Preços do petróleo registram alta histórica após tensão no Estreito de Ormuz - Brasileira.News
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Preços do petróleo registram alta histórica após tensão no Estreito de Ormuz

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Beautiful island is on the northern coast of the State of São Paulo, from an island beach, beach portinho; possible to observ
Beautiful island is on the northern coast of the State of São Paulo, from an island beach, beach portinho; possible to observe and cargo ships loading at the port of São Sebastião terminal and tankers Foto: Junior AmoJr — CC

Os preços globais do petróleo bruto e de seus derivados registraram um aumento substancial durante o primeiro trimestre de 2026, impulsionados diretamente por ações militares no Oriente Médio iniciadas no dia 28 de fevereiro e pelo subsequente fechamento prático do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde transita cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. O impacto nas rotas gerou interrupções severas na oferta global, afetando mercados internacionais e elevando as cotações a patamares recordes para o período.

No Brasil, a disparada internacional pressiona o mercado interno. Embora a Petrobras tenha flexibilizado a política estrita de paridade de importação (PPI) em 2023, as cotações globais e os custos alternativos de suprimento seguem como referência para a estatal, o que pode refletir no repasse de preços dos combustíveis nas bombas e impactar a inflação do país.

De acordo com informações da CleanTechnica, baseadas em relatórios da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, o preço do barril de petróleo Brent saltou de US$ 61 no início do ano para US$ 118 no encerramento do trimestre. Este movimento representa o maior salto de preços, ajustado pela inflação, desde que a atual série histórica começou a ser computada no ano de 1988.

Como o conflito no Oriente Médio impactou as cotações do petróleo?

Entre os meses de janeiro e fevereiro, as cotações do petróleo já apresentavam uma trajetória de ascensão, passando de US$ 61 para US$ 72 por barril em resposta ao crescente risco de conflitos na região. Contudo, a escalada foi intensificada após a interrupção da maior parte do tráfego marítimo, provocada pelo risco iminente de danos físicos aos navios comerciais diante de ataques iranianos.

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Como reflexo direto da navegação interrompida nesta rota crucial, diversos países produtores, incluindo o Iraque, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, optaram por suspender parte de sua produção de óleo. Os ataques a infraestruturas de energia e a constante ameaça de novas ofensivas serviram como catalisadores para a alta contínua. O barril de Brent ultrapassou a marca de US$ 100 no dia 12 de março e seguiu em elevação ao longo das semanas seguintes.

Quais as diferenças entre o desempenho do Brent e do WTI?

Com o encarecimento do produto bruto ao longo do mês de março, a diferença de valores entre os contratos futuros do petróleo Brent (índice de referência global usado pelo mercado brasileiro) e do West Texas Intermediate (WTI) (referência no mercado dos Estados Unidos) para entrega em maio sofreu um forte alargamento. O valor do Brent avançou de forma muito mais aguda devido à sua maior exposição aos altos custos de frete marítimo e à redução drástica do fluxo de fornecimento nas regiões próximas ao estreito bloqueado.

Por outro lado, as altas do mercado WTI foram parcialmente contidas por fortes estoques internos nos Estados Unidos e por planos governamentais de liberação de barris de reservas estratégicas. A diferença de valor entre os dois índices, que começou o trimestre na casa de US$ 4 por barril, atingiu um pico de US$ 25 no dia 31 de março, fechando o período com uma média de US$ 11, o patamar mais elevado dos últimos cinco anos.

Por que os preços dos combustíveis derivados subiram tanto?

Os preços à vista da gasolina, do destilado (diesel) e do combustível de aviação subiram vertiginosamente, reflexo imediato das interrupções nas exportações. Como o material bruto é o custo principal na fabricação de derivados, o impacto na bomba foi sentido rapidamente pelo consumidor. No final de março, os valores médios de varejo no mercado norte-americano chegaram a US$ 3,99 por galão para a gasolina e US$ 5,40 por galão para o diesel, os maiores níveis reais registrados em mais de dois anos.

Embora a gasolina tenha encarecido substancialmente, os preços do diesel e do querosene de aviação sofreram um choque significativamente maior. A forte demanda por destilados desde o início do trimestre ampliou o aperto do mercado. Os principais fatores que impulsionaram essa situação de escassez incluem:

  • O aumento das exportações ocidentais para a Europa, impulsionado por sanções econômicas impostas à Rússia.
  • Condições climáticas de frio extremo na região Nordeste dos Estados Unidos, que elevaram a necessidade de queima para aquecimento de ambientes.
  • Uma demanda logística mais robusta do que o normal no setor de transporte rodoviário de cargas durante o mês de fevereiro.
  • Um volume menor de biocombustíveis disponíveis para complementar o fornecimento de destilados em comparação com anos anteriores.

Como as refinarias responderam à alta na demanda?

Os insumos processados pelas refinarias no primeiro trimestre superaram a média da faixa dos últimos cinco anos, aproximando-se dos patamares históricos de alta produtividade. Os preços elevados dos destilados incentivaram o aumento do processamento, uma vez que expandiram as margens de lucro da indústria petrolífera em nível global.

A margem de lucro calculada para as refinarias operando na Costa Leste americana registrou uma média de US$ 1,42 por galão no mês de março. Este foi o maior nível mensal apurado em anos, superando com folga a média de 68 centavos estipulada para o período de 2021 a 2025. O cenário produtivo intenso foi beneficiado por uma temporada de manutenções preventivas concluída no final de 2025, o que reduziu a necessidade de pausas operacionais durante o pico da crise energética.

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