No início de abril de 2026, a organização ambiental Sierra Club divulgou uma análise contundente sobre o novo plano de longo prazo da Dominion Energy South Carolina (DESC). O documento, apresentado ao público em Columbia, revela que a concessionária de energia planeja manter a dependência do gás extraído por fraturamento hidráulico e prolongar o uso de usinas movidas a carvão, consideradas altamente onerosas para a região.
De acordo com informações do CleanTechnica, o Plano Integrado de Recursos de 2026 propõe diretrizes que atrasam a transição energética do estado. A avaliação aponta que, mesmo nos cenários mais otimistas desenhados pela corporação, a adoção em larga escala de matrizes limpas e sistemas de armazenamento foi postergada para a década de 2040.
Por que o novo plano da Dominion Energy gera controvérsias?
A principal crítica recai sobre a estrutura de planejamento financeiro e ambiental da companhia. O organizador sênior de campanhas do Sierra Club para as Carolinas, Paul Black, enfatiza que a estratégia atual ignora a pressão econômica enfrentada pelas famílias locais.
Enquanto as famílias da Carolina do Sul sentem o aperto dos custos de energia como nunca, o planejamento de longo prazo da Dominion parece com os negócios convencionais de décadas atrás.
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Black ressalta que as projeções mais ambiciosas empurram o problema da desativação do carvão para o futuro e promovem investimentos massivos em mercados de gás imprevisíveis, destacando o projeto da usina de gás de Canadys. O plano principal, batizado de Plano de Construção de Referência 2026, estabelece estimativas para o fechamento de unidades a carvão:
- Usina de Wateree: previsão de aposentadoria para o ano de 2032.
- Usina de Williams: previsão de encerramento definitivo em 2034.
A concessionária argumenta que necessita construir a infraestrutura de gás em Canadys antes de desligar o complexo de Williams. Contudo, a análise alerta que não há compromisso formal de fechamento das usinas a carvão, mesmo que a unidade de gás seja efetivamente construída.
Quais são as projeções para o futuro do carvão na região?
Os cenários alternativos apresentados no documento oficial desenham uma extensão ainda maior da dependência dos combustíveis fósseis. Em um modelo denominado Aposentadorias Otimizadas, o desligamento da unidade de Wateree fica agendado para 2033, mas a planta de Williams operaria até 2047.
A situação se agrava no chamado Plano de Construção de Alta Carga. Nesta hipótese, desenhada para uma demanda elevada de eletricidade, os encerramentos seriam adiados para 2045 e 2047. Há também um silêncio absoluto sobre a usina a carvão de Cope. O cronograma atual mantém o funcionamento desta instalação até 2071, momento em que as crianças de hoje já terão passado dos 50 anos de idade.
Como as leis de poluição impactam o custo para o consumidor?
A advogada do Programa de Direito Ambiental do Sierra Club, Sari Amiel, pontua que a Dominion Energy alega já estar em conformidade com as regras estabelecidas em 2020. No entanto, a corporação não avaliou detalhadamente as atualizações recentes dessas legislações federais, que impõem limites severos para poluentes.
No entanto, as atualizações que a Dominion teria que fazer para garantir que suas usinas de carvão atendam aos padrões mais recentes são provavelmente muito caras, e o preço será repassado aos clientes.
A organização defende que a manutenção dessas instalações antigas obrigará a empresa a realizar obras caras de adequação, transformando um modelo obsoleto em uma fatura repassada ao pagador final ao longo das próximas décadas.
Quando a energia solar realmente entrará na matriz da empresa?
Apesar do foco nos combustíveis fósseis, os planos da concessionária recomendam novos investimentos em geração solar. O planejamento projeta adicionar entre 62% e 83% de geração renovável dentro do período de previsão, sendo que pelo menos 56% desse montante deve vir da energia solar.
O portfólio preferencial delineia acréscimos significativos na estrutura atual:
- 2.400 megawatts de energia solar tradicional, volume suficiente para abastecer 2 milhões de residências.
- 600 megawatts de energia combinada com sistemas de baterias.
- 300 megawatts exclusivos para armazenamento autônomo.
Entretanto, o cronograma de implementação apresenta um gargalo expressivo: nenhuma dessas novas fontes de energia solar entrará em operação antes de 2042. Esse hiato superior a 15 anos reflete a hesitação estrutural da companhia em acelerar a transição energética de forma imediata e acessível para a população.

