O preço do petróleo subiu diante de temores de um choque simultâneo na oferta em múltiplas frentes geopolíticas, impulsionado por ataques militares no Oriente Médio e ameaças a rotas estratégicas de escoamento. No mercado internacional, o movimento foi registrado na segunda-feira, 30 de março de 2026. O avanço ocorreu após o Irã atacar uma base aérea saudita, ferindo militares dos Estados Unidos, e os rebeldes houthis do Iêmen intensificarem operações contra alvos israelenses, colocando em risco o Estreito de Bab el-Mandeb. De acordo com informações do OilPrice, o barril do Brent Crude era negociado a US$ 116,69 — alta de 3,66% — enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 3,18%, cotado a US$ 102,80. Para o Brasil, a alta do petróleo no mercado externo costuma pressionar os preços internos de combustíveis e também afeta a Petrobras, que tem peso relevante na economia e no mercado financeiro do país.
As tensões regionais ganharam novo impulso após um ataque iraniano à Base Aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, que deixou pelo menos 15 militares norte-americanos feridos e danificou equipamentos críticos de reabastecimento aéreo. Esse cenário fragiliza as defesas aéreas sauditas e aumenta a vulnerabilidade da infraestrutura energética do país, um dos maiores exportadores globais de petróleo. Paralelamente, a entrada formal dos Houthis no conflito com lançamentos de mísseis balísticos contra o sul de Israel elevou o risco de bloqueio no Estreito de Bab el-Mandeb, corredor marítimo entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, por onde passa parte relevante do comércio global. A rota é usada pela Arábia Saudita para desviar exportações via oleoduto East-West até o Mar Vermelho.
Por que o Estreito de Bab el-Mandeb é crucial?
Embora o Estreito de Ormuz seja o principal gargalo mundial para o transporte de petróleo, o Bab el-Mandeb tem servido como válvula de escape estratégica. Se os Houthis conseguirem interromper o tráfego nessa via, a capacidade de redirecionamento da oferta saudita será severamente comprometida, agravando a escassez global. A situação já provocou reações imediatas: os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região com o envio da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, composta por três mil e quinhentos efetivos especializados em operações anfíbias.
Quais fatores ampliam o risco de choque de oferta?
O mercado reage não apenas aos eventos recentes, mas à possibilidade de uma escalada mais ampla. Relatos do Wall Street Journal indicam que o governo norte-americano estaria avaliando operações ofensivas, incluindo ações diretas contra instalações iranianas como a Ilha Kharg, principal terminal de exportação do Irã. Essa perspectiva alimenta especulações sobre uma intervenção terrestre (“boots on the ground”), ainda que não confirmada oficialmente. Diante desse cenário, analistas alertam para riscos crescentes de interrupções prolongadas na cadeia de suprimentos energéticos.
- Ataque iraniano à base aérea saudita com danos a ativos militares dos EUA
- Entrada dos Houthis no conflito com mira em rotas marítimas estratégicas
- Reflexos potenciais no Estreito de Bab el-Mandeb, rota alternativa de exportação saudita
- Reforço militar dos EUA no Golfo Pérsico e possibilidade de operações ofensivas

