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Piloto traz monomotor dos EUA ao Brasil em voo de quase 4 mil km sem GPS

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Piloto em cockpit de monomotor sobrevoando região montanhosa durante o dia, com painel de instrumentos à mostra.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O piloto brasileiro Mário Jorge Filho percorreu cerca de 3,8 mil quilômetros em um monomotor antigo, sem GPS nem piloto automático, para trazer a aeronave dos Estados Unidos até Boa Vista (RR). A viagem, realizada entre 27 de fevereiro e 1º de março de 2026, incluiu quatro escalas em ilhas do Caribe, durou três dias e consumiu aproximadamente R$ 11,5 mil somente em combustível. De acordo com informações do G1, o trajeto exigiu planejamento rigoroso por envolver voos sobre o mar com uma aeronave de autonomia limitada.

O avião, um Bonanza F33A fabricado há mais de 30 anos e batizado de “Brasileirinho”, tem autonomia de cerca de 1,3 mil quilômetros — insuficiente para cruzar diretamente o trecho da Flórida ao norte do Brasil. Por isso, Mário optou por uma rota em formato de ferradura, passando por Bahamas, Porto Rico, Sint Maarten e Granada antes de chegar a Roraima. Acompanhado pelo influenciador Fernando de Borthole, ele divulgou detalhes da operação nas redes sociais, onde o vídeo já acumula mais de cinco milhões de visualizações.

Por que a rota incluiu tantas escalas?

A escolha das paradas não foi casual. Segundo Mário Jorge Filho, a prioridade foi a segurança: “Escolho lugares onde já passei várias vezes, onde me conhecem, onde sei que tem estrutura. Minha base é segurança e eficiência”. O professor James Waterhouse, do curso de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), confirma que essa estratégia é comum em voos com monomotores. “Em vez de seguir em linha reta, o piloto vai passando pelas ilhas. Isso aumenta a distância, mas oferece mais segurança, porque há pontos de apoio ao longo do caminho”, explicou.

Waterhouse destacou ainda o risco inerente a aeronaves com único motor: “Quem tem dois motores tem um; quem tem um, não tem nenhum. Se o motor parar, você vai para a água”. Por isso, evitar trechos longos sem possibilidade de pouso de emergência é essencial.

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Quais os desafios técnicos do voo?

O Bonanza F33A é um modelo clássico movido a motor a pistão e gasolina aeronáutica. Apesar de considerado confiável e econômico, exige atenção redobrada em voos prolongados, especialmente sobre regiões remotas ou oceânicas. Além disso, como não possui equipamentos para voo por instrumentos, o piloto precisou operar sob regras visuais — ou seja, apenas durante o dia e com boa visibilidade.

O professor Jorge Henrique Bidinotto, também da USP, reforçou que esse tipo de operação demanda planejamento minucioso:

“É preciso calcular bem o consumo, definir onde vai pousar, o tempo de cada etapa e garantir que haja estrutura de apoio. Pelo que foi apresentado, ele foi bastante organizado e seguiu as normas da aviação”.

Além do combustível, os custos incluíram taxas aeroportuárias e hospedagem nas escalas. O avião está em processo de regularização junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão responsável pela aviação civil no país, que exige cancelamento do registro no país de origem, solicitação de matrícula brasileira e emissão de certificados de propriedade e aeronavegabilidade.

Por que Boa Vista é ponto de entrada frequente?

Mário Jorge Filho afirmou que utiliza Boa Vista como porta de entrada desde 2015, elogiando a agilidade nos trâmites burocráticos com a Receita Federal e outros órgãos. Capital de Roraima, Boa Vista fica no extremo norte do país e é uma das portas aéreas de entrada para aeronaves que chegam do Caribe e do norte da América do Sul. O professor Waterhouse corroborou: a região oferece menos áreas de floresta densa, facilitando rotas de aproximação seguras vindas do norte. “Na região de Boa Vista há mais áreas de fazenda, agricultura e pecuária”, disse.

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