O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo (OAB-SP) — a maior seccional do país —, Leonardo Sica, defendeu publicamente nesta segunda-feira (6 de abril) que os supostos vínculos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a alta cúpula do Banco Master sejam apurados. A declaração ocorreu durante um evento sobre o Poder Judiciário realizado na sede da entidade, no centro da capital paulista. O representante dos advogados argumentou que os elementos trazidos a público até o momento exigem uma resposta institucional rigorosa para preservar a integridade da corte máxima do país.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o Conselho Federal da OAB já estabeleceu contato com a Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão constitucionalmente responsável por investigar autoridades com foro especial, para pressionar pelo andamento da pauta. A movimentação ocorre em meio à revelação de uma série de conexões entre magistrados da mais alta instância do Judiciário brasileiro e o empresário Daniel Vorcaro, colocando os citados como suspeitos de manterem relações impróprias que demandam esclarecimento legal e transparência.
Por que a OAB-SP cobra uma investigação oficial da PGR?
A manifestação do presidente da OAB-SP coloca em evidência a inércia atual do Ministério Público Federal no caso. Em sua fala aos jornalistas, Leonardo Sica cobrou uma postura ativa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ressaltando que o órgão acusador não pode ignorar a gravidade do cenário. O líder da classe advocatória paulista destacou que a ausência de inquéritos formais apenas alimenta especulações danosas à imagem das instituições republicanas e ao Estado de Direito.
“Tudo que eu conheço é pelas notícias, e acho que as notícias merecem investigações, sim. Nós temos que apontar para a Procuradoria-Geral da República, que está silente”, afirmou Sica.
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Para justificar a necessidade do procedimento investigativo, Sica, que possui extensa trajetória como advogado criminalista, utilizou princípios fundamentais do sistema de justiça democrático. Ele avalia que o escrutínio oficial é o caminho mais seguro tanto para a sociedade, que exige transparência, quanto para os próprios magistrados envolvidos, que recebem a oportunidade de provar a inocência de forma cabal nos autos de um processo legal. A falta de movimentação jurídica, por outro lado, perpetua um ambiente de desconfiança.
Como a apuração pode proteger a imagem do Supremo Tribunal Federal?
“A melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita, te permite filtrar a suspeita. Se existem suspeitas, a melhor solução que a nossa democracia conhece é a investigação”, disse Sica.
Durante o encontro no centro de São Paulo, o presidente da OAB-SP fez questão de esclarecer que a cobrança não possui caráter de perseguição pessoal contra qualquer ministro específico do STF. O foco da entidade de classe, segundo ele, é a preservação da credibilidade institucional do tribunal, que funciona como o pilar de garantia da Constituição Federal. Ao ser questionado sobre os alvos exatos de sua fala, ele preferiu manter a impessoalidade, rejeitando a individualização do debate.
“Até porque haverá coisas que não são comprovadas, que são comprovadas, que não são bem assim. Agora, quando não tem investigação, a gente fica em suposições, baseadas nos fatos. A gente conhece os fatos, mas as pessoas têm que se explicar. Não estou dizendo sobre pessoas. Ter pessoas sob suspeita não me preocupa. Me preocupa ter uma instituição sob suspeita”, concluiu o dirigente.
Quais são os próximos passos na articulação jurídica?
A pressão exercida pelas entidades representativas da advocacia cria um novo contorno político e jurídico para o caso envolvendo o Banco Master e os membros do STF. A expectativa agora recai inteiramente sobre os desdobramentos oficiais em Brasília. Entre os principais fatores que devem pautar o cenário institucional nas próximas semanas, destacam-se os seguintes pontos cruciais:
- A resposta oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR) às provocações e ofícios do Conselho Federal da OAB.
- A decisão do procurador-geral Paulo Gonet sobre a abertura, ou não, de procedimentos investigatórios preliminares para apurar os fatos revelados.
- O posicionamento institucional do Supremo Tribunal Federal diante do desgaste provocado pelas suspeitas ligadas a Daniel Vorcaro.
- Os desdobramentos de novas apurações jornalísticas que continuam a detalhar o suposto esquema de relações não republicanas.


