A empresa chinesa Pop Mart, pioneira no mercado global de “art toys” (brinquedos de arte colecionáveis) e criadora do fenômeno Labubu, oficializou sua chegada ao Brasil com a abertura de uma subsidiária no país. O movimento estratégico, iniciado na virada de 2025 para 2026, é acompanhado por uma forte ofensiva judicial na cidade de São Paulo para retirar de circulação versões falsificadas de seus bonecos do mercado nacional.
De acordo com informações do UOL Notícias, o grupo asiático avaliado em US$ 25 bilhões (cerca de R$ 129 bilhões) protocolou um pedido de tutela de urgência no dia 30 de março de 2026. A ação tem como alvo direto a rede varejista AllMini, acusada de violar direitos autorais e de marca ao comercializar itens piratas.
Como a Pop Mart pretende combater a pirataria no Brasil?
A estratégia legal da companhia envolve processar judicialmente as redes que vendem imitações de seus produtos. A AllMini, que possui 25 unidades distribuídas por cinco estados brasileiros, é a primeira citada pela comercialização de cópias não autorizadas do boneco principal, além de chaveiros e outros utensílios.
“Os consumidores muitas vezes não têm ciência de que estão adquirindo produtos falsificados, especialmente quando esses são comercializados em grandes shopping centers.”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
A declaração é de Diogo Squeff Fries, sócio do escritório Souto Correa Advogados, que representa os interesses da marca asiática no litígio. Procurada pela imprensa, a rede AllMini declarou não ter recebido notificação formal sobre o processo e informou que se manifestará apenas após a intimação da Justiça.
Quais são os planos de expansão da marca no mercado nacional?
Para consolidar sua presença no varejo brasileiro, a empresa estabeleceu um cronograma focado em canais próprios de venda. O planejamento oficial de expansão inclui os seguintes fatores principais:
- Lançamento do site oficial de vendas online nos próximos meses.
- Inauguração de lojas físicas no segundo semestre de 2026.
- Centralização da distribuição, que hoje ocorre apenas via importação direta e parcerias em poucas lojas físicas.
O terreno jurídico para essa expansão começou a ser preparado em 2021, quando a empresa solicitou o registro de marca ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão federal responsável por garantir os direitos sobre marcas e patentes no Brasil. A marca obteve o reconhecimento oficial dois anos depois. Em 2024, novos pedidos foram feitos para blindar personagens específicos, como os da série The Monsters.
Por que o boneco Labubu virou um sucesso financeiro mundial?
O principal motor de vendas da companhia é o elfo da floresta inspirado na mitologia nórdica, criado pelo artista de Hong Kong Kasing Lung. Em 2025, o Google registrou o personagem como o produto mais desejado pelos usuários em buscas no Brasil. A mecânica de vendas foca no modelo de caixas surpresa (conhecido no mercado de colecionáveis como blind box), onde o cliente adquire a embalagem sem saber qual variação da figura está comprando.
Nos Estados Unidos, as versões menores custam a partir de US$ 30 (cerca de R$ 156), enquanto edições especiais em formato de pelúcia podem ultrapassar os US$ 1.200 (aproximadamente R$ 6 mil). O sucesso do modelo de negócios fez com que a receita global da companhia atingisse 37,1 bilhões de yuans (cerca de R$ 28 bilhões) no ano passado, representando um salto de 185% em relação a 2024.
Quais os desafios da companhia no mercado de ações?
Apesar do faturamento bilionário e do crescimento fora da China, o mercado financeiro demonstrou preocupação com a dependência da empresa em relação a um único produto. Apenas a linha do personagem principal respondeu por 38% de toda a receita, somando 14,2 bilhões de yuans (cerca de R$ 10 bilhões). A divulgação desses balanços em março de 2026 resultou em uma queda superior a 22% no valor das ações na Bolsa de Hong Kong.
Para mitigar essa concentração financeira e se reposicionar globalmente como uma gigante do entretenimento, o grupo busca diversificar sua atuação. A estratégia em curso inclui a produção de um filme em parceria com a Sony Pictures, a manutenção de um parque temático próprio em Pequim e colaborações oficiais com a Fifa para o lançamento de itens com o tema da Copa do Mundo de 2026, que será sediada de forma conjunta pelos Estados Unidos, México e Canadá.


