Pradarias marinhas ajudam a conter erosão e proteger praias do desaparecimento - Brasileira.News
Início Meio Ambiente Pradarias marinhas ajudam a conter erosão e proteger praias do desaparecimento

Pradarias marinhas ajudam a conter erosão e proteger praias do desaparecimento

0
6

As pradarias marinhas, formações submersas de plantas conhecidas como seagrass, ajudam a conter a erosão costeira, reduzir a força das ondas, reter sedimentos e armazenar carbono, segundo reportagem publicada em março de 2026. O tema ganhou destaque porque o avanço das mudanças climáticas, com tempestades mais intensas e duradouras, tem aumentado o risco de inundações e danos à infraestrutura em áreas costeiras. No Brasil, onde a erosão atinge trechos de diferentes pontos do litoral e afeta praias, moradias e obras urbanas, esse tipo de vegetação entra no debate sobre proteção natural da costa. De acordo com informações da Mongabay Global, essas vegetações subaquáticas funcionam como uma barreira natural importante, embora pesquisadores alertem que elas não substituem, sozinhas, obras de proteção costeira.

No primeiro terço da discussão científica apresentada, ganham destaque as entidades Mongabay Global, Massachusetts Institute of Technology e Nature, citadas na reportagem como fontes de estudos e explicações sobre o papel dessas plantas nos litorais. O pesquisador Oscar Serrano Gras, ligado ao Blanes Center for Advanced Studies, na Espanha, e à Edith Cowan University, na Austrália, afirmou que essas pradarias podem formar uma barreira natural contra a erosão. Além disso, sua estrutura permite capturar e armazenar grandes quantidades de dióxido de carbono.

Como as pradarias marinhas ajudam a proteger o litoral?

Essas plantas se fixam no sedimento por meio de sistemas densos de raízes, que mantêm o fundo marinho mais estável, em um processo comparado ao papel das florestas na contenção do solo em terra. Ao mesmo tempo, suas folhas criam resistência à água em movimento, reduzindo a energia das ondas antes que elas cheguem à costa. A professora Heidi Nepf, de engenharia civil e ambiental no Massachusetts Institute of Technology, explicou, segundo a Mongabay, que a passagem da água pela vegetação enfraquece as ondas.

O efeito, no entanto, varia conforme a espécie. Plantas maiores, com folhas mais largas, interagem mais intensamente com o movimento da água. A chamada grama-de-Netuno, comum no Mediterrâneo, pode amortecer ondas com muito mais eficiência do que variedades menores, como a dwarf eelgrass, também mencionada no texto original. Em linhas gerais, o mecanismo descrito pelos estudos é relevante para qualquer litoral com vegetação submersa semelhante, inclusive em áreas costeiras tropicais e subtropicais. Paralelamente, essas plantas ajudam a estabilizar o sedimento e favorecem seu acúmulo gradual.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

O que os estudos recentes indicam sobre esse papel?

Um estudo publicado na revista Nature em 2024, citado pela reportagem, sugeriu que a perda em larga escala da grama-de-Netuno poderia provocar níveis de água consideravelmente mais altos em partes da costa do Mediterrâneo. A conclusão reforça a avaliação de que a presença dessas pradarias interfere diretamente na dinâmica costeira.

Mesmo assim, cientistas ouvidos pela Mongabay fazem ressalvas. Maike Paul, da Leibniz University Hannover, na Alemanha, disse que as evidências que relacionam pradarias marinhas à proteção costeira em larga escala ainda não estão completas. Por isso, estruturas de engenharia continuarão necessárias em muitos locais. Em outras palavras, trata-se de um elemento de proteção natural relevante, mas não de uma solução isolada para eventos extremos. Para o leitor brasileiro, isso ajuda a situar essas áreas como parte de uma estratégia mais ampla de gestão costeira, e não como alternativa única a obras de contenção.

Que outros benefícios essas áreas submersas oferecem?

Além de contribuir para a estabilidade da linha de costa, essas pradarias sustentam comunidades marinhas densas. Conchas produzidas por organismos que vivem nesses ambientes podem contribuir para a formação de areia em praias próximas. O texto também destaca outra função ecológica importante: a filtragem de sedimentos e poluentes da água, o que melhora as condições de ecossistemas como os recifes de coral.

Esses serviços ambientais ampliam a importância das pradarias marinhas não apenas para a proteção de praias, mas também para a manutenção da qualidade ambiental costeira. No caso brasileiro, isso dialoga com a conservação de baías, estuários, recifes e outras áreas marinhas sensíveis ao avanço da urbanização e à poluição. A reportagem ainda destaca seu papel no armazenamento de carbono, o que as insere no debate sobre mitigação das mudanças climáticas.

Por que as pradarias marinhas estão em declínio?

Apesar de seu valor ecológico, essas áreas estão diminuindo. Segundo a Mongabay, cerca de 30% das pradarias marinhas do mundo desapareceram desde o século 19. Entre os principais fatores apontados estão:

  • desenvolvimento costeiro;
  • dragagem;
  • escoamento de poluentes;
  • pressões adicionais associadas às mudanças climáticas.

As ondas de calor marinhas na Austrália, por exemplo, destruíram grandes extensões dessas pradarias, liberando milhões de toneladas de carbono antes armazenado e reduzindo áreas de alimentação de animais como os dugongos. O quadro mostra que a degradação tem efeitos encadeados sobre o clima, a biodiversidade e a proteção costeira. Pressões desse tipo também fazem parte de discussões ambientais em zonas costeiras brasileiras, especialmente em áreas com expansão urbana, obras portuárias e piora da qualidade da água.

O que está sendo feito para restaurar essas áreas?

Os esforços de restauração estão em expansão, mas ainda são lentos e caros. Cientistas e voluntários frequentemente plantam centenas de sementes por metro quadrado em iniciativas trabalhosas. A reportagem menciona novas abordagens, como dispositivos mecânicos de semeadura e testes com variedades mais tolerantes ao calor.

Ainda assim, a prioridade indicada pelos pesquisadores é evitar novas perdas das pradarias remanescentes. A proteção das áreas ainda preservadas aparece como a medida mais imediata diante da combinação de erosão costeira, aumento do nível do mar e intensificação de eventos climáticos extremos. Em um país com mais de 7 mil quilômetros de costa continental, como o Brasil, o tema também interessa à gestão ambiental, ao turismo e à proteção de infraestrutura em áreas litorâneas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here