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Peixes migratórios sofrem colapso de 81% e colocam a Amazônia em risco

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A fisherman in Rio Preto da Eva holds a freshly caught fish against a water backdrop.
A fisherman in Rio Preto da Eva holds a freshly caught fish against a water backdrop. Foto: Ivo Brasil — Pexels License (livre para uso)

A população mundial de peixes migratórios de água doce registrou uma queda drástica de 81% desde a década de 1970, cenário que coloca ecossistemas sul-americanos em alerta máximo. O dado alarmante foi divulgado no início de abril de 2026 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias (COP15). De acordo com informações do Mongabay Brasil, a constatação faz parte do relatório global que avaliou o status de preservação da ictiofauna em rios ao redor do planeta.

O lançamento do documento oficial ocorreu nas instalações do BioParque Pantanal, complexo sul-mato-grossense conhecido por abrigar um dos maiores aquários de água doce do mundo, e reuniu dezenas de cientistas e autoridades ambientais. Na ocasião, a secretária de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, destacou a gravidade da situação apresentada aos delegados internacionais.

“Os números são de gelar a espinha.”

Como as espécies migratórias estão classificadas na ONU?

Esta rodada de pesquisas analisou 15 mil espécies, representando um salto estatístico significativo em comparação às 3 mil analisadas durante o ano de 2011. Do montante recente, 349 animais aquáticos foram categorizados como migratórios, ou seja, seres que atravessam fronteiras e biomas durante o seu ciclo natural de vida. Após a análise profunda, os pesquisadores recomendaram a inclusão de 325 delas nos apêndices de proteção da convenção da ONU.

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Atualmente, o tratado internacional conta com 1.200 espécies listadas, mas apenas 58 são peixes. A situação é particularmente severa para a enguia, o esturjão e dois grandes bagres nativos da bacia amazônica: a dourada e a piramutaba. A redução populacional desses peixes específicos atingiu a marca de 90% ao longo das últimas cinco décadas, gerando um risco iminente de extinção.

Quais são os principais desafios para a preservação fluvial?

O maior obstáculo para a sobrevivência e conservação desses animais aquáticos é a perda de conectividade das bacias hidrográficas. A existência das espécies exige corredores fluviais intactos e estratégias de preservação integradas, enfrentando obstáculos diretos gerados por intervenções humanas agressivas. Entre as principais alterações que ameaçam as rotas de migração, destacam-se os seguintes fatores:

  • A construção estrutural de usinas hidrelétricas nos rios.
  • A criação e expansão de hidrovias comerciais extensas.
  • Os desvios de cursos de água voltados para a irrigação agrícola.

Durante os painéis do evento, Zeb Hogan, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Nevada (EUA), enfatizou que a América do Sul é uma região em estado crítico, mas que ainda oferece grande oportunidade para a ação ambiental preventiva, especialmente na região Norte do Brasil, onde a conectividade de inúmeros rios permanece preservada.

Por que os bagres da Amazônia entraram no centro da crise?

A dourada e a piramutaba receberam amplo destaque nas negociações internacionais e já constam como vulneráveis na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). A dourada protagoniza a maior migração de água doce conhecida no mundo moderno, ultrapassando amplamente os recordes biológicos do salmão. O ciclo de vida do animal envolve nascer no sopé da Cordilheira dos Andes, viajar até o estuário do Rio Amazonas para o crescimento e, ao atingir a fase adulta plena, retornar às cabeceiras para a reprodução, percorrendo distâncias extremas de até 11 mil quilômetros.

Para combater o provável colapso reprodutivo dessas populações, especialmente na área da bacia do Rio Madeira — importante afluente do rio Amazonas fortemente impactado por barragens hidrelétricas —, a conferência aprovou por unanimidade um plano de ação transnacional proposto formalmente pelo governo brasileiro. A iniciativa será coordenada pelo Brasil em conjunto com a Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Segundo a secretária do Ministério da Pesca e Aquicultura, Carolina Doria, a primeira etapa consistirá na harmonização rigorosa das estatísticas pesqueiras entre as nações, dado que o território nacional ainda apresenta sistemas de monitoramento aquático deficitários na região amazônica.

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