O Plano Clima do Brasil, divulgado recentemente pelo governo federal, tem gerado discussões devido à sua falta de clareza em relação às metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para 2035. De acordo com informações do Envolverde, o documento não menciona o fim da exploração de combustíveis fósseis e mantém uma ambiguidade sobre o nível de ambição a ser perseguido.
Quais são as metas propostas pelo Plano Clima?
O sumário executivo do Plano Clima propõe uma redução entre 59% e 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em comparação aos números de 2005. No entanto, não está claro qual das duas metas o país irá perseguir. O plano menciona uma meta mais ambiciosa de limitar as emissões a 850 milhões de toneladas de CO2 equivalente, e uma menos ambiciosa de 1,05 bilhão de toneladas.
“O documento é um pouco genérico”, explicou Fábio Ishisaki, assessor de políticas públicas do OC.
Como o Plano Clima aborda os combustíveis fósseis?
Embora o documento mencione a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, ele não especifica o fim da exploração desses combustíveis. Ishisaki observa que o plano fala em atingir o pico de emissões em 2030 e iniciar a queda a partir de 2035, mas sem garantias concretas. O uso de combustíveis fósseis é responsável por 80% das emissões humanas de gases de efeito estufa.
Qual é o papel do agronegócio no Plano Clima?
O agronegócio conseguiu evitar que as emissões por desmatamento fossem computadas em suas metas setoriais. As emissões por desmate em propriedades rurais foram qualificadas em um plano setorial próprio. O sumário executivo menciona que a manutenção de florestas em áreas privadas só será considerada para reservas que excedam o limite mínimo do Código Florestal.
- Plano coordenado pela Casa Civil, MMA e MCTI
- Participação de 25 ministérios e organizações civis
- Recebeu 1.292 propostas de 24 mil pessoas