capital paulista, visa contornar uma crise de matrículas por meio da renovação do quadro docente e da modernização dos currículos, além de aliviar a folha de pagamento institucional.

De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, o reitor Vidal Serrano, nomeado no fim de 2024, destacou que a iniciativa é fundamental para reformular as graduações e torná-las atrativas novamente. O gestor ressalta que muitos profissionais resistem à saída de seus cargos devido à expressiva queda de rendimentos ao migrar para a previdência pública.

Por que os professores veteranos resistem à aposentadoria na universidade?

A principal barreira para a renovação do corpo docente é a questão financeira. Atualmente, professores titulares antigos chegam a receber vencimentos mensais que variam entre R$ 35 mil e R$ 40 mil. Caso decidam se aposentar formalmente, esses profissionais passariam a receber o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), fixado em R$ 8.475,55, o que representa um impacto severo no padrão de vida.

“Temos professores titulares das antigas que recebem mais de R$ 35 mil, R$ 40 mil. Muitos deles não querem se aposentar, postergam essa decisão ao máximo possível, porque ao se aposentar vão receber o teto do INSS. Eles resistem muito à aposentadoria e eu compreendo, porque a perda de remuneração é de fato muito grande”, disse o reitor.

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Como funcionará o Plano de Demissão Voluntária proposto pela PUC-SP?

A proposta oficial do plano de demissão voluntária deve ser apresentada nos próximos meses e dependerá da aprovação do Conselho Universitário, a instância máxima da instituição de ensino. Embora o montante de recursos e a meta de adesão não tenham sido revelados, a administração adiantou os pilares da negociação. A oferta institucional inclui os seguintes atrativos para os docentes:

  • Pagamento de uma indenização financeira de comum acordo;
  • Adição de uma gratificação que será repassada de forma parcelada;
  • Extensão da cobertura do convênio médico para os profissionais após a aposentadoria.

Qual é o impacto da queda de matrículas na reestruturação do ensino?

Nos últimos 15 anos, a universidade registrou quedas sucessivas no número de estudantes matriculados. Entre os anos de 2010 e 2024, a redução chegou a 40%, refletindo diretamente no fechamento temporário de classes. Em 2026, graduações tradicionais como serviço social e filosofia não conseguiram abrir novas turmas por falta de interessados. O cenário forçou a atual gestão a acelerar a revisão das grades curriculares, com 13 das 30 graduações já reformuladas e com redução no valor das mensalidades. Esse movimento da PUC-SP reflete um desafio nacional do setor privado de ensino superior, que tem registrado ociosidade em cursos presenciais diante do avanço massivo da Educação a Distância (EAD) e das mudanças no poder aquisitivo das famílias brasileiras.

De acordo com dados do Censo da Educação Superior, organizado anualmente pelo Ministério da Educação (MEC), a instituição de ensino paulista perdeu quase um terço de seus professores no período recente, passando de 1.407 profissionais em 2010 para 954 em 2024. A avaliação da reitoria aponta que a fuga de alunos é consequência de múltiplos fatores, incluindo a expansão de vagas no ensino superior público, o crescimento do ensino a distância e a presença de grandes grupos educacionais privados no mercado.

Como a tecnologia exige mudanças nas graduações tradicionais?

A adequação ao mercado de trabalho atual exige que disciplinas clássicas incorporem novos saberes tecnológicos. A resistência interna de alguns setores da universidade tem sido um obstáculo, e a reitoria enxerga a falta de novas turmas como um alerta para a necessidade imediata de atualização acadêmica por parte das diretorias de curso.

“Não dá mais para ter um curso de Ciências Sociais, por exemplo, sem que o aluno tenha contato com programação ou inteligência artificial. Não basta esse aluno saber sobre estatística, ele precisa entender programação de linguagem, ciência de dados, etc. Nosso curso era um pouco mais conservador. Nós não tiramos essa parte mais tradicional, mas trouxemos mudanças para que o curso se aproxime à demanda do mercado atual”, exemplificou Vidal Serrano.

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