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Public Image Ltd marca retorno ao Brasil com show histórico em São Paulo

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Lively concert atmosphere captures the energy of a packed crowd in a São Paulo stadium at night.
Lively concert atmosphere captures the energy of a packed crowd in a São Paulo stadium at night. Foto: Felipe Balduino — Pexels License (livre para uso)

A banda britânica Public Image Ltd marcou o seu retorno ao Brasil após mais de três décadas com uma apresentação histórica na noite desta quarta-feira (8 de abril de 2026). Sob a liderança do icônico John Lydon, o grupo subiu ao palco do Cine Joia, tradicional casa de shows localizada no bairro da Liberdade, na capital paulista, entregando um espetáculo que oscilou entre a rebeldia intrínseca do movimento punk e uma atmosfera de profunda contemplação por parte dos fãs. O aguardado concerto revisitou os clássicos das décadas passadas, deixando completamente de fora o repertório do trabalho de estúdio mais recente da formação musical.

De acordo com a crítica da Folha de S.Paulo, o contraste com a última passagem do grupo pelo país, ocorrida no ano de 1992, foi evidente do início ao fim da performance. Se no passado a promessa era de que as estruturas físicas do local iriam tremer sob o peso do som e da agitação frenética do público, o cenário atual revelou uma plateia que substituiu as tradicionais rodas de bate-cabeça por uma postura muito mais focada na apreciação técnica e visual da execução das músicas ao vivo.

Como a passagem do tempo afetou a performance de John Lydon?

Aos quase 50 anos de trajetória artística à frente da banda, o próprio vocalista demonstrou que as necessidades físicas precisaram de adaptações. Em um gesto que seria impensável nos dias de fúria inicial, Lydon realizou uma pausa de descanso após os primeiros 60 minutos do concerto. O músico recolheu-se aos bastidores para fumar um cigarro, preparando o fôlego necessário para encarar a exigência vocal intensa do aguardado momento do bis, comprovando que o vigor e o estilo precisam agora dialogar com a resistência física em apresentações mais longas.

Apesar dessas pausas estratégicas, o espírito contestador permanece como uma marca registrada do artista anteriormente conhecido pelo pseudônimo de Johnny Rotten nos tempos de Sex Pistols, uma das bandas pioneiras do movimento punk no Reino Unido. Durante a apresentação, demonstrando um certo deboche característico de suas raízes, ele chegou a cuspir no palco, dirigindo-se ao público com uma ordem direta: “Não reclamem”, gritou o vocalista britânico, provocando risos e uma recepção calorosa da audiência. O público demonstrou compreender perfeitamente a teatralidade e a herança punk atreladas à sua figura pública, mesmo após tantas décadas ininterruptas de carreira.

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Quais foram os destaques do repertório no Cine Joia?

A seleção musical focou primariamente no auge criativo da banda, período que compreende as décadas de 1970 e 1980. O momento de maior impacto sonoro do show consistiu na trinca final composta pelas faixas “Annalisa”, “Attack” e “Chant”. Nessa sequência, o público presenciou um vocalista altamente inspirado, entregando gritos descompensados e modulações rasgadas, resgatando a sonoridade crua desenvolvida logo após a sua conturbada transição de bandas. O ápice de energia coletiva ocorreu logo após a execução de “Public Image”, canção fundadora que conseguiu, momentaneamente, fazer a plateia pular intensamente e as paredes do recinto tremerem como antigamente.

Outro ponto de grande engajamento foi a interpretação de “Rise”, um sucesso bem estabelecido que uniu a voz principal ao uníssono de todos os presentes na casa de espetáculos. Em contrapartida, os admiradores que aguardavam material inédito precisaram lidar com a ausência total de canções do álbum “End of World”, lançado no ano de 2023. O roteiro da noite ignorou completamente o disco mais recente, deixando de lado até mesmo a faixa “Hawaii”, que havia ganhado destaque internacional por ser uma homenagem sincera de Lydon à sua falecida esposa.

Qual a atual formação do Public Image Ltd?

A encarnação atual do grupo provou possuir uma coesão instrumental notável, fundamentada na longa experiência de músicos com currículos extensos na indústria fonográfica. A formação que estreou em palcos brasileiros apresenta uma estrutura muito bem definida e dividida entre veteranos e estreantes no país. Os integrantes que acompanharam o líder vocalista nesta turnê incluem os seguintes nomes de peso da cena musical mundial:

  • Lu Edmonds: guitarrista veterano e parceiro de longa data na banda, responsável por adicionar texturas únicas e pelo uso constante de um instrumento peculiar, muito semelhante a um alaúde elétrico.
  • Mark Roberts: experiente baterista com passagem anterior pelo aclamado grupo Massive Attack, que forneceu com precisão a base rítmica fundamental durante toda a noite.
  • Scott Firth: baixista com histórico sólido de atuação em bandas como Morcheeba, encarregado de sustentar as frequências graves que definem o estilo característico do projeto.

Essa base rítmica unida destacou-se com brilhantismo em faixas complexas como “Corporate”, lançada em 2015, e na clássica “Flowers of Romance”. Nessas canções específicas, o baixo e a bateria criaram um clima de marcha densa e forneceram o suporte harmônico necessário para os crescendos musicais, garantindo que o som mantivesse o peso exigido enquanto Lydon assumia a postura de um arauto em seus longos e erráticos monólogos pelo palco. O uso do alaúde elétrico por Edmonds na faixa “Warrior” teve certa dificuldade de adaptação acústica no sistema de som do local, mas ainda assim serviu como alicerce para a performance minimalista e descompassada que caracteriza de forma única a essência da banda britânica.

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