
A abertura de novos campos de exploração de combustíveis fósseis no Mar do Norte, localizado em águas escocesas, não trará mudanças significativas para a dependência do Reino Unido em relação às importações de gás natural. Os projetos, em análise pelo governo britânico em abril de 2026, teriam um impacto mínimo na segurança energética do país, mantendo a nação dependente de fornecedores externos como a Noruega. O cenário ilustra o dilema global entre expansão fóssil e transição climática, debate que ganha força no Brasil com as atuais discussões sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial pela Petrobras.
De acordo com informações do Guardian Environment, pesquisas divulgadas no início de abril de 2026 indicam que o campo de Jackdaw, um dos maiores ainda não explorados na região, substituiria apenas cerca de dois por cento das atuais importações britânicas de gás. Já o campo de Rosebank, que contém majoritariamente petróleo, seria capaz de reduzir as importações em apenas um por cento.
Qual é o real impacto dos novos campos de extração?
A organização Uplift compilou dados de fontes públicas que revelam a baixa eficácia das novas perfurações no suprimento nacional.
“Novos campos como Jackdaw e Rosebank fariam quase nada para impulsionar a produção de gás no Reino Unido. Mesmo no cenário mais otimista, e assumindo que nada do seu gás seja exportado, Jackdaw forneceria apenas dois por cento da demanda do Reino Unido ao longo de sua vida útil de nove a 12 anos”, afirmou Tessa Khan, diretora executiva da instituição.
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Entidades como o Centro de Pesquisa de Energia do Reino Unido já demonstraram que novas perfurações não reduziriam os preços do petróleo e do gás, tampouco melhorariam a segurança energética do país. Além disso, 90 por cento do petróleo e gás do Mar do Norte britânico já foram queimados, colocando o setor em um declínio considerado irrecuperável. As empresas envolvidas também exigem incentivos fiscais para explorar as novas reservas, cujo acesso é muito mais complexo em comparação aos suprimentos já existentes.
Como o governo britânico avalia a liberação das licenças?
O secretário de Estado para Segurança Energética do Reino Unido, Ed Miliband, enfrenta pressão de diversos setores da economia, incluindo a indústria de combustíveis fósseis, sindicatos, membros do Partido Conservador e o partido Reform UK, para dar luz verde às operações. Estes projetos não estão cobertos pela recente proibição de novas licenças para perfuração no Mar do Norte, pois suas inscrições já estavam tramitando de forma oficial antes de o Partido Trabalhista assumir o poder.
O governo ainda não tomou uma decisão final. A empresa Adura Energy, proprietária do campo de Jackdaw, foi notificada pelo órgão regulador para responder a novos questionamentos sobre as emissões de gases de efeito estufa da operação, o que pode atrasar o processo por várias semanas. Enquanto isso, o Reino Unido deve participar de uma grande conferência climática na Colômbia no final de abril de 2026, onde cerca de 50 países discutirão planos concretos para a eliminação gradual de combustíveis fósseis.
“Nossos combustíveis fósseis são fornecidos por um mercado global volátil que não podemos controlar, e que é regularmente revirado por guerras e bloqueios imprudentes. O único caminho para a verdadeira segurança é deixar os combustíveis fósseis para trás o mais rápido possível”, alertou Philip Evans, ativista sênior do Greenpeace UK.
Por que os lucros das empresas de energia estão em alta?
Enquanto o debate sobre novas licenças se arrasta no parlamento, conflitos geopolíticos globais têm inflado o valor de mercado das gigantes do setor energético. Dados da End Fuel Poverty Coalition mostram que as avaliações de mercado dispararam desde o início da guerra no Irã.
O cenário de tensão internacional gerou os seguintes aumentos na capitalização destas corporações:
- A BP adicionou £ 17 bilhões ao seu valor, um aumento expressivo de quase um quarto.
- A Exxon Mobil teve um acréscimo de £ 87 bilhões, subindo quase um quinto.
- A Shell registrou um aumento de 15 por cento nas ações, somando cerca de £ 25 bilhões.
- A Chevron adicionou cerca de £ 45 bilhões em capitalização, um crescimento de 17 por cento.
Simon Francis, coordenador da End Fuel Poverty Coalition, criticou duramente a distorção observada no setor financeiro frente à realidade da população.
“Esse não é um mercado trabalhando no interesse público, é um mercado recompensando as empresas cujos produtos estão elevando as contas que milhões de lares não têm condições de pagar”, declarou.
O especialista relembrou que as famílias britânicas ainda sofrem intensamente com os impactos da crise desencadeada em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. O evento geopolítico deixou a população sobrecarregada com altos níveis de dívida energética, evidenciando a necessidade de uma reforma estrutural de longo prazo no modelo de fornecimento do país para evitar a repetição deste ciclo de pobreza.


