O deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi preso novamente pela Polícia Federal na sexta-feira, 27 de março de 2026. A operação ocorreu na residência dele em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Após a captura, o parlamentar foi encaminhado à Superintendência da PF no estado, em cumprimento a ordens judiciais expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com informações da Radioagência Nacional, os mandados de prisão, busca e apreensão fazem parte de um desdobramento envolvendo a chamada Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. A ação do STF, aberta originalmente para discutir a atuação policial em comunidades do Rio, ganhou alcance institucional mais amplo ao envolver investigações sobre eventuais redes de proteção, vazamentos e estruturas de poder ligadas à criminalidade. Por atingir um ex-chefe de um Legislativo estadual por ordem da Corte, o caso também tem repercussão nacional no debate sobre fiscalização de autoridades e cumprimento de decisões judiciais em investigações sensíveis.
Qual o motivo da nova prisão de Rodrigo Bacellar?
A nova detenção do parlamentar fluminense está inserida no contexto da Operação Unha e Carne III. Nesta fase das investigações, o foco das autoridades recai sobre a acusação de vazamento de informações sigilosas. Segundo os autos do processo, existem indícios de que dados sensíveis de operações policiais estariam sendo compartilhados de forma indevida, o que teria motivado a decisão do STF de determinar o retorno de Rodrigo Bacellar ao sistema prisional.
Esta não é a primeira vez que o ex-presidente da Alerj enfrenta restrições de liberdade no âmbito da mesma investigação. Em dezembro de 2025, o deputado já havia sido preso durante fases anteriores da Operação Unha e Carne. Na ocasião, ele recebeu posteriormente o benefício da liberdade provisória, condicionado ao cumprimento de medidas cautelares.
Quais eram as medidas cautelares aplicadas anteriormente?
Antes da nova ordem de prisão executada na sexta-feira, o deputado estadual estava sob monitoramento eletrônico. O uso de tornozeleira era obrigatório, assim como o dever de cumprir recolhimento domiciliar em horários determinados pela Justiça. A substituição das medidas cautelares pela prisão preventiva indica, segundo a decisão judicial, a avaliação de que a medida mais severa seria necessária para resguardar a investigação.
Os agentes federais realizaram buscas na casa do parlamentar em Teresópolis, buscando apreender dispositivos eletrônicos e documentos que possam corroborar as suspeitas de vazamento de dados. Todo o material coletado deverá ser submetido à perícia técnica para integrar o inquérito que tramita no STF, em Brasília.
O que diz a defesa do deputado Rodrigo Bacellar?
Os advogados responsáveis pela representação jurídica do ex-presidente da Alerj manifestaram-se oficialmente logo após a confirmação da prisão. Em nota assinada pelos juristas Daniel Bialski e Roberto Podval, a defesa contestou a legalidade da ação policial e os fundamentos da decisão judicial que levou o parlamentar novamente à prisão.
Desconhecemos os motivos dessa nova prisão, que classificamos como indevida e desnecessária diante do cenário processual atual.
A defesa alega que não houve fatos novos que sustentassem a revogação da liberdade vigiada e que o deputado estava colaborando com os ritos processuais impostos anteriormente. Os advogados devem protocolar pedidos para questionar a prisão preventiva, buscando restabelecer a liberdade de Rodrigo Bacellar.
O cenário político no estado do Rio de Janeiro segue sob observação, uma vez que o parlamentar ainda exerce influência na política fluminense. A Alerj é o Poder Legislativo estadual responsável pela elaboração de leis e pela fiscalização do governo do estado, o que amplia a relevância institucional do caso. Os pontos centrais desta operação incluem:
- O cumprimento de mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal;
- A relação com a ADPF das Favelas e com obrigações de investigação determinadas no processo;
- A suspeita de vazamento de informações estratégicas da Polícia Federal;
- O histórico de prisão anterior e de monitoramento por tornozeleira eletrônica do investigado.
Até o fechamento desta reportagem, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não havia emitido posicionamento oficial sobre a situação jurídica de seu ex-presidente. O caso permanece sob segredo de justiça parcial em razão da natureza das provas coletadas.



