Neste sábado, 4 de abril, o Complexo Porto Futuro, localizado em Belém, um dos principais espaços de revitalização urbana da capital paraense, transformou-se em um cenário de celebração e acolhimento com a realização de uma programação especial de Páscoa. O evento, focado no lazer e na cultura, reuniu centenas de famílias para atividades gratuitas, com destaque para a primeira edição da “caça aos ovos” no parque urbano. A iniciativa foi marcada pelo forte compromisso com a acessibilidade, integrando ações específicas para o público neurodivergente em uma tarde de integração social e alegria. A ação ganha relevância por estar alinhada ao “Abril Azul”, campanha nacional e mundial de conscientização sobre o autismo.
De acordo com informações da Agência Pará, a festividade contou com o suporte técnico da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), que integra a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Essa parceria garantiu que as brincadeiras tradicionais fossem adaptadas para as necessidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), refletindo na prática as diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA, o que permitiu uma participação plena e segura de todos os presentes.
Como funcionou a dinâmica da caça aos ovos no parque?
A atividade mais aguardada do dia foi a tradicional caça aos ovos de chocolate, que mobilizou o público infantil de forma organizada. Para garantir a segurança e o aproveitamento de cada faixa etária, a organização dividiu os participantes em três grupos distintos: crianças de duas a cinco anos; de seis a oito anos; e de nove a 12 anos. O método permitiu que cada criança pudesse explorar o espaço do parque em busca dos tesouros pascais de maneira equitativa.
Além da busca pelos doces, o espaço ofereceu uma gama de entretenimento que incluiu pintura facial temática, oficinas para a confecção de adereços e a presença de personagens lúdicos que interagiram com os visitantes. Uma das participantes, Alice Martins, relatou a experiência positiva com seu filho de seis anos:
“Fiquei muito feliz de trazer meu filho. Ele se divertiu na caça aos ovos, e ainda tirou foto com o coelho da Páscoa. Tomara que aconteçam mais eventos assim pela cidade.”
Quais foram as principais ações de inclusão para crianças autistas?
A proposta da “PáscoaTEA” foi o grande diferencial desta edição no Porto Futuro. Foram desenvolvidas oficinas sensoriais e de customização, como a de orelhas de coelho, onde as crianças puderam utilizar tintas e colas coloridas para expressar sua criatividade. Brenda Maradei, coordenadora da Cepa, explicou que o objetivo central foi ampliar o acesso e o respeito às particularidades de cada indivíduo.
“A proposta foi criar um ambiente inclusivo, onde as crianças no espectro do autismo pudessem brincar junto com as demais, respeitando suas particularidades e promovendo uma experiência acolhedora.”
As famílias atípicas encontraram no evento um local de suporte e rede de apoio. Luciana de Souza, que esteve presente com um grupo de amigas cujos filhos também possuem autismo, destacou a importância de espaços públicos que priorizam a segurança e o bem-estar desse grupo específico. Segundo ela, a festa proporcionou um sentimento de acolhimento essencial para os pais e responsáveis.
Como a feira de empreendedorismo beneficiou as famílias locais?
Paralelamente às brincadeiras, o Complexo Porto Futuro sediou a Feira de Empreendedorismo Inclusivo – edição Páscoa. O projeto reuniu empreendedores locais, muitos deles oriundos de projetos sociais das Usinas da Paz — complexos de cidadania do governo paraense que são referência em segurança e inclusão social no país — e famílias atípicas, para a comercialização de produtos artesanais e itens gastronômicos. A feira serviu como uma vitrine para a economia criativa da capital paraense.
- Comercialização de ovos de Páscoa artesanais e doces temáticos;
- Venda de artesanato regional produzido por famílias de baixa renda;
- Geração de renda direta para mães de crianças com deficiência;
- Fortalecimento dos vínculos entre os empreendedores das Usinas da Paz.
Para Danielle Quadros, que comercializou guloseimas no local, o evento representa uma oportunidade vital de subsistência, uma vez que a rotina de cuidados com sua filha adolescente autista muitas vezes impede a manutenção de um emprego formal. Bruno Nascimento, diretor de Eventos do Complexo, reforçou que a intenção da administração é ativar o espaço cada vez mais com ações de lazer, cultura e fomento econômico para toda a família paraense.


