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Polícia de Campo Grande apura morte de menino após seis visitas a UPAs

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Fachada da Unidade de Pronto Atendimento Conchecita Ciarlini (UPA do Santo Antônio) Foto: Wilson Moreno (Secom/PMM)
Fachada da Unidade de Pronto Atendimento Conchecita Ciarlini (UPA do Santo Antônio) Foto: Wilson Moreno (Secom/PMM) Foto: Prefeitura de Mossoró — CC

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga o óbito de uma criança de nove anos ocorrido na madrugada de terça-feira (7) em Campo Grande. João Guilherme Jorge Pires faleceu após peregrinar por diversas unidades de saúde com dores persistentes no corpo. De acordo com informações do UOL Notícias, o caso gerou comoção e levantou questionamentos sobre os protocolos de atendimento e triagem do Sistema Único de Saúde (SUS), que são padronizados em todo o território nacional.

O drama familiar teve início na quinta-feira da semana passada (2), quando o menino sofreu uma queda enquanto brincava em sua residência. Durante o acidente doméstico, a criança bateu o joelho, fato que desencadeou uma série de queixas físicas. Ao longo dos dias subsequentes, os pais buscaram auxílio médico repetidas vezes, relatando que o filho continuava a apresentar dores intensas tanto na perna machucada quanto na região do peito.

Como ocorreram os atendimentos nas unidades de saúde?

A família relata uma verdadeira via-crúcis na rede de saúde municipal. Ao todo, foram registrados seis atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital sul-mato-grossense, estabelecimentos que operam sob o sistema de Classificação de Risco do Ministério da Saúde, antes do desfecho trágico. Em todas essas ocasiões, os responsáveis legais pela criança buscaram um diagnóstico preciso que justificasse os sintomas persistentes e cada vez mais graves enfrentados pelo paciente pediátrico.

No entanto, o relato dos familiares aponta que, durante as diversas consultas realizadas nesses postos de emergência, os profissionais de saúde não chegaram a uma conclusão clínica definitiva. A prática adotada pelas equipes médicas plantonistas consistiu na prescrição de medicamentos sintomáticos, seguida pela liberação do paciente para retornar ao seu domicílio, sem a identificação da real causa das dores no peito e na perna.

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A cronologia do caso detalha o sofrimento do paciente ao longo de quase uma semana:

  • Quinta-feira (2): Ocorreu o acidente doméstico, momento em que a criança caiu e machucou o joelho brincando;
  • Período intermediário: Foram contabilizadas seis idas a postos de emergência com queixas ininterruptas de dor na perna e no tórax;
  • Segunda-feira (6): O quadro evoluiu para falta de ar severa e desmaio em casa, exigindo socorro e intubação;
  • Terça-feira (7): A criança faleceu durante a madrugada, já sob cuidados hospitalares.

O que causou a internação definitiva e o óbito da criança?

O quadro clínico de João Guilherme sofreu uma drástica deterioração na segunda-feira (6). A criança começou a apresentar severa falta de ar enquanto estava em casa e acabou sofrendo um desmaio repentino. Diante da emergência imediata, os pais o levaram às pressas para uma nova tentativa de socorro médico, desta vez dando entrada na UPA Universitário, localizada na mesma cidade.

Nesta unidade, devido à gravidade extrema do estado de saúde, o menino precisou ser intubado imediatamente pela equipe de plantão. Com a necessidade imperativa de suporte vital avançado, ele foi transferido em caráter de urgência para a Santa Casa de Campo Grande, o maior hospital do estado e referência em alta complexidade pelo SUS. Apesar de finalmente receber atendimento hospitalar especializado, a criança não resistiu às complicações e faleceu na madrugada de terça-feira (7).

Quais são as providências das autoridades locais?

Após o falecimento, a família compareceu a uma delegacia e registrou um boletim de ocorrência formalizando a denúncia, o que acionou a Polícia Civil do estado para conduzir as investigações sobre as circunstâncias da morte. Paralelamente às ações policiais, o poder público municipal também precisou se manifestar e instaurar procedimentos administrativos internos para averiguar os fatos denunciados.

A Secretaria Municipal de Saúde emitiu uma nota oficial afirmando que já iniciou um levantamento detalhado de todos os prontuários e registros médicos relacionados às passagens do menino pelas UPAs. O órgão responsável pela administração sanitária de Campo Grande declarou através do comunicado:

“Todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas.”

Quem era João Guilherme na comunidade local?

Além da forte repercussão na esfera da saúde pública e policial, a morte precoce gerou impacto imediato na comunidade cultural e educacional da região Centro-Oeste. O menino de nove anos era um participante ativo das atividades extracurriculares oferecidas no município e integrava um projeto musical bastante reconhecido localmente pelas famílias e educadores.

João Guilherme era aluno dedicado do coral mantido pela Fundação Ueze Zahran, uma instituição focada em oferecer programas educacionais de desenvolvimento para adultos, jovens e crianças. A direção da entidade lamentou profundamente a perda trágica do estudante em sua mensagem oficial de luto:

“Ele deixa lembranças marcadas por sua alegria, sensibilidade e amor pela música, tocando o coração de colegas, professores e de toda a comunidade.”

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