A Petrobras confirmou nesta quarta-feira (1º de abril de 2026) a criação de um modelo inédito para mitigar o impacto do forte aumento no valor do querosene de aviação (QAV). Para evitar um repasse imediato e integral aos custos das companhias aéreas, a estatal autorizou o parcelamento do reajuste de 55% aplicado ao combustível neste mês.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, as distribuidoras que fornecem o produto para o setor aéreo comercial não precisarão arcar com a alta completa de uma só vez. A medida visa dar fôlego ao caixa das empresas em meio a um cenário de instabilidade tarifária global.
Como vai funcionar o parcelamento do combustível?
O novo formato estabelece que as compradoras do derivado de petróleo poderão pagar apenas 18% do aumento de forma imediata. O montante restante, correspondente à diferença do reajuste total, será dividido sob regras específicas de alívio financeiro. As diretrizes determinam que:
- O saldo devedor poderá ser parcelado em até seis vezes.
- Os pagamentos das prestações começarão apenas no mês de julho de 2026.
- O mecanismo oferece um prazo de carência de até três meses para o primeiro acerto da diferença.
- O termo de adesão estará disponível a partir de segunda-feira (6 de abril), com efeito retroativo ao início do mês.
A companhia brasileira também trabalha com a previsão oficial de que este mesmo sistema flexível de pagamentos possa ser ofertado para as flutuações e reajustes previstos para os meses de maio e junho.
Por que o preço do querosene de aviação subiu tanto?
O combustível utilizado pelas aeronaves passa por revisões de preço mensais. A empresa define os valores de venda para os distribuidores sistematicamente no primeiro dia de cada mês. O índice fixado em 55% para abril destoa agressivamente do histórico recente da petroleira. Para efeito de comparação, o aumento repassado no mês de março foi de nove por cento, enquanto em fevereiro a companhia havia registrado uma queda de um por cento nas cotações.
O salto exponencial na tabela nacional está atrelado ao mercado externo. A variação reflete a escalada contínua do barril de petróleo tipo Brent, que serve como referência principal para o comércio global de óleo bruto e orienta a política de preços da estatal. Atualmente, o barril ultrapassou a marca de US$ 100.
Antes do agravamento das tensões geopolíticas internacionais, o insumo era negociado em patamares próximos a US$ 70. O cenário piorou devido à forte instabilidade em rotas marítimas estratégicas para o escoamento global, com destaque para a região do Estreito de Ormuz, passagem responsável pelo trânsito de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O conflito no Oriente Médio afetou diretamente a oferta mundial, gerando um efeito cascata imediato nos derivados refinados.
Qual é o impacto financeiro para o setor aéreo brasileiro?
O querosene de aviação é um elemento crítico na estrutura de gastos das companhias aéreas, representando quase um terço do total de custos operacionais destas empresas. Diante dessa proporção de dependência, o repasse integral do aumento causaria um choque imediato na balança de receitas das operadoras de voos comerciais que atuam no Brasil, dominado por empresas como Gol, Latam e Azul.
A estratégia adotada busca manter a demanda comercial aquecida e neutralizar o choque de curto prazo provocado pela conjuntura do Oriente Médio. Apesar de o mercado nacional operar sob a ótica da livre concorrência e da importação direta de combustíveis, a estatal de energia ainda concentra 85% de toda a produção do derivado de aviação em território nacional.
A alteração física nos preços de repasse já pode ser notada nas bases de distribuição pelo país. Na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), operada pela Petrobras e localizada na cidade pernambucana de Ipojuca, o valor do litro do produto saltou de R$ 3,49 para R$ 5,40, ilustrando a magnitude e a materialidade da alteração tarifária que atinge a aviação.



