
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), confirmou nesta quarta-feira (8 de abril de 2026) que a Petrobras mantém negociações ativas com o fundo de investimentos Mubadala, pertencente aos Emirados Árabes Unidos. O escopo das conversas é a recompra da refinaria de Mataripe, uma das mais importantes unidades de processamento de petróleo do país, instalada no município de São Francisco do Conde, no estado da Bahia. O processo se insere em uma estratégia governamental, mas enfrenta desafios estritamente financeiros para ser concluído.
De acordo com informações detalhadas pelo jornal Valor Econômico, os diálogos entre a diretoria da companhia brasileira de economia mista e os representantes do fundo árabe já acumulam um histórico de cerca de dois anos e meio. A continuidade das operações, contudo, encontra resistência em um fator fundamental do mercado: a divergência sobre a precificação correta do ativo para que a transferência de controle seja efetivada.
Qual é o principal obstáculo para a recompra da unidade?
O impasse no preço exigido pelo fundo internacional trava o avanço imediato da operação de recompra. O titular do Ministério de Minas e Energia fez questão de ressaltar, de forma categórica, que a negociação atual obedece a critérios exclusivamente comerciais, estruturados sob rígidos parâmetros de mercado.
A declaração busca afastar a percepção de que haveria uma interferência política direta que sobreponha a governança corporativa da petroleira. Conforme divulgado em reportagem do portal Brasil 247, a Petrobras apenas dará seguimento à aquisição do complexo industrial caso o montante final seja avaliado tecnicamente como adequado aos interesses do caixa da empresa.
“As pessoas muitas vezes acham que o governo vai decidir comprar. Não é isso. A Petrobras é uma empresa listada na Bolsa de Nova York, tem seus acionistas, que têm que ser respeitados. E a gente respeita a sua governança. Então, é uma negociação comercial. Ela só vai recomprar se o preço for interessante”, declarou Alexandre Silveira.
Qual a importância histórica da refinaria baiana?
A unidade que hoje se encontra sob análise de compra possui um peso histórico e estratégico inegável para o desenvolvimento do setor de óleo e gás no território nacional. Anteriormente conhecida pelo nome de refinaria Landulpho Alves, ou simplesmente pela sigla RLAM, ela ostenta o marco fundamental de ter sido a primeira instalação de refino de grande porte construída no Brasil.
A fundação da planta industrial na Bahia ocorreu no ano de 1950, um período de expansão nacional que antecedeu até mesmo a criação da própria Petrobras. Após sete décadas de operação ininterrupta sob o controle administrativo do Estado brasileiro, a unidade foi incluída no programa de desestatização da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A transferência de posse ocorreu oficialmente em dezembro de 2021, quando o complexo foi vendido para o fundo Mubadala. Desde então, a gestão operacional da planta passou a ser conduzida pela Acelen, empresa constituída pelos investidores dos Emirados Árabes Unidos para administrar o ativo baiano.
Para sistematizar o histórico e a atualidade do ativo em negociação, destacam-se os seguintes pontos fáticos:
- Foi a primeira refinaria implementada no Brasil, com inauguração datada de 1950.
- Era historicamente denominada de refinaria Landulpho Alves (RLAM).
- Foi privatizada e vendida ao fundo árabe Mubadala no mês de dezembro de 2021.
- A operação atual da estrutura é de responsabilidade da empresa Acelen.
- A unidade de refino encontra-se instalada estrategicamente no estado da Bahia.
Como o Palácio do Planalto avalia o negócio?
A retomada do controle sobre ativos estratégicos e unidades privatizadas no setor de energia representa uma pauta recorrente na agenda da atual administração federal. A viabilização da recompra da unidade baiana figura como um ponto prioritário e já recebeu o respaldo público do chefe do Poder Executivo.
Em março de 2026, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), utilizou uma cerimônia oficial para sinalizar de maneira firme a intenção de reverter o processo de venda da planta industrial. A fala evidenciou o alinhamento do governo com um plano de negócios que vise a reestruturação e a expansão do parque nacional de refino administrado pela estatal brasileira.
“Eles venderam a refinaria na Bahia. Nós vamos comprar de novo. Pode demorar um pouquinho, mas vamos recomprar”, afirmou expressamente o presidente Lula em relação aos objetivos de sua gestão para o setor petrolífero.
Dessa forma, o desfecho das complexas tratativas comerciais entre a Petrobras e os administradores do fundo dos Emirados Árabes Unidos dependerá de um estreito alinhamento financeiro. A conclusão da recompra da refinaria de Mataripe está condicionada à aprovação de um valor que satisfaça plenamente os acionistas da estatal, respeitando inclusive as severas exigências de conformidade legal e financeira impostas pela Bolsa de Nova York aos seus emissores listados.


