
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta quarta-feira (1º de abril) que a estatal estuda viabilizar a autossuficiência do Brasil na produção de óleo diesel no prazo de até cinco anos. O movimento estratégico, discutido durante um evento sobre energia na capital paulista, surge como resposta direta à forte escalada global nos preços dos combustíveis, impulsionada pelo recente conflito no Irã. De acordo com informações da Agência Brasil, o país importa atualmente cerca de 30% de todo o diesel consumido em território nacional.
O plano de negócios vigente da petroleira já estabelecia a meta de suprir 80% da demanda interna, o que representaria uma adição de 300 mil barris diários ao longo de cinco anos. Contudo, a diretoria avalia expandir essa capacidade para extinguir totalmente a dependência externa. O debate interno sobre o novo direcionamento começará em maio, com previsão de divulgação oficial das diretrizes em novembro.
Como a Petrobras pretende alcançar a autossuficiência?
Para atingir a marca de 100% no abastecimento interno de diesel — combustível fundamental para o transporte rodoviário e a atividade agrícola do país —, a companhia aposta em ações que já estão em andamento em seu parque nacional de refino. Durante sua apresentação, Chambriard utilizou as seguintes palavras para justificar a revisão das metas operacionais da empresa:
“Muito provavelmente, porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel.”
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A expansão da capacidade produtiva está ancorada em projetos estruturais de modernização e ampliação em polos estratégicos de refino. Entre as principais frentes de trabalho destacadas pela gestão da estatal, estão em andamento as seguintes medidas operacionais:
- A ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), localizada em Ipojuca, em Pernambuco, que passará de uma capacidade projetada de 230 mil para 300 mil barris diários após as renovações.
- O aumento da produção na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, que operará em conjunto com o Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj, localizado em Itaboraí), saltando da atual capacidade de 240 mil para cerca de 350 mil barris por dia.
- A adaptação física de quatro refinarias situadas no estado de São Paulo, que reduzirão a fabricação de óleo combustível — usado em fornos e caldeiras térmicas — para priorizar a entrega do derivado utilizado por caminhões, ônibus e tratores.
Qual é o impacto da guerra no Irã sobre os combustíveis?
O cenário de conflito armado no Oriente Médio, iniciado no dia 28 de fevereiro, desestabilizou rotas logísticas fundamentais, como o Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã responsável pelo escoamento de 20% da produção petrolífera mundial. Essa tensão geopolítica gerou distorções severas na cadeia produtiva global de energia. Como reflexo primário, o preço do barril de petróleo tipo Brent, que serve como referência internacional, saltou de aproximadamente US$ 70 antes do conflito para um patamar superior a US$ 101, o que equivale a cerca de R$ 520 na cotação atual.
No mercado doméstico brasileiro, o reflexo financeiro tem sido rápido e persistente. O preço do diesel S10, versão menos poluente e amplamente utilizada na frota pesada, registrou uma alta acumulada de 23% entre o fim de fevereiro e o dia 22 de março, conforme dados monitorados oficialmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), autarquia federal responsável pela regulação do setor. Diante desse cenário de repasses de custos, a Petrobras precisou aplicar um reajuste de R$ 0,38 nas refinarias no dia 14 de março. Adicionalmente, o querosene de aviação (QAV) sofreu uma elevação de 55%, impactando diretamente as companhias aéreas, onde o insumo representa 30% das despesas.
O que o governo está fazendo para frear a alta do diesel?
Para mitigar o impacto da inflação energética sobre o setor produtivo e não penalizar os consumidores finais, o Governo Federal implementou um pacote emergencial de contenção financeira. A principal medida fiscal consistiu na zeragem das alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre o produto. Também foi criada uma subvenção econômica voltada aos produtores e importadores, funcionando como uma espécie de reembolso estatal para manter a oferta estabilizada.
Além das desonerações tributárias no âmbito federal, o Poder Executivo articula junto aos governadores estaduais a criação de um subsídio adicional, na ordem de R$ 1,20 por litro de combustível comercializado. Segundo o entendimento da cúpula da Petrobras, a produção de diesel atua como o principal motor do desenvolvimento nacional, visto que o aumento de sua oferta no mercado interno estimula, de maneira simultânea e favorável, o acréscimo na produção de gasolina nas unidades operacionais da estatal.


