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Peixes migratórios colapsam na Amazônia e países adotam plano de ação

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Stunning aerial view of Manaus, Brazil with Rio Negro Bridge in the distance.
Stunning aerial view of Manaus, Brazil with Rio Negro Bridge in the distance. Foto: Kelly — Pexels License (livre para uso)

A população global de peixes migratórios de água doce sofreu uma redução de 81% desde a década de 1970, cenário que levou à aprovação de um plano de conservação inédito voltado aos grandes bagres da Amazônia. A medida, que será implementada por cinco países sul-americanos, foi formalizada durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15 da CMS), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), realizada entre 23 e 29 de março de 2026 em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O objetivo principal é garantir a conectividade dos rios para evitar o desaparecimento dessas espécies.

De acordo com informações da Mongabay Brasil, o diagnóstico alarmante faz parte do relatório “A Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce”, lançado por cientistas e ambientalistas durante o evento internacional.

Qual é a atual situação das espécies de água doce?

A secretária de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, ressaltou a gravidade da situação global da ictiofauna durante a abertura do encontro em território sul-mato-grossense.

“Os números são de gelar a espinha.”

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A avaliação global recente analisou 15 mil espécies, identificando 349 como migratórias. Desse total, os especialistas recomendaram a inclusão de 325 nos apêndices da convenção da ONU. Entrar nessa lista significa que os países signatários assumem o compromisso legal de adotar ações de proteção rigorosas para evitar a extinção. Atualmente, apenas 58 espécies de peixes constam na listagem, incluindo a enguia, o esturjão e dois bagres amazônicos: a dourada e a piramutaba, que registraram uma queda populacional de 90% ao longo das últimas cinco décadas.

No contexto nacional, o governo brasileiro conseguiu aprovar a inclusão de uma espécie de pintado da bacia do rio da Prata nos apêndices da convenção. O esforço evidencia a importância socioeconômica desses animais, que estão presentes na alimentação de milhares de pessoas e são comercializados em feiras e supermercados por todo o país.

Quais são os principais desafios na bacia amazônica?

A conservação eficaz exige a manutenção da conectividade das bacias hidrográficas, permitindo que os peixes transitem por corredores ecológicos intactos. Essa meta enfrenta grandes obstáculos devido às alterações fluviais provocadas por diversos fatores:

  • Construção de usinas hidrelétricas que barram os rios;
  • Implementação de hidrovias para o transporte de cargas;
  • Desvios de cursos de água destinados à irrigação agrícola.

O autor principal do estudo global e pesquisador da Universidade de Nevada, Zeb Hogan, enfatizou o papel central do continente sul-americano na reversão deste cenário de declínio acentuado nas populações de peixes.

“A região onde a situação é crítica e ainda há grande oportunidade para ação é a América do Sul.”

A região amazônica ainda abriga bacias com rios preservados, sendo o habitat de peixes que realizam as maiores rotas de água doce documentadas pela ciência. A dourada, por exemplo, viaja até 11 mil quilômetros ao longo da vida. O animal nasce na região da Cordilheira dos Andes, desce até o estuário do rio Amazonas para a fase de crescimento e retorna às cabeceiras na fase adulta. Pesquisas lideradas por cientistas como Ronaldo Barthen e Michael Goulding comprovaram que esta rota supera a migração do salmão.

Como o novo plano transnacional vai operar?

O plano de ação para salvar a dourada e a piramutaba, apresentado pelo Brasil, foi aprovado por unanimidade no plenário da conferência ambiental. A iniciativa envolverá a coordenação direta de esforços entre cinco nações: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Durante as negociações, também houve a inclusão da piraíba nos anexos da convenção, o que garantirá estratégias futuras de preservação para este outro bagre colossal amazônico.

A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, utilizou o caso da dourada como exemplo recorrente de por que as ações de conservação não podem ficar restritas a fronteiras políticas. O animal, de alto valor comercial e gastronômico na região Norte, é conhecido por diferentes nomes nos países vizinhos e exige uma gestão unificada dos recursos hídricos compartilhados.

A secretária de Registro, Monitoramento e Pesquisa do Ministério da Pesca e Aquicultura do governo federal, Carolina Doria, alertou para estudos que indicam um provável colapso dos bagres na bacia do rio Madeira, que é o maior afluente do rio Amazonas.

“Agora é o momento de colocar a mão na massa.”

Uma das primeiras metas estabelecidas pelo grupo transnacional será a harmonização das estatísticas pesqueiras entre as nações amazônicas, com o objetivo de corrigir lacunas de dados que atualmente dificultam o monitoramento adequado das espécies no território brasileiro e em países fronteiriços.

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