O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira, 24 de março de 2026, em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Por volta das 8h46, o barril do Brent avançava 2,53%, a US$ 98,35, enquanto o WTI, referência nos EUA, subia 2,68%, a US$ 90,49. O movimento ocorreu após o mercado reavaliar os riscos de interrupção no fornecimento global de energia diante do impasse geopolítico. Para o Brasil, a oscilação do petróleo é relevante porque pode influenciar os preços dos combustíveis e os custos de transporte, com reflexos sobre a inflação.
De acordo com informações do G1 Economia, a alta desta terça-feira veio depois de uma forte queda registrada na véspera, quando o Brent havia encerrado o dia em baixa de 11,12%, a US$ 99,72. O mercado passou a oscilar novamente à medida que diminuía o alívio inicial provocado pelo adiamento de uma ação dos Estados Unidos contra a rede elétrica iraniana.
Por que o petróleo voltou a subir?
A recuperação dos preços ocorreu porque o cenário diplomático segue indefinido. O anúncio anterior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adiar um ataque à infraestrutura elétrica do Irã havia reduzido momentaneamente a tensão e pressionado as cotações para baixo. No entanto, esse alívio perdeu força com a percepção de que ainda não há clareza sobre os próximos passos do conflito.
Além disso, o Irã negou estar em negociação com os Estados Unidos, apesar da ampliação do prazo dada por Trump para que o país reabra o Estreito de Ormuz. A rota é estratégica para o mercado internacional de energia, por concentrar a passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Autoridades israelenses também afirmaram que um acordo é improvável neste momento.
Qual é o impacto do Estreito de Ormuz sobre o mercado?
Com o estreito ainda afetado e o conflito em andamento, os agentes financeiros voltaram a considerar a possibilidade de restrição na oferta global de energia. Esse tipo de risco costuma elevar os preços do petróleo porque afeta a percepção sobre a capacidade de abastecimento em escala internacional. Como o Brasil também acompanha as cotações internacionais do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e fretes, a instabilidade no Oriente Médio tem potencial para repercutir na economia doméstica.
- O Estreito de Ormuz é uma rota central para o transporte de petróleo.
- A continuidade do conflito amplia a percepção de risco no mercado.
- Possíveis danos à infraestrutura energética mantêm a volatilidade elevada.
O efeito não se limitou ao petróleo. Os mercados globais também operaram com volatilidade nesta terça-feira, 24 de março de 2026, com queda nas bolsas e recuperação do dólar, em um ambiente de maior cautela entre investidores. A instabilidade reflete a preocupação com a escalada do conflito e com os efeitos indiretos sobre energia, comércio e inflação.
O que dizem os analistas sobre o cenário?
Analistas ouvidos no noticiário apontam que a fragilidade das tratativas mantém a pressão sobre os preços. Tony Sycamore, analista da IG, resumiu o cenário ao afirmar:
“A situação continua extremamente frágil”.
Segundo a avaliação atribuída a ele, a falta de alinhamento entre os envolvidos sustenta a tensão no mercado e dificulta uma acomodação mais duradoura das cotações.
Outra avaliação destacada foi a de Thomas Mathews, da Capital Economics, para quem os efeitos do conflito podem se estender mesmo diante de uma eventual redução das hostilidades. Ele afirmou:
“Mesmo que o conflito termine em breve, os preços de energia podem permanecer altos”.
Esse diagnóstico indica que o mercado não observa apenas o risco imediato de interrupção no fornecimento, mas também os possíveis danos à infraestrutura energética e o tempo necessário para normalizar operações. Assim, a trajetória do petróleo segue condicionada à evolução do conflito no Oriente Médio e à possibilidade, ainda incerta, de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.


