A produção de petróleo e gás natural no Brasil atingiu o maior patamar histórico durante o mês de fevereiro de 2026. O balanço oficial, divulgado nesta quarta-feira (1º de abril) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), autarquia federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, aponta que o país alcançou a marca inédita de mais de 5 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O resultado demonstra o avanço contínuo da capacidade extrativista nacional, impulsionada principalmente pelos campos marítimos e pelas operações em águas profundas.
De acordo com informações da Agência Brasil, o volume exato extraído no período foi de 5,304 milhões de barris de óleo equivalente diários (boe/d). Esta unidade de medida é utilizada no setor energético para abranger e somar, em uma única métrica, tanto o volume de petróleo quanto o de gás natural. O índice atual supera o recorde anterior, que havia sido registrado em outubro de 2025, quando a produção marcou 5,255 milhões de boe/d em todo o território nacional.
Como se comportaram os índices isolados de óleo e gás?
Quando os dados são analisados de forma separada, o desempenho do setor continua apresentando crescimento significativo. Considerando exclusivamente a extração de petróleo bruto, o Brasil produziu 4,061 milhões de barris por dia (bbl/d). Este volume representa uma variação positiva de 2,7% na comparação com o mês de janeiro. Ao observar o cenário anual, o salto é ainda mais expressivo, configurando um aumento de 16,4% em relação ao mesmo período do ano de 2025.
No segmento de gás natural, a produtividade também manteve uma curva ascendente no mês de fevereiro. A indústria extrativista nacional registrou a marca de 197,63 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Esse volume evidencia um crescimento de 2,3% frente aos resultados obtidos em janeiro. Na comparação direta com o mês de fevereiro de 2025, a extração de gás natural acumulou uma alta robusta de 24,5%. Toda essa operação envolveu uma infraestrutura massiva espalhada pelo país, mobilizando milhares de poços de perfuração para garantir a manutenção das atividades produtivas.
Qual a diferença entre a produção terrestre e marítima?
O levantamento da ANP detalha a origem exata desses recursos energéticos, mostrando um forte contraste entre as operações em terra firme e no oceano. A produção total de fevereiro de 2026 foi obtida por meio da operação simultânea de 6.079 poços ativos. Desse montante, a grande maioria está localizada no continente, somando 5.497 estruturas terrestres. Em contrapartida, as instalações em alto-mar são minoria em quantidade, totalizando apenas 582 poços marítimos em funcionamento ao longo da costa brasileira.
Apesar de estarem em menor número, as plataformas offshore são as verdadeiras responsáveis por quase a totalidade da produção energética nacional. Os campos marítimos responderam pela extração de 98% de todo o petróleo e de 87,8% de todo o gás natural do país durante o mês de fevereiro. Nesse cenário de predominância oceânica, a Petrobras consolidou sua posição de liderança absoluta. As áreas operadas pela estatal brasileira de economia mista, seja de forma isolada ou atuando em regime de consórcio junto a outras companhias petrolíferas, garantiram 89,46% de todo o volume produzido no Brasil.
Qual é o impacto do pré-sal no recorde histórico?
A camada do pré-sal, formação geológica profunda localizada sob uma espessa camada de sal no leito marinho, continua sendo o principal pilar da indústria petrolífera do Brasil e a força motriz por trás do novo recorde histórico. Em fevereiro, esta área foi responsável por 80,2% de toda a produção nacional. O volume extraído exclusivamente desta região totalizou 4,243 milhões de boe/d. Este resultado consolida um crescimento produtivo de 2,3% em relação a janeiro e um avanço de 20,1% quando comparado com o desempenho de fevereiro de 2025.
Para compreender a magnitude operacional do pré-sal, os dados da agência reguladora indicam o funcionamento de 181 poços produtores nesta camada específica. A partir destas instalações profundas, as empresas do setor conseguiram extrair:
- Um volume diário de 3,264 milhões de barris de petróleo bruto;
- Uma quantidade de 155,56 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
A liderança produtiva no país pertence ao Campo de Tupi, localizado estrategicamente na Bacia de Santos, que se estende pelo litoral da região Sudeste. Esta área isolada figurou como a maior produtora nacional de ambas as matrizes energéticas, entregando 865,98 mil barris de petróleo por dia e injetando 42,87 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente no sistema. Por fim, o balanço da agência destacou as embarcações com os maiores volumes individuais. Para o petróleo, o destaque foi o navio-plataforma FPSO Almirante Tamandaré, situado no Campo de Búzios, com 197.903 barris extraídos por dia. Para o gás natural, a liderança ficou com o navio-plataforma Marechal Duque de Caxias, operando no campo de Mero, que atingiu a expressiva marca de 12,37 milhões de metros cúbicos diários.



