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Preço do petróleo beira US$ 100 com fragilidade em cessar-fogo do Irã

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O preço do petróleo voltou a subir e se aproxima da marca de US$ 100 por barril nas negociações asiáticas desta sexta-feira, impulsionado por novas tensões militares no Oriente Médio e por crescentes dúvidas sobre a manutenção do cessar-fogo com o Irã. O mercado financeiro internacional reage com cautela a uma série de ataques recentes na região, que ameaçam o fornecimento global de energia e afetam diretamente a cadeia produtiva.

De acordo com informações do OilPrice, os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) operavam em alta de 1,33%, cotados a US$ 99,17. Paralelamente, o índice Brent registrou um avanço de 0,92%, alcançando o valor de US$ 96,80 por barril durante a abertura do pregão na Ásia.

Quais são os impactos das novas ofensivas no Oriente Médio?

A escalada da violência continua a gerar instabilidade na infraestrutura energética da região. O Ministério da Energia da Arábia Saudita confirmou que os recentes ataques ao país reduziram a sua capacidade de produção de petróleo em aproximadamente 600 mil barris por dia. Além disso, o fluxo na principal rota de distribuição Leste-Oeste sofreu uma queda de 700 mil barris diários. As autoridades locais também relataram a morte de um cidadão nacional em decorrência das ofensivas.

A crise logística afeta nações vizinhas. O Kuwait denunciou uma nova onda de ataques com drones direcionados contra as suas refinarias e instalações vitais. Em contrapartida, o governo do Irã negou formalmente o lançamento de qualquer míssil em direção a países vizinhos desde o estabelecimento do acordo de trégua.

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A situação diplomática se deteriorou após as declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O líder afirmou que não existe um cessar-fogo em vigor no Líbano, embora tenha ressaltado o início de negociações diretas de paz com o governo libanês. O pronunciamento ocorre logo após uma série de ataques em território libanês deixar ao menos 303 pessoas mortas na última quarta-feira, segundo informações do Ministério da Saúde local.

Como a relação entre Estados Unidos e Irã afeta o mercado?

A trégua firmada entre os Estados Unidos e o governo iraniano permanece extremamente frágil. O presidente norte-americano, Donald Trump, utilizou as redes sociais para criticar a postura de Teerã em relação ao trânsito comercial de embarcações.

um trabalho muito ruim […] não é o acordo que nós temos!

Do outro lado das tensões diplomáticas, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que as ofensivas militares promovidas por Israel contra o território libanês configuram uma violação direta dos termos do cessar-fogo. A intensa troca de acusações entre os líderes mundiais agrava as preocupações sobre um possível bloqueio contínuo no Estreito de Ormuz.

Quais fatores intensificam a crise global de energia?

O atual cenário de alta nos preços das commodities de energia é sustentado por uma combinação de fatores críticos relatados ao longo das últimas semanas pelos agentes de mercado:

  • O alerta do banco Goldman Sachs, que projeta a manutenção do preço do Brent acima de US$ 100 durante todo o ano caso o bloqueio logístico no Estreito de Ormuz se prolongue por mais um mês.
  • A busca emergencial por alternativas de abastecimento de combustíveis por parte de potências asiáticas, com destaque para as ações do Japão, da China e da Coreia do Sul.
  • A declaração recente do diretor da Agência Internacional de Energia, que classificou a atual instabilidade no setor energético como pior do que as crises somadas dos anos de 1973, 1979 e 2022.
  • O risco de resgate financeiro às companhias aéreas internacionais, que lutam para manter as operações diante do choque inflacionário dos derivados de petróleo.

Apesar do clima de extrema tensão geopolítica, algumas operações comerciais tentam retomar a normalidade de forma cautelosa. Israel reiniciou as atividades de seu segundo campo de extração de gás offshore após a trégua inicial, enquanto a União Europeia precisou flexibilizar legislações ambientais sobre a emissão de metano para garantir que o fluxo de energia para o continente não seja totalmente interrompido.

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