O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo (5 de abril de 2026), a expansão do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, para o território colombiano. A proposta, feita por meio das redes sociais, surge como uma reação direta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incluir o sistema financeiro do Brasil em uma lista de controle de ativos estrangeiros (OFAC), o que motivou Petro a defender a soberania econômica e a integração latino-americana.
De acordo com informações do Metrópoles, o presidente colombiano Gustavo Petro utilizou suas redes sociais para fazer o apelo ao governo brasileiro. A movimentação diplomática e financeira acontece em um momento de tensão geopolítica, motivada pelas recentes investidas do governo de Donald Trump contra a tecnologia financeira desenvolvida no Brasil. A intenção dos Estados Unidos é submeter a ferramenta de pagamentos ao escrutínio e controle norte-americano.
Segundo reportagem do Brasil 247, a ameaça estadunidense consiste em incluir o sistema brasileiro na chamada lista da OFAC, sigla em inglês para o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, um órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA responsável por aplicar sanções econômicas. Em resposta a essa possibilidade de sanção, o líder da Colômbia se manifestou de forma contundente em defesa da ferramenta desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, que foi lançada originalmente em novembro de 2020.
“Peço ao Brasil que estenda o sistema Pix à Colômbia e que deixe de considerar a lista OFAC, que já não serve”
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Por que a Colômbia quer o sistema brasileiro?
A proposta de integração financeira busca não apenas modernizar as transações colombianas, mas também criar um bloco de resistência econômica na região. Conforme veiculado pela rede de televisão pública colombiana RTVC, e repercutido pela imprensa brasileira, o tema ganhou enorme relevância no debate regional sobre a soberania financeira dos países latino-americanos e o avanço da inovação digital fora do eixo norte-americano.
Para o chefe de Estado colombiano, o sistema de sanções aplicado pelos Estados Unidos é considerado aberrante. Ele argumenta que tais ações governamentais estadunidenses são guiadas por uma visão política de extrema direita que falha em respeitar a diversidade econômica e a autonomia das nações globais.
O pedido para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva compartilhe a tecnologia visa, portanto, integrar as economias da América Latina. O objetivo é utilizar uma ferramenta que já provou seu sucesso e escalabilidade em território brasileiro nos últimos anos, criando um ecossistema financeiro menos dependente de plataformas controladas por potências do Hemisfério Norte.
Quais foram as críticas de Gustavo Petro aos Estados Unidos?
Além da questão estritamente financeira envolvendo a ferramenta de transferências, o mandatário da Colômbia aproveitou a ocasião para tecer críticas mais amplas à postura do governo de Donald Trump. O líder sul-americano defendeu a urgência de se construir uma governança internacional que seja, em suas palavras, mais democrática e inclusiva.
Em sua manifestação pública, ele destacou a importância de preservar as diferenças e a pluralidade entre as nações. O discurso aponta para uma preocupação com o sufocamento econômico de países em desenvolvimento por meio de mecanismos internacionais de controle.
“Sem diferenciação política na humanidade, a humanidade perece. A extrema direita não entende que a base diversa da humanidade é sua riqueza e que não deve ser eliminada, porque então não há humanidade. Por isso é tão necessária uma governança global democrática”
Ainda no mesmo contexto, o líder político abordou questões sensíveis que afetam a região e o mundo. Ele criticou duramente os recentes conflitos internacionais. Segundo ele, as guerras não servem para nada e resultam em perdas sistemáticas para a humanidade. Ele revelou também ter tratado de temas como o narcotráfico diretamente com o presidente estadunidense.
Qual é o tamanho atual do Pix no Brasil?
A atenção internacional voltada para a tecnologia brasileira de pagamentos instantâneos não ocorre por acaso. A ferramenta se consolidou rapidamente como a principal engrenagem de movimentação financeira no cotidiano do país, atraindo olhares de governos e instituições financeiras de diversas partes do planeta.
Os dados mais recentes atestam o tamanho colossal da plataforma. Apenas no ano de 2025, o sistema registrou uma movimentação recorde que atingiu a marca de R$ 35,36 trilhões. Este volume impressionante consolidou definitivamente o mecanismo como o principal meio de transferência de valores no país.
De acordo com os levantamentos citados nas publicações, o sucesso da ferramenta se baseia em alguns pilares fundamentais que chamam a atenção de nações vizinhas que buscam replicar o modelo. Entre os pontos de destaque do mecanismo financeiro brasileiro estão:
- A capacidade de realizar transferências financeiras de forma instantânea, ininterruptamente, consolidando a digitalização do dinheiro no país.
- A ausência de custos operacionais para pessoas físicas na grande maioria das transações rotineiras, o que impulsionou o alcance massivo entre consumidores.
- O volume trilionário de movimentações, que em 2025 chegou a R$ 35,36 trilhões, superando métodos tradicionais de pagamento.