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Políticas climáticas de Trump falham ao ignorar custos reais na economia

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O presidente Donald Trump frequentemente utiliza um argumento conhecido para justificar o desmonte de proteções ambientais: o de que combater as mudanças climáticas causaria um desastre financeiro nos Estados Unidos. Ao longo de seu mandato, medidas sustentáveis foram rotuladas como ameaças à indústria automobilística, enquanto os custos crescentes e alarmantes dos eventos climáticos extremos continuam a ser sistematicamente minimizados pelo governo.

De acordo com informações do Grist, as justificativas oficiais baseiam-se em estimativas que ignoram os prejuízos reais do aquecimento global. Uma análise recente da Brookings Institution revelou que os impactos climáticos custam à família americana média entre US$ 219 e US$ 571 anuais. Esse valor pode ultrapassar a marca de US$ 1 mil em algumas residências, devido ao aumento significativo de seguros e aos graves problemas de saúde causados pela fumaça de incêndios florestais.

Quais são os verdadeiros custos de ignorar as mudanças climáticas?

O economista climático Gernot Wagner, da Columbia Business School, explica que prevenir desastres não prejudica a economia como um todo, mas afeta indústrias específicas, notadamente a de combustíveis fósseis. Wagner aponta que, desde o início da década de 1990, o American Petroleum Institute tem financiado pesquisas econômicas para fazer com que a redução de gases de efeito estufa pareça excessivamente cara, ignorando deliberadamente o preço altíssimo da inação governamental.

Esse histórico corporativo reflete-se diretamente nos cálculos da Agência de Proteção Ambiental (EPA) sob a administração republicana. A agência alterou suas rigorosas análises de custo-benefício para, na prática, atribuir valor financeiro zero à salvação de vidas humanas decorrentes da redução da poluição do ar, desconsiderando a prevenção de ataques de asma e mortes prematuras.

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Como o governo altera as métricas de proteção ambiental?

Além de ignorar os benefícios básicos de saúde, o governo descartou o chamado “custo social do carbono”, uma métrica fundamental que avaliava os danos econômicos oriundos de enchentes e secas, que havia sido estabelecida em US$ 190 por tonelada durante a gestão de Joe Biden. Uma investigação detalhada conduzida pela Associated Press revelou dinâmicas preocupantes sobre a agência ambiental:

  • A agência enfatizou sistematicamente os custos das regras de poluição, omitindo seus benefícios a longo prazo.
  • Em 17 das 20 regras ambientais analisadas pela reportagem, os benefícios superavam os custos, muitas vezes por uma margem expressiva.

Quando a EPA revogou os padrões de eficiência de combustível para veículos no mês de fevereiro, a agência prometeu aos cidadãos uma economia colossal de US$ 1,3 trilhão até o ano de 2055. No entanto, um gráfico ocultado na própria análise regulatória revelou que os gastos com combustível e manutenção somariam US$ 1,5 trilhão no mesmo período, anulando por completo qualquer economia projetada pelos reguladores.

A proteção ambiental pode impulsionar o crescimento econômico?

Ao contrário das projeções pessimistas do governo, a preservação ambiental possui a capacidade de estimular a economia. A Lei do Ar Limpo (Clean Air Act), aprovada no ano de 1970, reduziu a poluição e elevou o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos em 1,5% até o ano de 2010, formando uma geração de trabalhadores muito mais saudáveis e produtivos.

Investimentos maciços em tecnologia limpa também geram intensa movimentação financeira.

“Se o governo forçasse você a cortar sua linha de gás e instalar um fogão de indução e uma bomba de calor, tudo bem, você poderia odiar porque é forçado a pagar dinheiro por isso, mas alguém vai se beneficiar. A economia se beneficia”

, afirmou Wagner. O economista relatou ter injetado US$ 100 mil na economia local ao reformar seu apartamento em Manhattan com equipamentos de alta eficiência energética, reduzindo sua conta mensal de energia de US$ 450 para cerca de US$ 100.

Existe um conflito real entre economia e meio ambiente?

Para países que enfrentam níveis históricos de endividamento, o cenário exige cautela, mas não representa uma barreira intransponível. Um estudo abrangente que avaliou dados de 172 nações concluiu que não há uma compensação obrigatória entre a adaptação climática e a estabilidade financeira dos governos. Jorge M. Uribe, autor da pesquisa e professor da Universitat Oberta de Catalunya, enfatiza que medidas para melhorar a proteção e o conforto da população podem, a longo prazo, fortalecer as contas e finanças públicas.

Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade de Yale, critica abertamente a narrativa enganosa que obriga o público a escolher entre a manutenção de empregos e a defesa do meio ambiente. Pesquisas do instituto indicam de forma consistente que a grande maioria dos eleitores americanos compreende que a proteção ambiental é, na mais pura realidade, extremamente benéfica para o desenvolvimento econômico do país.

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