O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagraram nesta terça-feira, 31 de março de 2026, a Operação Objetivo. A ofensiva visa desarticular uma organização criminosa envolvida em um esquema milionário de fraudes no inventário de João Carlos Di Genio, falecido fundador do grupo educacional Unip/Objetivo, rede de ensino de alcance nacional.
De acordo com informações da Agência Brasil, os investigadores identificaram que o grupo utilizava táticas sofisticadas, como a falsificação de documentos e a simulação de procedimentos arbitrais, para conferir aparência de legalidade a cobranças financeiras indevidas contra o espólio do empresário. Como o caso envolve o patrimônio ligado ao fundador de um dos grupos educacionais mais conhecidos do país, a apuração tem repercussão que ultrapassa São Paulo e chama atenção para a proteção jurídica de grandes espólios empresariais.
Como funcionava o esquema de fraude investigado?
Segundo o inquérito conduzido pelas autoridades paulistas, o objetivo central da organização criminosa era induzir o Poder Judiciário e as vítimas ao erro. Através da criação de débitos inexistentes e da manipulação de instâncias de arbitragem — um método de resolução de conflitos fora da justiça comum —, os suspeitos tentavam validar cobranças de valores vultosos.
A estratégia buscava garantir que recursos do patrimônio deixado por João Carlos Di Genio fossem transferidos ilegalmente para os integrantes do grupo. A complexidade das manobras exigiu uma atuação conjunta entre a inteligência da Polícia Civil e os promotores do Gaeco para rastrear a origem das falsificações e a rede de influências utilizada pelos acusados.
Quais medidas foram tomadas durante a Operação Objetivo?
Para interromper a atividade criminosa e assegurar a reparação de danos, a Justiça autorizou o cumprimento de diversas medidas cautelares em São Paulo. As ações realizadas pelas equipes do Deic incluíram:
- Cumprimento de mandados de prisão preventiva contra os principais articuladores do esquema;
- Execução de mandados de busca e apreensão de documentos, computadores e dispositivos móveis;
- Sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros vinculados aos investigados;
- Adoção de medidas de preservação de provas para o desdobramento das apurações.
As investigações apontaram que os envolvidos já possuem histórico criminal, o que reforça a suspeita de que a organização operava de forma profissional e reiterada. O bloqueio de contas e bens é considerado uma etapa vital para garantir que, ao final do processo, os prejuízos causados ao espólio e aos herdeiros legítimos possam ser compensados.
O que acontece agora com as investigações em curso?
A Polícia Civil de São Paulo informou que os trabalhos continuam com o objetivo de identificar todos os possíveis beneficiários do esquema e aprofundar a análise sobre a extensão total das fraudes cometidas. Os materiais apreendidos passarão por perícia técnica para verificar se houve a participação de outros agentes ou se o grupo atuou em casos semelhantes de inventários de grandes fortunas.
O foco atual é garantir a interrupção definitiva das atividades ilícitas e consolidar o conjunto probatório que sustentará a denúncia criminal. O caso segue sob acompanhamento rigoroso das autoridades para evitar novas tentativas de manipulação do sistema judiciário. Até o momento, o processo tramita sob as normas de presunção de inocência, tratando os detidos como suspeitos de organização criminosa e falsidade documental.



