
A Petrobras deu início prático ao seu primeiro empreendimento de geração de energia pelos ventos no mar. A estatal brasileira assinou um contrato com a multinacional holandesa Fugro para a realização de levantamentos geotécnicos na costa de São João da Barra, no Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro. As operações visam coletar dados do solo marítimo a partir de abril de 2026 e representam a fase inicial do projeto piloto, que terá capacidade instalada de 18 megawatts.
De acordo com informações do portal especializado Petronotícias, este é o primeiro parque eólico offshore (no mar) da América do Sul a avançar de maneira formal no processo de licenciamento ambiental. A iniciativa da petroleira tramita no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desde os primeiros meses de 2024.
Quais são as etapas do estudo contratado pela petroleira?
A investigação de campo conduzida pela Fugro envolverá uma série de procedimentos técnicos essenciais para a instalação segura da infraestrutura marítima. O escopo do trabalho especializado inclui:
- Amostragem do solo em quatro locais costeiros e de águas rasas;
- Ensaios realizados diretamente no local da instalação (in situ);
- Análises laboratoriais detalhadas de todas as amostras recolhidas;
- Investigações em terra firme para definir o trajeto ideal dos cabos submarinos.
As atividades práticas e as coletas deverão ocorrer de forma contínua até o terceiro trimestre de 2026. A equipe responsável pela execução ficará sediada no Brasil, operando a partir da base localizada no município fluminense de Rio das Ostras para os trabalhos no mar. Já os testes de laboratório acontecerão na cidade de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). O relatório consolidado com todos os resultados geológicos está previsto para ser entregue de forma oficial no ano de 2027.
Qual é a importância deste projeto piloto para a transição energética?
O parque planejado para o litoral fluminense servirá como um laboratório em escala real para testar tecnologias e métodos de viabilidade antes da construção de usinas maiores. Os documentos apresentados aos órgãos ambientais brasileiros indicam que o complexo de testes contará com apenas uma turbina eólica, dimensionada para gerar os 18 megawatts previstos no projeto inicial.
A presidente do Grupo Fugro nas Américas, Céline Gerson, destacou a relevância técnica e estratégica desta fase preliminar para garantir o êxito estrutural das futuras instalações no Oceano Atlântico.
À medida que a América do Sul avança com suas ambições em energia eólica offshore, os dados geoespaciais iniciais são uma das ferramentas mais importantes para reduzir a incerteza e preparar os projetos para o sucesso a longo prazo. Ao firmarmos parceria com a Petrobras nesta fase inicial, estamos ajudando a estabelecer a base técnica necessária para o avanço responsável da energia eólica offshore e para a expansão das opções energéticas futuras no Brasil e em toda a região.
Como a direção da companhia avalia os investimentos renováveis?
Apesar dos avanços necessários no setor de baixo carbono, a atual gestão da petroleira brasileira mantém uma postura conservadora quanto à alocação de recursos financeiros em projetos que ainda não possuem viabilidade comprovada. A presidente da estatal, Magda Chambriard, ressaltou durante uma entrevista recente que a empresa não fará apostas financeiras arriscadas no setor de sustentabilidade se os retornos não forem claros.
Vamos avançar em transição energética de forma segura, evitando rombos. Temos que ir com cuidado, não podemos errar na mão. Até porque o Brasil não está acostumado a lidar com esse tipo de projeto. Vemos outras empresas relevantes que apostaram no imaginário e acabaram tendo que lidar com o prejuízo.
A declaração da principal executiva da petroleira reforça que os novos empreendimentos precisam se provar rentáveis e seguros na prática, não apenas nos planos teóricos. O investimento cuidadoso e metódico em fontes renováveis, como a força dos ventos no ambiente marinho, busca equilibrar a urgente modernização da matriz energética nacional com a estrita responsabilidade financeira cobrada pelos acionistas e pelo mercado global.